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Desafios da amamentação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade do bebê e de forma complementar até 2 anos ou mais.

As vantagens da amamentação vão muito além da nutrição e da saúde física do bebê. Amamentar ajuda na criação do vínculo mãe-filho e colabora na recuperação pós-parto, entre outras vantagens.

No entanto, amamentar nem sempre é uma tarefa simples. Muitas mulheres sofrem com problemas como mamilos doloridos, seios rachados e leite empedrado.

Risco: desmame precoce

Quando não são identificados logo e tratados desde o início, podem resultar na interrupção da amamentação.

Apesar das recomendações e medidas adotadas, o desmame precoce ainda é uma realidade frequente, independentemente do motivo.

É fundamental consultar seu (sua) ginecologista para aprender a prevenir e, quando necessário, tratar.

Importância da técnica

Acredita-se que uma má técnica de amamentação dificulta a sucção e o esvaziamento da mama, podendo afetar a dinâmica da produção do leite.

Como consequência, a mãe tende a oferecer precocemente alimentação complementar (fórmula infantil ou outros alimentos).

Fatores de risco

Alguns quadros observados durante a amamentação ainda na maternidade são considerados fatores de risco para o desmame.

Presença de dor mamilar, ingurgitamento mamário, lesão mamilar, fadiga e sensação de cansaço são exemplos de condições indicativas de dificuldades com a técnica da amamentação, comumente citadas nas primeiras 24 horas pós-parto.

Outras circunstâncias também interferem negativamente na duração do aleitamento materno, como dificuldades na pega e na sucção, a agitação do bebê e a percepção de oferta insuficiente de leite pela mãe.

Principais desafios da amamentação

Mamilos doloridos ou rachados

Mamilos doloridos são mais comuns entre o terceiro e o sétimo dia após o início da amamentação.

Geralmente, isso acontece porque o bebê não está bem posicionado no peito (veja a imagem).

Mas há outros motivos, como disfunções orais na criança, uso impróprio de bombas de extração de leite e a interrupção inadequada da sucção do bebê ao tirá-lo do peito.

Alguns autores descrevem que a dor (tolerável) pode ser considerada normal e não deve persistir além da primeira semana pós-parto. No entanto, ter os mamilos mais doloridos e machucados do que o usual requer intervenção.

Caso o desconforto não diminua ou se acentue, é preciso consultar um especialista para identificar a causa.

Em alguns casos, o trauma mamilar pode causar fissuras, hematomas, marcas e até bolhas.

Veja medidas para ajudar na prevenção:

Amamentação com técnica adequada (posicionamento e pega). Como saber se a pega está correta? Dicas: os lábios do bebê devem estar virados para fora, boca bem aberta, queixo tocando o peito materno, aréola mais visível na parte superior do que na inferior, bochecha redonda (“cheia”), barriguinha voltada para você e encostando no seu corpo.

  • Cuidar para que os mamilos se mantenham secos, expondo-os ao ar livre ou à luz solar.
  • Sempre que houver vazamento de leite, trocar o sutiã.
  • Não usar produtos que retirem a proteção natural do mamilo, como sabonetes com perfume ou álcool.
  • Colocar o bebê no peito assim que der os primeiros sinais de que quer mamar. Isso evita que inicie a mamada com muita fome e sugue com força excessiva.
  • Nas mamadas, a bebê deve esvaziar completamente uma mama antes de ser oferecida a outra. Caso ele não esvazie toda a mama, ofereça o mesmo seio na próxima mamada.
  • Comece por aquele que o neném sugou por último. Lembre-se de que o melhor intervalo entre as mamadas é aquele estabelecido pelo próprio recém-nascido.
  • “Estalos e outros sons” durante a mamada podem ser sinais de que o bebê está ingerindo ar e aumentando os riscos de flatulência (excesso de gases abdominais).
  • Evitar o ingurgitamento mamário (mamas muito cheias de leite, que pode empedrar).
  • Fazer a retirada manual do leite antes da mamada se a mama estiver muito cheia. Isso aumenta sua flexibilidade e permite a pega adequada.
  • Procure orientação profissional no caso de alterações nas mamas: vermelhidão, endurecimento, dor, calor, fissura, sangramento etc.

Falta de leite?

A grande maioria das mulheres tem condições de produzir leite suficiente.

