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Higiene

Não leve criança para votar

 
 
 
 
  • Se apresentar febre, não saia de casa.
  • Evite levar crianças e acompanhantes.
  • No transporte até o local de votação, mantenha distância de, no mínimo, 1 metro das outras pessoas em filas e evite entrar em veículos cheios.
  • Mantenha distância de, no mínimo, 1 metro das outras pessoas dentro dos locais de votação.
  • Evite contato físico com outras pessoas, como abraços e apertos de mão.
  • Respeite a marca de distanciamento nas filas e nas seções eleitorais (sinalizada com adesivos nos chãos).
  • Se possível, compareça sozinho ao local de votação.
  • Permaneça nos locais de votação apenas o tempo suficiente para votar.
  • Use máscara desde o momento que sair de casa até a volta.
  • Nos locais de votação, não é permitido se alimentar, beber ou fazer qualquer outra atividade que exija retirada da máscara.
  • Se possível, leve sua própria caneta para assinar o caderno de votação.
  • Mostre seu documento oficial com foto, esticando os braços em direção ao mesário.
  • O mesário verificará os dados de identificação à distância.
  • Se houver dúvida na identificação, o mesário poderá pedir que você dê dois passos para trás e abaixe brevemente a máscara.
  • Higienize as mãos com álcool em gel antes e depois de votar.

De acordo com a Emenda Constitucional nº 107, as eleições municipais foram adiadas para o dia 15 de novembro, domingo (primeiro turno) e 29 de novembro de 2020, segundo turno, onde houver.

O Plano de Segurança Sanitária tem o objetivo de definir as medidas de proteção à saúde pública a serem implementadas durante as eleições municipais de novembro de 2020, no contexto da pandemia da COVID-19 e minimizar os riscos de transmissão da doença.

O que é preciso levar para votar?

 

No dia da eleição, leve um documento oficial com foto: carteira de identidade, passaporte, carteira de categoria profissional reconhecida por lei, certificado de reservista, carteira de trabalho ou carteira nacional de habilitação.

Leve também seu título de eleitor, já que nele constam informações sobre a zona e a seção eleitoral.

O horário de votação foi ampliado por conta da pandemia da Covid-19. Os eleitores poderão comparecer às urnas de 7h às 17h. Importante destacar que o horário entre 7h e 10h é preferencial para pessoas acima de 60 anos.

Lembre-se, o voto é obrigatório para brasileiros entre 18 e 70 anos e facultativo para analfabetos e jovens entre 16 e 18 anos.

Medidas gerais de proteção dos eleitores

A Justiça Eleitoral deverá:

  1. Fornecer álcool em gel para as seções eleitorais em quantidade que permita que cada eleitor higienize as mãos antes e depois de votar;
  2. Tornar obrigatório o uso de máscaras nas seções eleitorais e nos locais de votação;
  3. Solicitar aos eleitores que, quando possível, levem a própria caneta para assinatura do caderno de votação e fornecer canetas higienizadas para os eleitores que precisarem;
  4. Fornecer álcool 70% para higienização das superfícies (incluindo mesas e cadeiras) e dos objetos (incluindo canetas) na seção eleitoral;
  5. Estabelecer distanciamento mínimo de 1 (um) metro nas filas, que deve ser demarcado preferencialmente mediante o uso de fitas adesivas no chão;
  6. Reduzir os pontos de contato entre eleitores e mesários, bem como com objetos e superfícies, com alterações no fluxo de votação, exibição do documento de identificação oficial com foto à distância e campanhas de estímulo para que eleitores levem suas próprias canetas para assinar o caderno de votação;
  7. Orientar eleitores que apresentem febre ou tenham sido diagnosticados com COVID-19 nos 14 dias anteriores à data da eleição a não comparecer à votação, permitindo a posterior justificativa da ausência de voto por esse motivo.
  8. Não é recomendado o fornecimento de luvas para mesários ou eleitores. Em vez do uso de luvas, a Justiça Eleitoral deverá fornecer condições para a higienização frequente das mãos com preparação alcoólica (álcool em gel), de modo a garantir a descontaminação das mãos antes e depois do contato com o teclado da urna eletrônica e com outros objetos e superfícies.
  9. Desse modo, evitam-se o desperdício de recursos, a perda de oportunidades para higiene das mãos e os riscos de transmissão causados pelo uso e/ou descarte inadequado de luvas.
  10. Não será utilizada a medição de temperatura dos eleitores, tendo em vista que a medida causaria provável aumento das filas e maior risco de aglomerações, e  o seu custo-benefício, considerando-se que sua implementação em todos os quase 100 (cem) mil locais de votação no Brasil exigiria dispêndio elevado de recursos e não seria capaz de detectar indivíduos infectados que sejam assintomáticos ou estejam em período de incubação.
  • A emenda previu, ainda, que, no caso de as condições sanitárias de um Estado ou Município não permitirem a realização das eleições nas datas previstas, o Congresso Nacional poderá designar novas datas (até o dia 27/12/20).

Fonte: https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/arquivos/plano-de-seguranca-sanitaria-eleicoes-2020/rybena_pdf?file=https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/arquivos/plano-de-seguranca-sanitaria-eleicoes-2020/at_download/file

Treinamento esfincteriano

O treinamento esfincteriano (TE) é um marco importante do desenvolvimento físico e psicológico em crianças, além de constituir um desafio para as famílias, pois ocorre quando a criança necessita de autoafirmação e há expectativa das famílias de que a continência ocorra o mais breve possível.

O TE representa um processo complexo que pode ser afetado pelas condições anatômicas, fisiológicas e comportamentais e as normas aceitas para a aquisição do TE relacionam-se mais com as diferenças culturais do que com as evidências científicas.

Quando a criança se conscientiza sobre sua própria necessidade de eliminar urina e fezes ela já pode ser considerada “treinada” para o controle e, então, pode iniciar o ato sem um lembrete ou um preparo por parte dos pais.

O controle da evacuação, em geral, precede o controle da micção. Os métodos para aquisição do TE têm variado ao longo dos anos e a Abordagem Orientada para a Criança indicada pela Academia Americana de Pediatria (AAP), mais comumente utilizada no mundo ocidental, recomenda que as crianças não sejam forçadas a iniciar o processo de TE até que apresentem os sinais de prontidão e que os pais estejam orientados para reconhecer esses sinais.

Nos últimos 50 anos, a média de idade na qual as crianças com desenvolvimento neuropsicomotor normal completam o TE aumentou de 24 meses para 36 a 39 meses.

O uso de fraldas descartáveis, pais que trabalham fora com menos tempo para orientar o TE dos seus filhos e a disponibilidade cada vez mais ampla de informações sobre técnicas da abordagem orientada para a criança são as possíveis explicações sugeridas para tal fenômeno de aumento na idade do TE.

No Brasil, a média de idade de início do processo do TE é em torno dos 22 meses e a média de conclusão aos 27,4 meses, ocorrendo mais precocemente nas meninas. O prazo de duração do processo fisiológico de TE pode variar entre 6 e 12 meses.

Já foi relatado que a ausência dos sinais de prontidão para o TE entre os 24 e 36 meses de idade está associada ao aparecimento de disfunção da bexiga e do intestino, de infecções do trato urinário e da recusa para ir ao banheiro.

Observa-se também maior prevalência de disfunção vesical em crianças que apresentam constipação intestinal funcional e que iniciam o TE precocemente, antes de 24 meses ou tardio, após 36 meses de idade.

No entanto, segundo a literatura, não existe correlação entre o método utilizado, a idade de término do TE aos 24 meses e o aparecimento de sintomas do trato urinário inferior.

