Granuloma umbilical

O granuloma umbilical é descrito como um defeito de cicatrização que consiste na formação de um broto de tecido de granulação que se ergue do fundo da cicatriz umbilical;  cor vermelha, aspecto úmido e presença de secreção serosa ou sanguinolenta.

É uma causa comum de atraso na cicatrização da ferida umbilical.

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O umbigo costuma cair ao redor de sete dias e deixar em seu lugar uma ferida, No começo pode exsudar um pouco, mas logo seca e epiteliza, ao mesmo tempo em que “afunda” pela retração progressiva dos cordões fibrosos dos vasos fetais. Entre o 12º e o 15º dia já se acha constituído, seco e com sua forma característica.

A presença do granuloma umbilical é frequente. 

Trata-se de uma formação de cor vermelho vivo, por vezes branca, situada no fundo da fossa umbilical, de tamanho variável. Produz secreção serosa que pode infectar.

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Mantém presente uma umidade local, podendo ser causa de queixa materna em relação a um umbigo úmido. Podemos aguardar o período neonatal (28 dias) para sua resolução espontânea.

Caso persista além desse período, o tratamento com nitrato de prata bastão está indicado. Regride após algumas aplicações. Em caso de persistência do sinal após dias de tratamento, desconfiar, principalmente, de duas anomalias umbilicais : persistência do úraco ou do canal onfalomesentérico. Diante de uma das possibilidades, deve-se encaminhar a criança para a cirurgia pediátrica.

Fonte: http://www.uff.br/mmi/ped/granuloma.htm

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Para o tratamento do granuloma umbilical, na falta de nitrato de prata bastão, pode ser manipulada solução aquosa com nitrato de prata a 10%. Assim como o bastão, a solução aquosa de nitrato de prata deve ser aplicada por profissional de saúde, na unidade, com o uso de cotonete, 1 a 2 vezes por semana, durante 2 a 3 semanas, mas geralmente poucas aplicações são suficientes para o tratamento. Para reduzir o risco de queimadura química, deve-se proteger a pele da região periumbilical com vaselina.

É importante reforçar os cuidados de higiene com o coto umbilical com o uso de álcool 70% para reduzir contaminação bacteriana. O nitrato de prata não deve ser utilizado para a higiene do coto umbilical. Após a queda do coto umbilical, a recomendação é continuar com higiene na cicatriz umbilical com água e sabão no banho, removendo secreções e crostas, para diminuir a população bacteriana no local.

Na presença de sinais de inflamação ao redor do umbigo, como edema, hiperemia e calor no local com ou sem sinais sistêmicos de infecção em um recém-nascido, deve-se suspeitar de onfalite. A onfalite é uma infecção potencialmente grave, que exige tratamento hospitalar. (https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/granuloma-umbilical)

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Cadernos de Atenção Básica, n. 33).

DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. l.; GIUGLIANI, E. R. J. (Ed.). Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

KARAGÜZEL, G.; ALDEMIR, H. Umbilical Granuloma: Modern Understanding of Etiopathogenesis, Diagnosis, and Management. Journal of Pediatrics and Neonatal Care, Edmond,, v. 4, n. 3, p. 136, 2016. Disponível em: <http://medcraveonline.com/JPNC/JPNC-04-00136.pdf>.

LEXICOMP. Silver nitrate: Pediatric drug information. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em:< https://www.uptodate.com/contents/silver-nitrate-pediatric-drug-information>. Acesso em 01 mar. 2017.

PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA. Prefeitura do Município. Saúde da Criança: protocolo. Londrina: Prefeitura Municipal, 2006.

SUCUPIRA, A. C. S. L. et al. Pediatria em consultório. 5. ed. São Paulo: Sarvier, 2010.

LOTAN, G.; KLIN, B.; EFRATI, Y. Double-ligature: A treatment for pedunculated umbilical granulomas in children. Americam Family Physician, Kansas City,  v. 65, n. 10, p. 2067-68, 2002. Disponível em: <http://www.aafp.org/afp/2002/0515/p2067.html>.

PALAZZI, D.L.; BRANDT, M.L. Care of the umbilicus and management of umbilical disorders. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em:<https://www.uptodate.com/contents/care-of-the-umbilicus-and-management-of-umbilical-disorders>. Acesso em 01 mar. 2017.

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Autor: Cano, Maria Aparecida Tedeschi.
Título: Estudo dos aspectos microbiológicos e histopatológicos dos granulomas umbilicais de recém-nascidos / The microbiological and histopathological aspects of umbilical granuloma.
Fonte: Ribeiräo Preto; s.n; 1983. 74 p. ilus, tab, graf.
Idioma: Pt.
Tese: Apresentada a Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem de Ribeiräo Preto para obtenção do grau de Mestre.
Resumo: Após o nascimento, o cordão umbilical do recém-nascido é seccionado e laqueado. O coto umbilical passa por um processo de mumificação e o seu desprendimento da parede abdominal vai ocorrer por volta do 4º ao 8º dia de vida do recém-nascido. O granuloma umbilical torna-se aparente após a queda do coto e é apontado como a causa mais comum de atraso na cicatrização umbilical. A literatura mostra que há uma tendência em se relacionar o granuloma umbilical a uma possível origem bacteriana, embora alguns autores refutem essa ideia, afirmando ser a infecção um processo secundário. A procura da etiologia do granuloma umbilical tem um significado preponderante para a enfermagem, pois cabe a ela ministrar os cuidados para que haja regressão do granuloma visando uma cicatrização umbilical mais rápida. Isto posto, e entendendo que maiores estudos se faziam necessários para esclarecer melhor essa patologia tão frequente no recém-nascido, nos propusemos a estudar aspectos microbiológicos e histopatológicos dos granulomas umbilicais. As populações amostradas nesse estudo foram constituídas de 56 recém-nascidos portadores de granuloma umbilical e 56 recém nascidos com processo normal de cicatrização. Para efeito de estudo histopatológico a população foi de 5 recém-nascidos, baseados na amostragem sequencial, para testes de hipóteses. Os recém-nascidos foram visitados após a alta hospitalar em seus domicílios e durante a visita era colhido material da cicatriz umbilical com zaragatoa e enviado ao Laboratório de Microbiologia do Hospital das Clínicas. Os recém-nascidos que apresentassem granuloma umbilical que ultrapassasse os bordos da cicatriz umbilical eram encaminhados para biópsia. Verificou-se através dos resultados que a flora microbiana encontrada nos umbigos com granuloma e nos com processo normal de cicatrização é praticamente a mesma. Nas biópsias constatou-se que os tecidos se encontravam em fase de fibrose e granulação correspondendo ao processo normal de cicatrização de uma lesão da epiderme. Embasados nesses resultados podemos dizer que parece não ser a presença de micro-organismos e nem processos patológicos de cicatrização – que levariam à formação do granuloma na cicatriz umbilical. Outras investigações se fazem necessárias para a obtenção de um cuidado de enfermagem embasado em princípios científicos. (AU)