A secreção de leite aumenta de menos de 100 ml/dia no início para aproximadamente 600 ml no quarto dia.

O volume de leite produzido na lactação já estabelecida varia de acordo com a demanda da criança. Em média, é de 800 ml por dia na amamentação exclusiva.

A síntese de leite após cada mamada varia, sendo maior quando a mama é esvaziada com frequência. Em geral, a capacidade de produção de leite da mãe é maior que o apetite de seu filho.

A capacidade de armazenamento da mama varia entre as mulheres e pode variar entre as mamas de uma mesma mulher.

Ela tende a aumentar com o tamanho da mama, mas não tem relação com a produção de leite. No entanto, pode ser importante na determinação na frequência das mamadas.

Assim, crianças de mães com menor capacidade de armazenamento satisfazem a sua demanda mamando com mais frequência.

Muitas vezes, a percepção de que há pouco leite é reflexo da insegurança materna. Essa insegurança (que pode ser reforçada por pessoas próximas) faz com que o choro do bebê e as mamadas frequentes sejam interpretadas como sinais de fome, ainda que isso faça parte do comportamento do recém-nascido.

A ansiedade que essa situação gera na mãe e na família pode ser transmitida à criança, que responde com mais choro.

Produção do leite materno

A “descida do leite” costuma ocorrer entre o terceiro e quinto dia após o parto. A produção se dá pela ação de hormônios e ocorre mesmo que a criança não esteja sugando.

A produção de leite materno aumenta consideravelmente com o consequente aumento do volume e tensão das mamas, podendo causar algum desconforto e dor.

O colostro torna-se mais rico em proteínas, lactose e gorduras que saciam as necessidades crescentes do recém-nascido.

A partir de então, a produção depende apenas do esvaziamento da mama, ou seja, depende do número de vezes que a criança mama durante o dia e sua capacidade de esvaziamento mamário.

Oferecer ao bebê ambos os seios (a cada amamentação) estimula o suprimento de leite.

Quando há insuficiência de leite o bebê dá sinais. Não fica saciado após as primeiras mamadas, chora muito, quer mamar com frequência e ficar muito tempo no peito durante as mamadas.

Observar as funções de eliminação

O número de vezes que a criança urina ao dia (menos de seis) e poucas evacuações, com fezes em pequena quantidade, secas e duras, também são considerados indicativos de que a criança pode não estar recebendo o volume adequado.

No entanto, a melhor forma de constatar é acompanhar seu crescimento e ganho de peso nas visitas ao pediatra.

Excesso de leite

Ocasionalmente, mulheres produzem muito leite e isso pode provocar problemas como leite empedrado.

Quando houver excesso de leite, o médico deve ser consultado para entender por que isso está acontecendo. O especialista pode indicar posições adequadas para ajudar a criança a lidar com grandes quantidades durante a mamada e indicar a retirada de parte do leite com bombinhas.

Ingurgitamento mamário (“leite empedrado”)

O ingurgitamento mamário acontece quando as mamas estão muito cheias de leite.

A mãe pode senti-las rígidas, duras e doloridas. Isso pode ocorrer nos primeiros dias, quando o bebê ainda está se acostumando a mamar. Também pode ocorrer quando o bebê está maior e já não mama com tanta frequência. Por exemplo, quando está comendo outros alimentos.

Pode haver o aumento da vascularização da mama, a retenção do leite nos alvéolos e edema.

Os ductos de leite ficam comprimidos, o que dificulta ou impede a saída. A produção pode ser interrompida e o leite represado pode ser reabsorvido. O líquido acumulado na mama torna-se mais viscoso, o que dá origem ao termo “leite empedrado”.

Quando a situação é mais grave, a mãe pode sentir febre e mal-estar.

Há algumas medidas preventivas:

  • Se a mama estiver tensa antes da amamentação, pode-se retirar um pouco do leite manualmente.
  • Permitir mamadas frequentes, sem horários pré-estabelecidos.
  • Massagens delicadas nas mamas com movimentos circulares, particularmente nas regiões mais afetadas. Elas ajudam o leite acumulado a fluir melhor.
  • Usar sutiãs com alças largas e firmes para dar suporte às mamas e aliviar a dor.
  • Fazer compressas (frias ou com água na temperatura ambiente) em intervalos regulares, após as mamadas. Quando necessário, o intervalo pode ser de duas horas.