O objetivo deste estudo é apresentar de forma prática os métodos mais utilizados para TE no nosso meio, as peculiaridades do processo e os problemas mais comuns associados. As orientações práticas aqui apresentadas para pediatras e pais têm o intuito de tornar esse processo mais eficiente e menos desgastante, envolvendo a criança e a família de forma ativa.

Quando a criança está pronta para iniciar o processo de treinamento esfincteriano?

  • Avaliação dos Sinais de Prontidão

A literatura pediátrica enfatiza a importância de a criança apresentar os sinais de prontidão, ou seja, habilidades físicas e psicológicas específicas antes de iniciar o TE.

As crianças com desenvolvimento neuropsicomotor normal começam mostrar as habilidades de prontidão e a maturidade física necessária para o TE geralmente entre 24 e 36 meses de idade.

É importante ressaltar que toda criança tem um desenvolvimento individualizado e, portanto, somente a idade não é um bom critério para decidir o momento de iniciar o TE. Apesar dessa importância percebida, os testes de rastreamento do desenvolvimento neuropsicomotor comumente usados em pediatria não fazem referência a alguma habilidade específica para TE.

Os principais sinais de prontidão estão relacionados à capacidade da criança de:

  1. Imitar o comportamento dos pais ou de cuidadores.
  2. Desejar agradar.
  3. Desejar ser autônoma: insistir em concluir tarefas sem ajuda e orgulhar-se de novas habilidades.
  4. Andar e estar apta a sentar-se de modo estável e sem ajuda.
  5. Pegar pequenos objetos.
  6. Ser capaz de dizer NÃO, como sinal de independência.
  7. Entender e responder a instruções e seguir comandos simples.
  8. Saber puxar as roupas para cima e para baixo.
  9. Possuir um vocabulário simples referente ao treinamento esfincteriano.
  10. Usar palavras, expressões faciais ou movimentos que indicam a necessidade de urinar ou evacuar.
  11. Mostrar interesse em outras pessoas que estejam usando o banheiro
  12. Ficar seca por duas horas ou mais durante o dia.
  13. Dizer que está “fazendo xixi” no momento da micção, em geral, nos banhos.
  14. Dizer aos pais que acabou de urinar ou evacuar em pequena quantidade na fralda e se incomodar com a fralda molhada. Tentar retirar fralda molhada ou pedir para ser trocado (consciência física).
  15. Não querer usar fraldas ou mostrar interesse em cuecas ou calcinha.
  16. Conseguir ficar parada no penico ou vaso sanitário por 3 a 5 minutos.
  17. Permanecer brincando com a mesma atividade por mais de 5 minutos.
  18. Ser capaz de apontar o que deseja.
  19. Ter iniciado a comunicação por palavras ou frases simples.
  20. Não apresentar atrasos nos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor segundo escalas validadas internacionalmente.
  21. Compreender e seguir comandos simples.

Método: a abordagem orientada para a criança

A abordagem orientada para a criança, apoiada pela literatura e recomendada pela AAP, enfatiza que o processo de TE somente deverá ser iniciado quando a criança apresentar os sinais de prontidão.

A AAP recomenda somente o uso de elogios para reforço, desencorajando o uso de guloseimas ou recompensas materiais, como brinquedos.

Por volta dos 24 meses de idade, os sinais de prontidão para o TE da criança deverão ser avaliados pelo pediatra, tendo em mente as diferenças culturais.

Os pais e os cuidadores necessitarão estar disponíveis e motivados para iniciar o TE, assegurando que o tempo seja reservado para o processo inclusive com as adequações necessárias à rotina familiar.

O processo de TE não deverá ser iniciado em um momento de estresse da vida da criança ou da família (por exemplo, após uma mudança de casa ou após o nascimento de um novo irmão) e os pais deverão estar preparados emocionalmente para lidar com tranquilidade com as perdas urinárias e fecais inevitáveis, que ocorrerão até o final do processo de TE.

O ideal é que, em caso de a criança frequentar escola ou creche, que o TE seja iniciado de forma concomitante em todos os ambientes.

Instrumentos para o processo de treinamento

Penico ou vaso sanitário?

Antes de iniciar o processo do TE os pais precisarão decidir qual instrumento será utilizado: penico ou vaso sanitário.

O penico é geralmente preferido nos primeiros estágios do processo, pelo fato das crianças se sentirem mais seguras, não necessitar de redutor para o vaso sanitário, as pernas ficarem bem apoiadas, o dispositivo pode ter motivos lúdicos, poder ser deslocado para outros ambientes.

O penico também fornece a melhor posição biomecânica para a criança. O fundamental é tornar o processo de TE fácil e o mais divertido possível para a criança, sem qualquer forma de cobrança. Apesar de o penico ser preferível, algumas crianças gostam de imitar os pais e preferem os vasos sanitários. Nesses casos esses podem ser utilizados para o TE, desde que os pés fiquem apoiados e haja um redutor.

  1. Penico

O equipamento na abordagem orientada pela criança é o penico, considerado uma ferramenta que auxilia na avaliação dos sinais prontidão. Os pais deverão apresentar o penico como objeto pessoal da criança.

Ele deverá ser escolhido junto com a criança e colocado em um local conveniente para que ela se sinta atraída a usá-lo. A criança deve ser ensinada a observar, tocar e familiarizar-se com o penico bem antes de seu uso ser encorajado, em um momento prazeroso e lúdico. Quando a criança começar a mostrar interesse em usar o penico, os pais devem deixá-la sentar-se sobre ele totalmente vestida, para evitar um desconforto inicial e gerar confiança, sem criar nenhuma expectativa.

Nunca forçar a criança a sentar-se ou permanecer sentada no penico.

Em seguida, a criança é incentivada a sentar-se no penico após a remoção de uma fralda molhada ou com fezes. Para ajudar a criança na conceituação e compreensão do processo, os pais podem ser ensinados a demonstrar o propósito do penico, por exemplo, depositando nele o conteúdo de fraldas sujas.

Finalmente, a criança é encorajada a desenvolver uma rotina de sentar-se no penico em horários específicos do dia (por exemplo, depois de acordar de manhã, após as refeições ou lanches, antes de dormir). É importante elogiar a criança sempre que ela se sentar no penico.

Uma vez que a criança usou o penico com sucesso por uma semana ou mais, pode-se desfraldar a criança. Existem calças de treinamento (laváveis e reutilizáveis) que podem facilitar o processo para os pais. O ideal é que o treinamento esfincteriano seja completo e que se evite usar a fralda durante o dia, o que pode confundir a criança e dificultar o processo.

Perdas urinárias ou fecais são inevitáveis, e os pais precisam ser compreensivos e mostrar à criança que isso pode acontecer. Importante sempre demonstrar naturalidade e evitar criticar ou repreender a criança nessas situações de perdas.

A transição para o vaso sanitário somente deverá ser iniciada quando a criança estiver segura e treinada no uso do penico.

Na maioria das vezes, a criança senta-se com mais facilidade no penico e sente-se mais segura por não ser tão alto e não ter água no fundo. Além disso, será mais fácil levá-lo quando a criança estiver fora de casa.

O penico deve ser colocado em algum lugar de rápido alcance da criança, porque no início do processo, há pouca percepção sobre a eliminação de pequena quantidade de urina ou fezes. Uma boa estratégia é a criança escolher o tipo de penico que irá usar.

  1. Vaso sanitário

Caso os pais e a criança optem pelo vaso sanitário é necessário colocar um redutor de assento de vaso sanitário e um apoio para os pés para que fiquem firmes e seguros.

