Transtornos alimentares (anorexia e bulimia)

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De uma forma geral, consideramos os transtornos alimentares como um conjunto de síndromes cuja característica central é a relação anormal do sujeito com sua alimentação. Dentre eles, a anorexia nervosa se caracteriza pela recusa à alimentação associada a uma alteração na percepção subjetiva da forma e do peso corporais, levando a uma preocupação absolutamente descabida com a possibilidade de ganho ponderal.

“Anorexia”, que remete a ausência de orexis, apetite, descreve, na clínica, um comportamento em que uma exagerada restrição alimentar é adotada no sentido de atingir-se um peso e uma forma corporal suficientemente magra segundo padrões que discordam do senso comum e das variáveis propostas pela medicina.

A anorexia e a bulimia são distúrbios alimentares dos quais o número de casos vem aumentando especialmente em adolescentes do sexo feminino e com boa condição socioeconômica e cultural.

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Anorexia: é uma doença em que a menina se considera muito acima do peso e a sua ingestão alimentar reduz drasticamente.

A recusa é voluntária. Na fase inicial da doença não ocorre uma perda real do apetite. Mais tarde, o organismo pode acostumar-se com a pouca alimentação (risco).

O anoréxico pode morrer em estado de desnutrição. Desidratados, os pacientes sofrem perda de eletrólitos, principalmente potássio, fundamental para o funcionamento muscular e cardíaco.

Bulimia: é quando existe uma compulsão alimentar em que se come acima do que deveria e, em seguida, uma forma forçada de eliminar o que foi consumido através do vômito, laxantes, diuréticos e outros medicamentos.

Geralmente, a pessoa bulímica come sozinha e escondida, não se importando com o sabor da comida ou sua combinação. Após o episódio compulsivo, sente-se culpada e com certo mal estar físico em razão da quantidade excessiva de alimentos ingeridos, ocorrendo-lhe a ideia de induzir o vômito para não engordar. Este comportamento lhe traz satisfação e alívio momentâneos e assim ela pensa em ter descoberto a forma ideal de manter o peso sem restringir os alimentos que considera proibidos.

O bulímico pode evoluir para o óbito devido a métodos purgativos. Há pacientes que chegam a vomitar 15 ou 20 vezes por dia. Em consequência, pode ter desidratação e perda de eletrólitos.

Quais são os sintomas?

– Baixo peso

– Interrupção da menstruação

– IMC abaixo de 15 em crianças e adolescentes

– abuso de prática de exercícios físicos

– prisão de ventre e depressão.

Quais são as causas que motivam a anorexia e a bulimia?

Genética: se a mãe já passou por algum transtorno alimentar, é comum que a filha possa ter.

Cultural: influência do ideal de beleza de modelos magras que é divulgado pela mídia.

Hormonal: é comum que na adolescência que as garotas não se aceitem como são. Então, para ser bem aceita na escola, entre amigos e o namorado, acaba “aderindo” ao transtorno, na tentativa de emagrecer.

Elementos psicológicos: pode acontecer quando a menina/jovem passa por problemas pessoais, como separação dos pais, bullying e abuso sexual.

Como interferir?

O tratamento deve contar com uma equipe multiprofissional com intervenções medicamentosas, psicológicas e nutricionais. Alguns casos exigem hospitalização.

Ambas são doenças crônicas de difícil controle. É necessário o acompanhamento a longo prazo, e as recaídas são frequentes.

O diagnóstico e o tratamento precoce podem fazer toda a diferença entre o fracasso e o sucesso terapêutico.

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ANOREXIA: DEFINIÇÃO, FREQÜÊNCIA, MORTALIDADE E A RESTAURAÇÃO DO PESO

Os critérios diagnósticos para a anorexia nervosa (AN) são: a manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado para a altura e a idade, grande medo de engordar (ainda que o indivíduo esteja com baixo peso), alteração da imagem corporal e amenorréia em, no mínimo, três ciclos consecutivos.

Entre os transtornos alimentares (TA), representa o menos comum, porém o mais grave. Nos pacientes com a doença, as principais causas de morte são o suicídio e os efeitos diretos do jejum.

É uma patologia com relativa baixa prevalência (1% em alguns estudos nos Estados Unidos), incidindo, mais comumente, em mulheres com idades entre 15 a 29 anos; no entanto, sua mortalidade é alta.

Sullivan, em uma metanálise englobando 42 estudos sobre mortalidade na AN estimou que a mortalidade fosse de 5,6% por década desde o início da doença.

Cerca de 20% dos afetados apresentarão doença crônica com grave comprometimento na qualidade de vida e cerca de 30% a 40% terão recuperação completa com o tratamento. Em geral, os adolescentes, quanto mais precocemente forem tratados, melhor será a evolução.

Referência: MOREIRA, Luiza Amélia Cabus; OLIVEIRA, Irismar Reis de. Algumas questões éticas no tratamento da anorexia nervosa. J. bras. psiquiatr.,  Rio de Janeiro ,  v. 57, n. 3,   2008 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852008000300001&lng=en&nrm=iso>. access on  08  Mar.  2015.  http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852008000300001.

images Insatisfação com a imagem corporal

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