Bloqueio de ductos lactíferos

O bloqueio acontece quando o leite produzido em uma determinada área da mama não é drenado adequadamente.

Isso acontece com frequência quando a mama não está sendo esvaziada pelo bebê por algum motivo. Mas também pode ocorrer por outros motivos, como sutiã muito apertado ou uso de cremes no mamilo, obstruindo os poros de saída do leite.

A mulher com bloqueio dos ductos lactíferos pode apresentar “nódulos” localizados, sensíveis e dolorosos, além de vermelhidão e calor na área. Essa condição não costuma causar febre ou sintomas mais graves. Mas podem aparecer pontos brancos na ponta do mamilo, o que causa muita dor durante as mamadas.

Para prevenir essa condição, deve-se evitar o uso de cremes e sutiãs apertados e permitir que o bebê mame com frequência. Caso não esteja mamando suficiente, deve-se consultar o médico.

Outras dicas

  • A amamentação deve prosseguir mesmo que doa. Dê de mamar o maior número de vezes que conseguir e evite longos intervalos entre as mamadas.
  • Esvaziar as mamas costuma amenizar os sintomas.
  • Se conseguir, inicie a mamada com o peito afetado. Com isso o bebê suga com mais força e há maior chance de o ducto desentupir.
  • Experimente diferentes posições para amamentar com o objetivo de encontrar uma posição que leve a um melhor encaixe da boca do bebê.
  • O analgésico recomendado pelo seu pode ajudar a aliviar a dor. Mas é preciso verificar com o médico o que você pode tomar.
  • Usar uma bombinha para ordenhar depois de cada mamada auxilia na retirada total do leite.
  • Compressas geralmente frias nos seios e uma massagem delicada (antes e depois de amamentar) aliviam a dor. Se tiver dificuldade de fazer a massagem sozinha, peça ajuda: da mãe, de seu parceiro, da enfermeira. Não hesite em pedir auxílio.
  • Bancos de leite públicos oferecem atendimento gratuito e orientação à amamentação. Descubra qual é o banco de leite público mais próximo de você.

Fonte: https://brasil.babycenter.com/a1600039/ductos-lact%C3%ADferos-entupidos#ixzz5SdbbmjB9

Outros aspectos importantes

Determinação, paciência, persistência, desejo de amamentar e principalmente apoio permitem que qualquer mulher possa ter o privilégio deste contato, desta relação com seu filho, até mesmo as mães adotivas.

Ainda bem que durante a gestação, você não “exercitou” os mamilos, porque esses exercícios, além de não adiantarem muito a protrusão dos bicos, pelo fator hormonal, poderiam causar contrações uterinas. O momento de fazer os bicos ficarem um pouco maiores para a amamentação, é exatamente antes das mamadas; de que forma?

Algumas ideias:

  • utilizar um sutiã “velhinho”, onde você possa fazer furos bem no local dos bicos;
  • antes das mamadas, rodar suavemente os bicos para a esquerda/direita (como se eles fossem botão de rádio);
  • usar seringa de injeção ou bomba tira leite antes das mamadas (para ajudar os bicos a ficarem protraídos) se usar a seringa ,corte o local da agulha , retire o êmbolo e coloque-o no local cortado, aí é só puxar levemente para fazer com que o bico fique mais eriçado.

Essas ideias ajudam o bico a ficar mais “eriçado”, facilitando a pega do bebê ao peito. Vale lembrar que, quando o bebê suga o peito o bico se estica até quase a “campainha” do bebê e lá ele é massageado contra o céu da boca, para que o leite saia.

Observe a pega do bebê no peito, pois a maioria das fissuras surge porque o bebê está pegando o peito de forma errada. Então, observe se seu filho está abocanhando uma boa parte da aréola, queixo coladinho no peito, boquinha bem aberta, barriga do bebê de frente para o seu corpo.

Leite materno: cicatrizante

Para cicatrizar as fissuras, você tem um poderoso cicatrizante que é o leite materno – após as mamadas, espalhe por toda a aréola e bicos, deixe secar e de preferência deixe-os arejados (pois umidade das pomadas, aréola umedecida e fechada, dificultam a cicatrização), banhos de sol também ajudam bastante! E o que previne mesmo, é a pega correta do bebê no peito!