Um banco elevado será usado tanto para a criança alcançar o assento, quanto para apoiar os pés enquanto estiver sentada, dando a sensação de que ela pode sair quando for preciso e auxiliando-a na posição mais fisiológica para a evacuação.

Algumas crianças têm medo de cair no vaso sanitário (mesmo com o redutor de assento) e do barulho da descarga de água. É importante orientar que, nesses casos, usar um penico pode ser mais fácil.

Como a criança aprende muito pelo exemplo, os pais devem demonstrar como eles usam o vaso sanitário. Repetir as demonstrações faz a criança ganhar segurança.

Muitas vezes, os pediatras são questionados sobre o melhor momento e método para o aprendizado do TE. Alcançar esse marco de desenvolvimento pode ser complexo, tanto para a criança, quanto para os pais. Para ajudar a facilitar o processo de TE, os pediatras devem informar aos pais sobre o método, capacitando-os para perceber o momento e a forma ideal.

Antes do início do TE, o pediatra deve avaliar a criança quanto aos sinais de prontidão com o intuito de ajudar os pais a planejar esse período de transição, além de definir se a criança apresenta algum quadro clínico que pode interferir com o treinamento.

Também é importante considerar o temperamento de cada criança e a hora do dia em que ela é mais acessível e cooperativa. Se a criança for tímida e retraída, ela pode precisar de apoio e incentivo adicionais.

É fundamental entender o nível de frustração da criança e estar pronto a apoiá-la e tranquilizá-la a cada passo.

É importante que, na presença de constipação intestinal funcional, o tratamento dessa condição seja instituído antes do início do processo do TE. É fundamental, verificar a consistência das fezes da criança pela Escala de Bristol Modificada para a Criança.

A consistência endurecida (Bristol 1 e 2) pode tornar o processo de evacuação difícil e doloroso. Dieta rica em fibras, quantidade reduzida de produtos lácteos associada à ingestão hídrica adequada pode auxiliar para a obtenção da consistência fecal normal (Bristol 3 e 4), manter os movimentos intestinais regulares e uma fácil eliminação das fezes.

Ressalta-se que se a criança se sentir pressionada, se os pais se referem às eliminações como algo inadequado, sujo, e de odor ruim, ou se o processo de TE for estressante, ela pode começar a reter a urina ou fezes. Nesses casos, o processo deve ser interrompido e deve-se aguardar o momento no qual a criança ou a família esteja mais receptiva para reiniciar o treinamento.

Orientação aos pais para o processo do treinamento esfincteriano.

Como já mencionado, o TE inclui reconhecer a vontade de urinar e evacuar, despir-se, andar até o penico ou vaso sanitário, limpar-se, vestir-se, sendo fundamental reforçar o sucesso da criança em cada passo. Quanto mais pronta a criança estiver ao iniciar, mais rapidamente concluirá o processo de TE. O sucesso inicial depende da compreensão da criança sobre o uso do banheiro.

As orientações aos pais consistem em:

  1. Incentivá-los a conversarem entre si sobre como farão para ajudar a criança a iniciar e completar o TE. Escolher um horário em que os mesmos tenham tempo e paciência para dar a atenção necessária. Os finais de semana e feriados deverão ser bem aproveitados, caso algum dos pais estiver de folga do trabalho.
  2. Solicitar que oriente aos demais cuidadores que a criança se encontra em processo de TE e que o sucesso depende muito da continuidade e da atitude dos adultos. Evitar que a escola defina o período de TE em conjunto na sala, sem individualizar cada criança em relação à sua idade, seu desenvolvimento e a presença dos sinais de prontidão.
  3. Auxiliar a criança a preparar-se para o processo do TE, mostrando a ela que urinar e evacuar são normais a todas as pessoas. Pode-se usar a expressão: “a partir de hoje você vai fazer xixi e cocô (ou urinar e defecar) igual a gente grande, igual ao papai e à mamãe”.
  4. Incentivar a criança a acompanhar os pais ao banheiro e conversar sobre a sua utilização.
  5. Ensinar à criança as palavras necessárias para o processo do TE. Estabelecer uma conversa padrão no banheiro. Alguns especialistas recomendam usar palavras formais (defecar, urinar) em vez de jargões, para que as crianças não fiquem constrangidas com termos infantis quando forem mais velhas – mas o mais importante é ser consistente no seu uso e utilizar uma forma de comunicação que a criança entenda e que consiga se fazer entender em todos os contextos. E nunca se referir ao conteúdo das fraldas com nomes pejorativos ou com desprezo.
  6. Ressaltar sobre a importância de garantir que a área do banheiro seja totalmente sem riscos, com os produtos de limpeza e de higiene pessoal mantidos fora de alcance das crianças. Assentos, penicos e bancos devem ser firmes e seguros. Além de cuidar para que esteja limpo e sem odor desagradável. Algumas crianças relutam ir ao banheiro por causa dessas características.
  7. Vestir a criança com roupas que sejam mais simples de colocar, de retirar e de lavar. O processo de TE será mais fácil nos dias mais quentes, pois menos roupas serão removidas além de não ter a sensação de desconforto da baixa temperatura.
  8. Incentivar a criança a avisar quando da eliminação de urina e/ou fezes, na fralda, mesmo as pequenas quantidades. É fundamental que os pais entendam os sinais que expressam que a criança está prestes a urinar ou evacuar (por ex. cruzar as pernas ou agachar) com a finalidade de guiar a criança para o banheiro ou penico. Muitas crianças apertam os genitais para conter a urina. Sempre que a criança realizar algumas dessas manobras os pais devem levá-la ao penico ou ao toalete, mesmo que ela diga que não está com vontade, de forma carinhosa e com paciência. Os pais precisam estar prontamente disponíveis para atender as demandas, pois o tempo, entre o momento que a criança tem a sensação que vai urinar ou evacuar e o ato de eliminar propriamente dito, é muito curto.
  9. Para a criança ganhar autonomia para a defecação, convém colocá-la sentada no penico ou vaso sanitário sem fralda, nos horários em que a mesma geralmente evacua, por exemplo, alguns minutos depois de uma refeição. Também colocá-la para urinar depois de uma soneca caso acorde seca é educativo. Não é recomendável manter a criança sentada no penico ou no vaso sanitário por mais de 3 a 5 minutos aguardando a eliminação. Pode parecer uma punição e não a auxilia para a aquisição do TE.
  10. Explicar que a criança ainda não tem as habilidades para realizar a higiene íntima corretamente após urinar ou evacuar. Então será necessário auxiliá-las até que consigam fazer adequadamente sozinhas. Vale a pena ressaltar a importância de ensiná-las a lavar as mãos depois de usar o vaso sanitário ou o penico.
  11. Solicitar e auxiliar os pais a terem paciência durante todo o processo. Pode levar várias semanas para que a criança consiga a aquisição do TE. Expectativas irrealistas dos pais, início do TE muito precoce ou de maneira agressiva poderão determinar redução da autoconfiança da criança.

Importante:

  1. Decida o vocabulário a ser usado.
  2. Assegure-se de que penico ou o vaso sanitário sejam facilmente acessíveis.
  3. Se usar o vaso sanitário, use um redutor de assento e um apoio para pés.
  4. Permitir a criança assisti-lo ao usar o banheiro.
  5. Incentive a criança a avisar quando ela sentir que urinou ou evacuou em pequena quantidade ou quando sentir vontade.
  6. Elogiar o sucesso e a tentativa de avisar mesmo quando ocorreu perda.
  7. Aprender os sinais comportamentais da criança quando ela estiver na iminência de urinar ou evacuar.
  8. Não esperar resultados imediatos; as perdas fazem parte do processo.
  9. Garantir a cooperação de todos os cuidadores para fornecer uma abordagem consistente.
  10. Após sucessos repetidos, usar calças de treino ou roupas íntimas.
  11. Sempre encorajar a criança com elogios e sem guloseimas. Não é permitido qualquer punição e/ou esforço negativo.

Peculiaridades na orientação aos pais: abordagem em meninos e meninas

Meninos

Os pais deverão certificar-se que o menino esteja vestindo calças ou “shorts” com uma cintura elástica que é fácil de puxar para baixo quando for urinar ou evacuar.

No início do processo adotar a posição sentada, tanto para urinar como para evacuar, com o intuito de evitar um fator de confusão.

Gradualmente, durante o processo de TE, poderá urinar em pé, como o pai. É necessário ensinar direcionar a pênis corretamente. O penico é uma ótima ferramenta para ajudar o menino a aprender a direcionar corretamente o pênis para urinar.

Meninas

Orientar as meninas a limpar a região genital iniciando da parte de frente para trás, evitando assim a contaminação da vagina com as fezes. Ensinar também a levantar a saia ou vestido ou baixar o “short” para uso do penico ou vaso sanitário. Duchas vaginais não são aconselháveis.

O processo de treinamento esfincteriano

Aproximadamente 2% a 3% das crianças com desenvolvimento neuropsicomotor adequado e sem doenças crônicas ou neurológicas apresentam problemas durante o processo do TE.

O insucesso do TE é muito frequente quando iniciado na ausência de sinais de prontidão. Se a criança não estiver pronta, as tentativas em concluir o TE não serão eficazes.

Os pais devem ser aconselhados a não se envolver em uma “batalha” com o processo, que prejudica o relacionamento entre pais e filhos, a autoimagem da criança e a aquisição natural do TE.

Outra causa de insucesso ocorre quando o TE é iniciado em apenas um ambiente em que a criança convive; ou quando há falta de homogeneidade na orientação por parte de um dos pais (cada pai orienta de uma forma, ou um permite o uso de fraldas na ausência do outro, ou um é muito exigente e o outro permissivo) ou entre o ambiente casa/escola.

Se uma criança expressar a recusa para o TE, uma pausa de um a três meses é sugerida. Isso permite que a confiança e cooperação sejam restabelecidas entre pais e filhos.

Depois desse intervalo, a maioria das crianças está pronta para reiniciar o treinamento.

Em caso de tentativas repetidas mal sucedidas; crianças com 36 meses ou mais que não apresentam sinais de prontidão; ou 48 meses ou mais sem terem concluído o TE diurno, o pediatra deverá explorar aspectos do relacionamento da criança com os pais, ou mesmo descartar anormalidades físicas e/ou de desenvolvimento neuropsicomotor.

Entre elas podem ser citados: deficiência intelectual, transtornos do espectro autista, transtorno comportamentais, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, espinha bífida oculta ou estigma sacral relacionados com malformação da inervação do trato urinário, bexiga neurogênica, intestino neurogênico, doenças que acometem a medula espinhal e seus ramos para o trato intestinal e urinário, hipotonia, estresse tóxico, abuso sexual, prolapso retal, diarreia crônica etc.

O diagnóstico precoce dessas condições pode evitar consequências psicológicas, emocionais e orgânicas nas crianças. Muitas crianças se escondem enquanto evacuam em suas fraldas durante o processo do TE. Isso pode ocorrer porque preferem defecar sozinhas, têm medo do vaso sanitário ou não gostam do banheiro.

Nas crianças constipadas, o tratamento da constipação resolve a situação. Cerca de 20% das crianças recusam a ser treinadas para a eliminação das fezes durante o processo do TE.

Essa recusa poderá estar associada à retenção fecal, atraso na conclusão do TE e incontinência fecal. É importante que os pais sejam aconselhados a não usar termos pejorativos para as fezes ou para o ato de evacuar, bem como sinais de que possam sugerir nojo relacionado ao ato (como, por exemplo, fralda suja ou com cheiro ruim).

Os problemas mais comuns durante o processo do TE são:

  1. Recusa para treinamento de eliminação das fezes

Diagnosticada quando uma criança treinada para urinar no penico ou vaso sanitário se recusa a evacuar nesses locais por, no mínimo, um mês. Dois comportamentos associados à recusa do treinamento para eliminação de fezes podem exigir a intervenção do pediatra:

  • Retenção de fezes causando constipação intestinal que pode resultar em impactação de fezes no reto e incontinência fecal.
  • Falha na aquisição de treinamento esfincteriano para eliminação de fezes aos 42 meses de idade.
  1. Retenção de fezes

Ocorre quando a criança usa manobras físicas na tentativa de evitar a evacuação. A constrição voluntária do esfíncter durante a contração vesical ou do reto pode levar à constipação intestinal. Os principais sinais de a criança estar constipada são dor à defecação, esforço excessivo no ato ou defecar menos de 4 vezes por semana. As intervenções mais comuns para retenção de fezes incluem tratamento agressivo de constipação e retomada do uso de fraldas.

  1. Esconder-se para eliminar fezes

Algumas crianças que concluíram o treinamento esfincteriano vesical pedem fraldas ou se escondem durante a evacuação ao invés de usar o penico ou vaso sanitário. O início desse comportamento é mais comum em torno dos 22 meses de idade. Geralmente associa-se à retenção de fezes e a desenvolverem constipação intestinal. Há melhora com o tratamento agressivo da “constipação”.

  1. Necessidade do uso de fraldas após completar o TE

Em geral é um sinal de disfunção vésico- -intestinal ou está associada a algum evento estressante na vida da criança. Necessitará de uma investigação mais aprofundada. O prolongamento do TE ou a presença de infeção urinária chama a atenção de que pode estar havendo uma disfunção vesical.

Passos para o sucesso do treinamento esfincteriano:

  1. Procurar por sinais de prontidão.
  2. Falar sobre o banheiro com a criança.
  3. Escolher o penico ou o vaso sanitário com redutor de assento e apoio dos pés adequados a criança.
  4. Escolher o momento certo.
  5. Demonstrar o método.
  6. Realizar o reforço positivo.
  7. Lidar com naturalidade e paciência.
  8. Ensinar a higiene adequada.

Conclusão

O processo de TE mudou significativamente ao longo dos anos e em diferentes culturas. Na cultura ocidental, recomenda-se uma abordagem centrada na criança, na qual as etapas são individualizadas o máximo possível.

Em geral, os pediatras somente são procurados para o aconselhamento sobre o TE quando há problemas no processo. Uma atitude proativa do pediatra com o aconselhamento antecipatório, abordando as percepções e equívocos familiares e auxiliando os pais a desenvolver expectativas razoáveis ajuda para que essa fase do desenvolvimento da criança ocorra da maneira mais tranquila possível.

O ideal é que ocorra uma avaliação sobre as habilidades de prontidão nas crianças aos 24 meses.

Os componentes necessários incluem avaliar os sinais de prontidão da criança, a dinâmica familiar, fornecer educação e apoio e desenvolver metas de curto e longo prazo para acompanhamento.

Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento – Presidente: Liubiana Arantes de Araújo.

Departamento de Urologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Urologia – Coordenador: Atila Victal Rondon.

Autores: Flavia Cristina de Carvalho Mrad, Mônica Maria de Almeida Vasconcellos, José de Bessa Junior, Atila Victal Rondon, Liubiana Arantes de Araújo, Ubirajara Barroso Junior, José Murillo de Basttos Netto, setembro de 2019.