Para diminuir a dor das fissuras, mude as posições das mamadas (tente dar deitada de lado, com o bebê sentado numa das suas coxas, ou na posição invertida – que é o bebê debaixo do seu braço – meio viradinho de lado).

Evitar:

  • deixar o peito muito cheio (pois dificulta a pega dos bebês pequeninos) ;
  • usar chupetas, mamadeiras e até mesmo o protetor de silicone, pois influem negativamente no sucesso da amamentação, porque são fatores de confusão de bicos, além de não permitirem uma boa pega, fazendo com que o leite não seja retirado adequadamente;
  • mamadas prolongadas também devem ser evitadas, porque podem ser fator de manutenção da fissura.

Mesmo com o bico fissurado, se a pega estiver correta não haverá tanta dor durante a mamada. Tente oferecer um peito por mamada e de acordo com o desejo do seu bebê, porém, observe esse tempo de mamada (4 horas no peito é muito tempo!).

Se o seu bebê estiver bem posicionado, ele deverá conseguir mamar de forma eficaz e por menos tempo.

Visite o site http://www.amigasdopeito.org.br ou ligue 2285 7779.

5 atitudes para estimular a produção de leite materno
  1. Amamente

Não há nada melhor para manter a fabricação do leite materno ativa do que a própria sucção que o bebê faz enquanto amamenta. É esse movimento que garante a continuidade de todo o processo demonstrado passo a passo no infográfico acima. Mas é necessário ter alguns cuidados: além de evitar uma pega inadequada do bebê, é importante não deixar acumular leite nos seios. Isso pode causar problemas sérios, como a mastite (inflamação das mamas). A orientação é começar a amamentação com uma mama e, quando esvaziá-la, passar para a outra. A próxima mamada deve ser iniciada pelo seio que terminou a anterior.

  1. Relaxe

O nervosismo é um grande inimigo da amamentação, assim como o cansaço e a ansiedade. Por isso, procure descansar e se manter calma durante o período da lactação. O estresse atua nos hormônios que produzem o leite materno, podendo causar um desequilíbrio entre eles.

  1. Mantenha-se hidratada

A água é a principal matéria-prima para a produção do leite materno. “A recomendação é beber de 2 a 3 litros por dia”. Sucos de frutas naturais (e sem açúcar) também podem ajudar nesse processo. Só não abuse de líquidos cheios de cafeína, como refrigerantes, café, alguns chás e mate.

  1. Durma bem

Ter um sono adequado e de boa qualidade também é fundamental para garantir que o leite materno continue a ser produzido.

  1. Use roupas leves

Vestir blusas ou sutiãs muito apertados não é recomendado. A compressão muito grande das mamas pode fazer com que diminua a produção do leite. Por isso, dê preferência para roupas apropriadas, mais confortáveis e lingeries próprias para mulheres que estão amamentando.

Fontes:

http://www.danonebaby.com.br/nutricao/problemas-da-amamentacao/

https://amigasdopeito.wordpress.com/tag/peitos-doloridos-ou-machucados/

BARBOSA, Gessandro Elpídio Fernandes et al. DIFICULDADES INICIAIS COM A TÉCNICA DA AMAMENTAÇÃO E FATORES ASSOCIADOS A PROBLEMAS COM A MAMA EM PUÉRPERAS. Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3 [cited 2018-09-29], pp.265-272. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822017000300265&lng=en&nrm=iso>.  Epub July 13, 2017. ISSN 0103-0582. http://dx.doi.org/10.1590/1984-0462/;2017;35;3;00004.

GIUGLIANI, Elsa R. J..Problemas comuns na lactação e seu manejo. J. Pediatr. (Rio J.)[online]. 2004, vol.80, n.5, suppl. [cited 2018-09-29], pp.s147-s154. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000700006&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0021-7557. http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572004000700006.

https://revistacrescer.globo.com/Por-Uma-Infancia-Mais-Saudavel/noticia/2015/04/tudo-sobre-producao-do-leite-materno.html

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-produzido-o-leite-materno/

Relactação

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Amamentar estreita o vínculo entre mãe e filho, protege o bebê contra infecções, diarreia e efeitos da poluição, reduz o risco de obesidade e  ajuda a desenvolver o sistema nervoso da criança.

Apesar de todos esses benefícios, não é tão fácil quanto parece fazer com que o pequeno mame no peito. Por diversas razões, muitas mulheres passam por dificuldades no processo do aleitamento materno.