Novo Coronavírus: perguntas e respostas para profissionais da saúde e para o público em geral

INFORME DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA

O que são coronavírus?

Os coronavírus (CoV) compõem uma grande família de vírus, conhecidos desde meados da década de 1960, que receberam esse nome devido às espículas na sua superfície, que lembram uma coroa (do inglês crown). Podem causar desde um resfriado comum até síndromes respiratórias graves, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS, do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome) e a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS, do inglês Middle East Respiratory Syndrome). Os vírus foram denominados SARS-CoV e MERS-CoV, respectivamente.

O que é este novo coronavírus?

Trata-se de uma nova variante do coronavírus, denominada 2019-nCoV, até então não identificada em humanos. Até o aparecimento do 2019-nCoV, existiam apenas seis cepas conhecidas capazes de infectar humanos, incluindo o SARS-CoV e MERS-CoV.

Recomendamos evitar os termos “nova gripe causada pelo coronavírus” porque gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza.

Como este novo coronavírus foi identificado?

O novo coronavírus foi identificado em investigação epidemiológica e laboratorial, após a notificação de casos de pneumonia de causa desconhecida entre dezembro/2019 e janeiro/2020, diagnosticados inicialmente na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei. Centenas de casos já foram detectados na China. Outros casos importados foram registrados na Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Cingapura, Arábia Saudita e Estados Unidos da América; todos estiveram em Wuhan.

Qual a origem do surto atual?

A origem ainda não está elucidada. Acredita-se que a fonte primária do vírus seja em um mercado de frutos do mar e animais vivos em Wuhan.

Os coronavírus podem ser transmitidos de animais para humanos?

Sim. Investigações detalhadas descobriram que o SARS-CoV foi transmitido de civetas (gatos selvagens) para humanos na China, em 2002, e o MERS-CoV de dromedários para humanos na Arábia Saudita, em 2012.

Porém, existem vários coronavírus que causam infecção animal. Na maioria, infectam apenas uma espécie ou algumas espécies intimamente relacionadas, como morcegos, aves, porcos, macacos, gatos, cães e roedores, entre outros.

 A transmissão do coronavírus acontece entre humanos?

Sim. Alguns coronavírus são capazes de infectar humanos e podem ser transmitidos de pessoa a pessoa pelo ar (secreções aéreas do paciente infectado) ou por contato pessoal com secreções contaminadas.

Porém, outros coronavírus não são transmitidos para humanos, sem que haja uma mutação. Na maior parte dos casos, a transmissão é limitada e se dá por contato próximo, ou seja, qualquer pessoa que cuidou do paciente, incluindo profissionais de saúde ou membro da família; que tenha tido contato físico com o paciente; tenha permanecido no mesmo local que o paciente doente.

Há transmissão sustentada do novo coronavírus?

Até agora, não há evidências. Está limitada a grupos familiares e profissionais de saúde que cuidaram de pacientes infectados. Também não há evidências de transmissão de pessoa a pessoa fora da China, mas isso não significa que não aconteça.

Qual é o período de incubação desta nova variante do coronavírus?

Ainda não há uma informação exata. Presume-se que o tempo de exposição ao vírus e o início dos sintomas seja de até duas semanas.

Quais são os sintomas de uma pessoa infectada por um coronavírus?

Pode variar desde casos assintomáticos, casos de infecções de vias aéreas superiores semelhante ao resfriado, até casos graves com pneumonia e insuficiência respiratória aguda, com dificuldade respiratória.

Crianças de pouca idade, idosos e pacientes com baixa imunidade podem apresentar manifestações mais graves. No caso do 2019-nCov, ainda não há relato de infecção sintomática em crianças ou adolescentes.

Como ocorre o contágio e qual é a gravidade do novo coronavírus?

Não se sabe até o momento. Alguns vírus de transmissão aérea são altamente contagiosos, como o sarampo, enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o 2019-nCoV é transmitido de pessoa para pessoa. Até que tenhamos esta informação mais acurada, recomenda-se que as precauções e isolamentos sejam adotados. Quanto à gravidade, devemos acompanhar a evolução da epidemia. Pelos dados iniciais publicados, a estimativa inicial é de que a letalidade seja em torno de 3% (26 mortes em 912 casos), inferior à do SARS-CoV e do MERS-CoV.

Como é feita a confirmação do diagnóstico do novo coronavírus?

Exames laboratoriais realizados por biologia molecular identificam o material genético do vírus em secreções respiratórias.

Existe um tratamento para o novo coronavírus?

Não há um medicamento específico. Indica-se repouso e ingestão de líquidos, além de medidas para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. Nos casos de maior gravidade com pneumonia e insuficiência respiratória, suplemento de oxigênio e mesmo ventilação mecânica podem ser necessários.

Como reduzir o risco de infecção pelo novo coronavírus?

  • Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar;
  • Usar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar nas mucosas dos olhos;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Existe uma vacina para o novo coronavírus?

Como a doença é nova, não há vacina até o momento.

Tomei a vacina contra a gripe. Estou protegido contra o novo coronavírus?

Não. A vacina da gripe protege somente contra o vírus influenza.

 Estão contraindicadas as viagens para a China e para os países com casos importados?

Com base nas informações atualmente disponíveis, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda restrição de viagens ou comércio. Devemos acompanhar as recomendações, que são dinâmicas e podem mudar de um dia para outro.

Temos casos do novo coronavírus no Brasil?

Até o presente momento, não há casos suspeitos ou confirmados no país.

Qual é a definição de caso suspeito?

Febre acompanhada de sintomas respiratórios, além de atender a uma das duas seguintes situações: ter viajado nos últimos 14 dias antes do início dos sintomas para área de transmissão local (cidade de Wuhan) ou ter tido contato próximo com um caso suspeito ou confirmado.

Febre pode não estar presente em casos de alguns pacientes, como idosos, imunocomprometidos ou que tenham utilizado antitérmicos.

Qual é a orientação diante da detecção de um caso suspeito?

Os casos suspeitos devem ser mantidos em isolamento enquanto houver sinais e sintomas clínicos.

O paciente deve utilizar máscara cirúrgica a partir do momento da suspeita e ser mantido preferencialmente em quarto privativo.

Os  profissionais da saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias, como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizada precaução por aerossóis, com uso de máscara profissional PFF2 (N95). Estas são as recomendações atuais do Ministério da Saúde.

Há risco de epidemia global?

Sim, mas não há motivo para pânico neste momento. O Comitê de Emergência da OMS declarou que é cedo para declarar a situação como emergência em saúde pública de interesse internacional neste momento, devido ao número limitado e localizado de casos e pelas medidas que já estão sendo tomadas para que o surto não se espalhe.

FONTES: Ministério da Saúde do Brasil / Organização Mundial da Saúde (OMS) / Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

*Documento elaborado pelos médicos infectologistas: Dr. Leonardo Weissmann, Dra. Tânia do Socorro Souza Chaves, Dr. Clóvis Arns da Cunha e Dr. Alberto Chebabo, em 24/01/2020.

Dermatite de fraldas (assadura) e lenços umedecidos

Adaptado do original da Dra. Kerstin Taniguchi Abagge, da Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/flipping-book/consenso-cuidados-pele/cuidados-com-a-pele/assets/basic-html/page34.html

Definição

É uma reação inflamatória aguda e uma das formas mais comuns de dermatite de contato por substâncias irritantes.

O termo dermatite de fraldas é melhor definido como um complexo variável de sintomas iniciados por uma combinação de fatores, dentre os quais o contato prolongado e a maceração causados por fraldas úmidas e materiais impermeáveis, além da irritação pela urina e fezes.

Estrato córneo e epiderme

A epiderme da pele do feto é uma barreira imperfeita, pois possui duas ou três camadas de células.  Por volta da 24ª semana de gestação, a epiderme começa a se tornar mais espessa.

A ceratinização de toda a superfície cutânea ocorre também nesta etapa da gestação, com o desenvolvimento de um estrato córneo escasso.

A partir da 34ª semana, o estrato córneo estará totalmente definido. A pele do recém-nascido a termo é similar à do adulto.

Os lipídios da camada córnea são compostos por gorduras ácidas monossaturadas ou insaturadas. Essa gordura é hidrofílica e melhora a permeabilidade da barreira cutânea. O colesterol, os ácidos graxos livres e as ceramidas estão presentes nas mesmas proporções

Classificação

A dermatite de fraldas pode ser classificada clinicamente em:

1) Forma leve ou por fricção: eritema, descamação, aspecto brilhante da pele e, eventualmente, pápulas. As lesões estão tipicamente localizadas nas regiões convexas cobertas pelas fraldas, poupando as dobras.

2) Forma moderada: lesões papuloerosivas ou maceradas que se tornam violáceas e liquenificadas.

3) Forma grave ou ulcerativa: conhecida como dermatite amoniacal é a forma mais grave de dermatite de fraldas. Vista mais comumente em crianças abaixo de dois anos, geralmente inicia-se entre o primeiro e o segundo mês de vida e, se não devidamente controlada, pode recorrer até que a criança não use mais fraldas.

Caracteriza-se por pápulas com ulcerações apicais que variam de profundidade e são denominadas úlceras de Jacquet, localizadas nas regiões convexas da área das fraldas, dispostas em W, face interna das coxas, glúteos e glande ou vulva.

Etiopatogenia

Papel das fezes: as enzimas pancreáticas (proteases e lipases) e as resultantes da ação bacteriana no intestino grosso (urease fecal) atuam aumentando a permeabilidade da pele, favorecendo a penetração de substâncias irritantes.

Papel da urina: tem função recíproca com as fezes sobre a pele úmida. A urina recente não lesa a pele, mas a que permanece em contato com a pele por mais de 18 horas pode danificá-la.

A hiperhidratação aliada ao atrito pelas fraldas são os fatores mais importantes na gênese da dermatite de fraldas. A urease fecal atua na ureia urinária transformando-a em amônia, o que aumenta o pH local com alcalinização do meio.

Exam findings: Erythema. Erosion. Spares skin folds. Severe cases may show ulcerated papules and islands of re-epithelization.

Assim, a ação da amônia é indireta pela interação da urina com as fezes pois, com o aumento do pH, as proteases e lipases tornam-se mais ativas e lesam ainda mais a pele já tumefata e danificada.

A amônia também é responsável pelo odor amoniacal percebido principalmente na primeira troca da manhã.

Papel das fraldas: as fraldas úmidas promovem aumento da hidratação, alterando as propriedades de barreira da pele, tornando-a suscetível a danos mecânicos, irritantes químicos e enzimáticos.

As fraldas de pano condicionam maior umidade do que as descartáveis, porém estas últimas são envolvidas por material impermeável, o que aumenta a oclusão e diminui a evaporação da água da pele

Papel da dieta: o pH exerce efeitos sobre a regulação da atividade das enzimas fecais.

O leite materno tem papel protetor, pois o predomínio no intestino dos bacilos bífidos determina um pH mais ácido nas fezes. Enquanto que nas crianças amamentadas com os derivados do leite de vaca, a intensa colonização do intestino grosso por enterobactérias e bacteroides determina pH alcalino, que eleva os níveis de urease fecal.

Papel dos microorganismos: a influência de agentes como a Cândida e as bactérias na gênese da dermatite de fraldas é discutível.

A Candida invade a pele sã pela ação das queratinases e ativa a via alternativa do complemento, contribuindo para a inflamação.

Todos esses fatores associados podem levar à alteração da função de barreira da pele, facilitando a penetração de irritantes e proliferação de microrganismos que irão determinar a inflamação característica da dermatite de fraldas.

O melhor tratamento é a prevenção.

Isso envolve uma higiene adequada, trocas de fraldas frequentes de forma a reduzir a exposição da pele à urina e às fezes sob oclusão.

A exposição da pele do períneo ao ar pelo maior tempo possível, a fim de reduzir o contato direto da pele com o tecido úmido e a fricção.

A higiene da área das fraldas tem sido alvo de muita controvérsia. Enquanto alguns pediatras e textos médicos orientam que a higiene seja realizada apenas com água e algodão, a disponibilidade de inúmeros produtos para a limpeza dessa região torna a escolha difícil e abre espaço para a discussão de sua aplicabilidade, tolerância e possível alergenicidade.

É sabido que a pele da criança possui diferenças em sua espessura, pH, perda transepidérmica de água e função de barreira e que esses fatores têm papel importante na escolha dos produtos a serem utilizados.

O pH da pele é ácido e a maioria dos sabonetes são o resultado de uma reação química (saponificação) entre um ácido graxo e uma base alcalina. Muitos sabonetes possuem um pH alcalino que pode ser lesivo para a pele.

A limpeza com água e algodão, é eficaz e inócua?

A limpeza com água e algodão é a forma mais utilizada na higiene da área das fraldas. Entretanto, a natureza polar da água limita sua habilidade em remover as substâncias lipofílicas da pele e a água é incapaz de tamponar o pH. Assim, a água pode ter um impacto negativo na fisiologia da pele e há autores que discordam da vantagem que ela poderia ter sobre outros modos de limpeza.

O que são os lenços umedecidos?

Os lenços umedecidos modernos consistem de um “não-tecido” embebido em uma loção oleosa ou aquosa. As loções água/óleo geralmente são enriquecidas com emolientes, surfactantes e podem conter diferentes aditivos e fragrâncias.

Como eles possuem base aquosa, um preservativo é utilizado para que não haja contaminação bacteriana e fúngica. Vários produtos foram desenvolvidos para uso específico na pele sensível, inclusive com alguns trabalhos realizados em crianças portadoras de dermatite atópica, demonstrando sua tolerabilidade nas peles sensíveis.

Já foi constatado que o uso destes produtos não altera significativamente a flora bacteriana periuretral, quando comparados à limpeza habitual com água e algodão.

Um estudo comparativo entre a limpeza com água e o uso de lenços umedecidos em recém-nascidos demonstrou que a perda transepidérmica de água nos dois grupos foi fisiológica, embora menor no grupo que utilizou os lenços.

Em outro estudo com 280 bebês, os autores concluem que o uso de lenços especificamente formulados possui um efeito equivalente na hidratação quando comparado ao método clássico de limpeza com algodão e água.

O uso de lenços umedecidos já foi relacionado a processos irritativos e alérgicos, tanto em crianças como em adultos, mas o avanço na compreensão da fisiologia, microbiologia e imunologia da área das fraldas tem sido importante para o desenvolvimento de produtos cada vez mais adequados para a utilização na faixa etária pediátrica.

A relação entre dermatite de contato e preservativos está bem estabelecida. Devido às suas propriedades antimicrobianas, esses agentes são frequentemente encontrados em cremes, loções, produtos cosméticos e agentes limpadores.

Essas substâncias também podem ser encontradas nos lenços umedecidos resultando em reações nos locais de utilização. As reações alérgicas a estes produtos tem sido mais descritas em adultos do que em crianças e isso pode ser resultado de um sistema imunológico ainda imaturo, da falta de exposição ambiental aos antígenos envolvidos ou ainda ser clinicamente não detectada ou confundida com as dermatites irritativas da área das fraldas.