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Foi o que aconteceu com a cantora Sandy. Ela revelou como foi trabalhoso dar de mamar para o filho, Théo, que completou dois anos de idade no dia 24 de junho: “No começo eu tinha muito pouco leite, meu leite demorou muito pra descer”.
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Sandy declarou, ainda, que foi graças a um DVD que recebeu da esposa de Serginho Groisman, Fernanda, que ela soube do método de relactação para estimular a produção de leite. “Você coloca uma sondinha onde o bebê mama o seu peito e o complemento através da sondinha ao mesmo tempo”, explicou.

O uso da técnica foi essencial para que ela conseguisse prolongar a amamentação: “Depois que eu parei com a relactação, continuei dando o peito e depois mamadeira porque ele já não tinha mais paciência, pois quando o bebê vai crescendo ele vai mamando mais. Mas eu consegui amamentar por sete meses dessa maneira. Me sinto vitoriosa!”, comemorou.

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Como funciona a técnica e em quais casos é indicada

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Tanto para complementar a amamentação do bebê quanto para estimular a produção de leite, a relactação não tem contraindicações. Veja como ela é feita:

1.  O que é relactação?

É uma técnica utilizada na amamentação para estimular a produção de leite ou complementar a alimentação do bebê, quando, por algum motivo, a mãe não pode ou não consegue amamentar naturalmente.

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O mecanismo é simples: uma sonda é acoplada a um recipiente que contenha leite – de preferência o materno, único alimento que deve ser oferecido às crianças até que completem 6 meses, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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No entanto, nos casos em que não é possível fazer a extração, dá para usar uma fórmula adequada. A ponta da sonda é fixada ao seio materno, junto ao bico, como um canudinho, para que o bebê sugue os dois ao mesmo tempo.

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Geralmente, o recipiente com o leite, que pode ser uma espécie de bolsa como essas utilizadas para o soro nos hospitais, fica no alto, quase sempre apoiado sobre o ombro da mãe para ajudar o líquido a descer com mais facilidade. Assim, enquanto o bebê suga seio da mãe, também recebe o leite que sai pela cânula. Essa sucção estimula a produção do leite materno.

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2. Em que casos a relactação é indicada?

A técnica é recomendada em diversas situações. Desde quando a amamentação precisa ser complementada, como aconteceu com Sandy, por recomendação médica, até quando o bebê ainda não aprendeu a mamar direito ou apresenta alguma condição que o impeça de sugar todo o leite de que precisa.

Também pode ser indicada quando o bebê apresenta baixo peso ou rejeitou uma mama ou as duas. Nos casos em que a mãe apresenta baixa produção de leite ou quer retomar a amamentação, depois de ter feito uma cirurgia ou tomado algum tipo de medicamento, por exemplo, a técnica também pode ajudar.

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Além disso, algumas mães de crianças adotadas que desejam amamentar também podem utilizar a relactação para estimular a produção de leite.

3. Por quanto tempo a relactação pode ser feita?

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Não há um período pré-determinado, nem mínimo, nem máximo. É importante apenas ressaltar que, apesar de não ter contraindicações, é necessário contar com o acompanhamento de um profissional que entenda desse processo e que possa orientar a mãe sobre a forma correta de fazê-lo.

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4. Quais são as chances de a mulher voltar ou começar a produzir leite?

Se o procedimento for feito da forma correta, as chances são bem altas. Ainda assim, vale lembrar que a técnica, sozinha, não garante o sucesso.

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Há outros fatores que devem ser aplicados junto com a relactação e que são imprescindíveis para que a mulher produza leite; entre eles, manter uma dieta balanceada, beber muito líquido e estar bem descansada.

5. Que outros benefícios a relactação  pode proporcionar?

O mais importante é lembrar que a amamentação não se limita apenas ao ato de alimentar. É um momento de proximidade, de carinho, de formação de vínculo entre mãe e filho.

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Só de estar aninhado junto ao peito da mãe, escutando as batidas do coração dela, o bebê já se sente acolhido e conectado.

A relactação é importante justamente porque deixa mais tranquilas as mães que têm algum problema com a produção de leite, dando a certeza de que o bebê está bem alimentado.

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E quanto mais serena a mulher estiver, maiores serão as chances de aumentar ou iniciar a produção de leite. Mas o maior ganho ainda é a proximidade entre a mãe e bebê nesse momento tão especial.