Há, ainda, relatos de dermatite de contato às fragrâncias utilizadas em alguns lenços umedecidos e reações sistematizadas urticariformes em crianças alérgicas ao leite de vaca após a utilização de lenços umedecidos contendo proteínas lácteas.

O que são syndets?

O termo “syndet” deriva da combinação entre “sintético” e “detergente”.

Tecnicamente, esses detergentes possuem afinidade pelo óleo e “englobam” a sujeira que é, então, removida pela água. Os detergentes usados nestes géis ou barras de limpeza são surfactantes.

Outras substâncias encontradas nos syndets são emulsificantes, umectantes e preservativos. Esses produtos podem ser utilizados como substitutos do sabonete pois promovem uma limpeza mais suave, com menor risco de alteração do pH e da função de barreira. Entretanto, devido ao poder irritante destes surfactantes aniônicos, estes produtos podem ser lesivos para peles muito sensíveis.

Resumindo, a limpeza da área das fraldas pode ser feita com água e algodão (e esta é a orientação de grande parte dos pediatras); com lenços umedecidos, principalmente os que utilizam tecnologia moderna com menos produtos químicos e preferencialmente os sem perfume ou ainda com Syndets.

Após a limpeza, a área deve ser secada suavemente, sem esfregar.

A aplicação dos cremes de barreira (geralmente à base de óxido de zinco) determina a formação de uma película protetora que impedirá a ação das enzimas sobre a pele e limitará a fricção.

Assim, na rotina, os cremes de barreira devem ser utilizados de forma a prevenir a dermatite de fraldas e não apenas quando já houver sinais de irritação local.

Já os cremes contendo medicamentos como nistatina, corticosteroides e anti-bacterianos só devem ser usados se necessário, com orientação médica e quando houver evidência de infecção ou inflamação, preferencialmente evitando-se os produtos com associações.

A associação de medicamentos facilita a ocorrência de dermatite de contato e a aplicação várias vezes ao dia pode trazer complicações, inclusive Cushing, principalmente porque os corticosteroides presentes nestes produtos são de alta potência e utilizados em área sob oclusão, o que aumenta mais ainda a sua absorção.

Tratamento

O manejo da dermatite de fraldas é direcionado à manutenção da área limpa e seca e à limitação da irritação e maceração.

Orientação da higiene da área das fraldas, com água morna nas trocas associada a um limpador suave (syndet) com enxágue abundante na presença de fezes ou lenço umedecido próprio para recém-nascidos sem perfume e sem álcool. Evitar a fricção no momento da limpeza.

  • Troca frequente das fraldas, de 5 a 6 vezes ao dia e sempre que necessário.
  • É importante que as medicações tópicas utilizadas não sejam cáusticas e tenham mínima possibilidade de provocar dermatite de contato.
  • Os cremes de barreira, como aqueles à base óxido de zinco devem ser utilizados em todas as trocas de fraldas, evitando-se a retirada excessiva da pomada pois isso pode levar à maior lesão da pele e à remoção da camada de reepitelização em formação.

  • Alguns estudos têm preconizado o uso de óleos de sementes, que além de se constituírem em camada protetora, aceleram a reepitelização. Esses produtos formam um filme lipídico sobre a superfície da pele que a protege e sob o qual a pele se recompõe e é protegida contra a ação os irritantes.
  • A completa remoção do creme de barreira a cada troca não é necessária pois pode provocar maior dano à pele e esta deve ser limpa sem esfregar, mas com batidas suaves.
  • O avanço na tecnologia de fabricação das fraldas com utilização do gel absorvente, que permite uma maior absorção da urina, e do formato anatômico, que reduz a hiperhidratação da pele pela menor oclusão, determina uma menor incidência da dermatite de fraldas.

  • Lactobacilos acidófilos ou probióticos podem ser úteis na tentativa de restabelecer o pH ácido das fezes e normalizar a flora intestinal, principalmente em casos de diarreia.
  • Medicamentos antifúngicos e antibióticos só devem ser utilizados se infecção confirmada clínica ou laboratorialmente.
  • Quando o processo inflamatório é importante, pode estar indicado o uso de corticoides tópicos de baixa potência, por um período curto de tempo, uma vez que a absorção do medicamento é bastante aumentada pela oclusão e hidratação proporcionadas pela fralda.
  • Os produtos com associações de medicamentos (corticoides, antifúngicos e antibióticos) NÃO DEVEM SER aplicados na área das fraldas.

  • Os corticoides existentes nessas associações geralmente são de alta potência e, sob oclusão, podem ter sua absorção aumentada em até 10 vezes.
  • Os antibióticos e antifúngicos podem causar dermatites de contato e a repetição da aplicação desse tipo de medicação a cada troca de fralda pode aumentar a incidência de efeitos colaterais e absorção dessas substâncias.
  • Como a desidratação da área das fraldas é rápida, ou seja, 5 minutos após a retirada das mesmas o grau de hidratação da pele já atinge os valores normais, deve-se aguardar algum tempo antes da colocação da fralda seca a fim de diminuir a hiperhidratação acumulativa entre as trocas.

Finalmente, vale a leitura do Documento do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia:

Dermatite da área das fraldas

 

O pediatra e os cuidados odontológicos na 1ª infância

O Ministério da Saúde observou que aos cinco anos de idade uma criança brasileira possui, em média, 2,43 dentes com experiência de cárie.1

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Crianças são afetadas pela doença no mundo todo, mas sua manifestação ocorre de forma desigual na população: geralmente as pessoas socialmente menos favorecidas são acometidas com maior severidade e têm menos acesso a tratamento.  Continue lendo O pediatra e os cuidados odontológicos na 1ª infância

Conjuntivite neonatal: causas e tratamento

A conjuntivite (oftalmia) neonatal é definida como inflamação conjuntival no primeiro mês de vida e deve ser avaliada pela oftalmologia.

Cursa com graus variáveis de hiperemia (vermelhidão) conjuntival, secreção ocular e edema (inchaço) palpebral.

O diagnóstico diferencial inclui conjuntivite química, conjuntivite adquirida no canal de parto, conjuntivite bacteriana aguda e obstrução congênita de vias lacrimais:  Continue lendo Conjuntivite neonatal: causas e tratamento

Tuberculose

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa, transmissível e  curável, que afeta prioritariamente os pulmões.

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Anualmente são notificados cerca de 6 milhões de novos casos em todo o mundo, levando mais de um milhão de pessoas a óbito.

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O surgimento da aids e o aparecimento de focos de tuberculose resistente aos medicamentos agravam ainda mais esse cenário.

TB no Brasil

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No Brasil, a tuberculose é um grave problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença. O país está entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo.

Nos últimos 17 anos, a tuberculose apresentou queda de 38,7% na taxa de incidência e 33,6% na taxa de mortalidade.

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Descrição

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A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e sistemas.

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A apresentação pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é a principal responsável pela transmissão da doença.

Agente etiológico (causador)

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A tuberculose pode ser causada por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae.

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Entretanto, do ponto de vista sanitário, a espécie mais importante é a M. tuberculosis.

Reservatório

O principal reservatório da tuberculose é o ser humano. Outros possíveis reservatórios são gado bovino, primatas, aves e outros mamíferos.

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No Brasil, não existem estimativas sobre a proporção de pacientes com tuberculose causada pelo M. bovis. No entanto, é importante que o sistema de saúde esteja atento à possibilidade de ocorrência desse evento.