1º) Adquirir a sonda:

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Compre “sondas nasogástricas” número 4, 5 ou 6. Algumas vezes só encontradas em lojas ou farmácias que vendem material hospitalar.

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Adquira várias sondas. Pode ser melhor descartá-las após o uso, já que é difícil lavá-las bem (mas é possível esterilizar em água fervente cada vez que for usada). Essas sondas nada mais são do que tubos fininhos.

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2º) Preparações:

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Colocar o leite materno ou artificial no recipiente escolhido (seringa, copo ou mamadeira).

Colocar uma ponta da sonda no recipiente e a outra deve ser presa ao seio, com sua extremidade perto do mamilo (pode usar esparadrapo, micropore).

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A ponta que fica no peito tem que ficar bem na aréola.

Tentar colocar o recipiente com o leite num local próximo e acima do nível do peito, para que a ação da gravidade facilite o fluxo do leite, e de preferência numa superfície firme para evitar que caia no chão.

Nas primeiras tentativas vale a pena pedir ajuda de outra pessoa que segure o recipiente com o leite.

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É possível cortar a sonda em pedaços menores (10 cm) quando já estiver habituada, deixando o recipiente mais próximo do peito.

3º) Iniciando: 

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Coloque o bebê no seio para mamar. A criança sugará o peito e a sonda ao mesmo tempo e, à medida em que se alimenta, também estimula a produção do leite materno.

A altura em que é colocado o leite e a força de sucção da criança determinam a velocidade de ingestão.

O fluxo é controlado ao se dobrar um pouco a sonda. Desse modo o bebê começa a associar o peito com alimento e é estimulado a sugar o peito.relactacao_2

Se o bebê estiver recusando o seio, pingue leite sobre o seio para que ele queira sugar.

4º) Quanto tempo preciso usar esse sistema?

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O tempo para que a produção de leite seja estabelecida é de no mínimo uma semana, requer paciência e persistência para se obter sucesso.

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O leite ministrado pela sonda é o que a criança estava usando e, na medida do aumento de produção pela mãe, este é restringido progressivamente.

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A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia ela vai terminar.

O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.

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5º) Que mais posso fazer para aumentar minha produção de leite?

  • A sucção do bebê é a mais poderosa que existe, então amamente em livre demanda, mesmo sem a sonda, sempre que puder.
  • Utilize uma bomba elétrica de boa qualidade e tente ordenhar seu leite também sempre que possível – isso ajuda a estimular a produção, mesmo se ainda não estiver saindo leite. A ordenha manual bem feita é igualmente eficiente.
  • Descarte o uso de qualquer bico artificial: mamadeiras, chupetas, bicos de silicone.
  • Carregue seu bebê num sling, sempre que possível. Sentir o cheiro da mamãe acalma o bebê e o incentiva a sugar.
  • Descanse quando puder, tire sonecas quando o bebê também o fizer. Durma perto de seu bebê (tomando precauções para prática da cama compartilhada): pesquisas mostram que cama familiar pode ajudar no estabelecimento da amamentação.

Vídeo explicativo: http://www.youtube.com/watch?v=p9-Y4A8lLNU

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ATENÇÃO: A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer seu peito ou em casos de mães adotivas que desejam amamentar.

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RELACTAÇÃO NÃO É UM MÉTODO DE COMPLEMENTAÇÃO PARA SUBSTITUIR A MAMADEIRA.

É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM (leite materno) do peito – nem toda sucção deve levar leite.

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A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança.

SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar a diminuir o LA (leite artificial) usando copinho.

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Uma vez se consegue LM em volume aceitável o ideal é passar oferecer o complemento num copinho e deixar de usar a sonda.

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Lembre que existe sucção não alimentar, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.

Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda.

Fontes:

  1. http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Amamentacao/noticia/2016/07/relactacao-entenda-como-funciona-tecnica-e-em-quais-casos-e-indicada.html – Alberto d’Auria, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP) e Patricia Scalon, consultora e enfermeira da equipe do Grupo de Apoio de Aleitamento Materno da Maternidade São Luiz (SP).
  2. http://mdemulher.abril.com.br/famosos-e-tv/bebe/no-altas-horas-sandy-conta-que-recorreu-a-tecnica-de-relactacao-para-amamentar-theo
  3. 10528-42549-1-pb relactacao

 

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