Modo de transmissão

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A tuberculose é uma doença de transmissão aérea, ou seja, que ocorre a partir da inalação de aerossóis.

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Ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, as pessoas com tuberculose ativa lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos, sendo denominadas de, bacilíferas.

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As formas bacilíferas são, em geral, a tuberculose pulmonar e a laríngea.

Calcula-se que, durante um ano, numa comunidade, um indivíduo que tenha baciloscopia positiva pode infectar, em média, de 10 a 15 pessoas.

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Bacilos que se depositam em roupas, lençóis, copos e outros objetos dificilmente se dispersam em aerossóis e, por isso, não desempenham papel importante na transmissão da doença.

Período de incubação

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Embora, o risco de adoecimento seja maior nos primeiros dois anos após a primeira infecção, uma vez infectada a pessoa pode adoecer em qualquer momento de sua vida.

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Período de transmissibilidade

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A transmissão da tuberculose é plena enquanto o indivíduo estiver eliminando bacilos.

Com o início do esquema terapêutico adequado, a transmissão tende a diminuir gradativamente e, em geral, após 15 dias de tratamento chega a níveis insignificantes.

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No entanto, o ideal é que as medidas de controle de infecção pelo M. tuberculosis sejam implantadas até haja a negativação da baciloscopia.

Crianças com tuberculose pulmonar geralmente são negativas à baciloscopia.

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Sinais e sintomas

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A apresentação da tuberculose na forma pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é essa forma, especialmente a positiva à baciloscopia, a principal responsável pela transmissão da doença que se dá por via aérea.

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No entanto, não raramente, a tuberculose pode manifestar-se sob diferentes apresentações clínicas, que podem estar relacionadas com idade, imunodepressão e órgão acometido. Assim, outros sinais e sintomas, além da tosse, devem ser valorizados.

Adolescentes e adultos jovens

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Na tuberculose pulmonar, em adolescentes e adultos jovens, o principal sintoma é a tosse (seca ou produtiva, com expectoração purulenta ou mucoide, com ou sem sangue). Por isso, recomenda-se que todo sintomático respiratório (pessoa com tosse por três semanas ou mais) seja investigado para a tuberculose.

Considerando que há maior risco de adoecimento por tuberculose entre as populações mais vulneráveis, para esses grupos o PNCT recomenda investigar a tuberculose utilizando pontos de corte diferenciados quanto à tosse, conforme o quadro abaixo:

Populações vulneráveis

Tempo de tosse

Indígenas  

Duas semanas ou mais

 

Pessoas privadas de liberdade
Pessoas que vivem com o HIV/aids
Pessoas em situação de rua Independentemente do tempo de sintoma

Há outros sinais e sintomas que podem estar presentes, tais como: febre vespertina (no final da tarde), sudorese noturna (suor durante a noite), anorexia e emagrecimento.

TB em crianças

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Em crianças menores de 10 anos as manifestações clínicas podem variar bastante.

O achado clínico que chama a atenção na maioria dos casos é a febre, habitualmente moderada, persistente por 15 dias ou mais e frequentemente vespertina. São comuns irritabilidade, tosse, inapetência, perda de peso e sudorese noturna.

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Muitas vezes, a suspeita de tuberculose em crianças surge com diagnóstico de pneumonia sem melhora com o uso de antimicrobianos para germes comuns.

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Quando a tuberculose é extrapulmonar, os sinais e sintomas dependem dos órgãos e/ou sistemas acometidos.

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A forma extrapulmonar ocorre mais comumente em pessoas que vivem com o HIV/aids, especialmente entre aquelas com grave comprometimento imunológico.

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Exames diagnósticos

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Para o diagnóstico da tuberculose são utilizados, principalmente, os seguintes exames: exame microscópico direto (baciloscopia direta), cultura para micobactéria com identificação de espécie, teste de sensibilidade antimicrobiana, teste rápido para tuberculose (TR-TB) e radiografia de tórax.

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Além desses exames, recomenda-se que o teste anti-HIV seja oferecido a todas as pessoas com tuberculose.

O Quadro 1 apresenta o sistema de pontuação para diagnóstico de TB pulmonar na infância.

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Prova tuberculínica

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Para as pessoas com maior risco de adoecimento por tuberculose, como os contatos de pessoas infectadas por tuberculose e pessoas vivendo com o HIV/aids, recomenda-se investigar a infecção latente da tuberculose por meio da prova tuberculínica para tratar, quando indicado, a infecção latente antes que a pessoa adoeça.

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Vídeo sobre aplicação e leitura da prova tuberculínica

Baciloscopia direta

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A pesquisa do bacilo álcool-ácido-resistente (baciloscopia) é, atualmente, a técnica mais utilizada no Brasil, não apenas para o diagnóstico, mas também para o controle do tratamento.

Desde que executada corretamente em todas as suas fases, permite detectar de 60% a 80% dos casos, com resultado em até 48 horas. Em 2012, dos 59.423 casos de tuberculose pulmonar registrados no País, 86,5% realizaram baciloscopia no momento do diagnóstico, desses 37.800 (73,5%) tiveram o resultado positivo.

Cultura para micobactéria com identificação de espécie

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A cultura, o método “padrão ouro” para o diagnóstico da tuberculose, quando associada ao teste de sensibilidade antimicrobiana, permite o diagnóstico da tuberculose resistente.

Além disso, nos casos pulmonares com baciloscopia negativa, a cultura de escarro pode aumentar em até 30% o diagnóstico bacteriológico da doença.

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O PNCT recomenda a realização de cultura com teste de sensibilidade principalmente para populações consideradas de maior risco de albergarem bacilo resistente, como: pacientes com tratamento prévio; pessoas que vivem com HIV/aids, contatos sintomáticos de pessoas com tuberculose resistente e populações consideradas especiais para o programa.

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Nos últimos anos houve o aumento na realização de cultura entre as pessoas em retratamento, no Brasil. Em 2001, 12,5% dessas pessoas realizaram exame de cultura, e em 2011 o percentual subiu para 36,5%.

Teste rápido para tuberculose

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O Ministério da Saúde implantará na rede pública de saúde, a partir do segundo semestre de 2013, o teste rápido para diagnóstico – tecnologia inovadora para o controle da doença que deverá se tornar a principal ferramenta para o diagnóstico de casos novos de tuberculose pulmonar.

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O teste rápido para o diagnóstico da tuberculose utiliza técnicas de biologia molecular (PCR em tempo real) para identificar o DNA do Mycobacterium tuberculosis, permitindo seu diagnóstico em apenas duas horas.

A proposta do Ministério é substituir a baciloscopia diagnóstica pelo teste rápido, e assim aumentar o número de pessoas identificadas e de diagnóstico precoce, proporcionando a quebra da cadeia de transmissão e o controle da doença.

Vale salientar que as baciloscopias de acompanhamento (mensais) continuam sendo fundamentais na manutenção do tratamento de tuberculose.

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O novo teste também indica, com alta sensibilidade e especificidade, a resistência à rifampicina, um dos principais medicamentos usados no tratamento básico da doença.

A possibilidade de dispor amplamente de um teste diagnóstico de fácil realização, muito eficiente, com resultado rápido, e que indica a possibilidade de resistência à rifampicina, poderá revolucionar as ações de controle da tuberculose no Brasil.

Teste anti-HIV

Considerando a magnitude e as sérias implicações da coinfecção TB/HIV, recomenda-se que o teste anti-HIV seja oferecido o mais cedo possível a todo indivíduo com diagnóstico estabelecido de tuberculose, independentemente da confirmação bacteriológica.

O profissional de saúde deve abordar com o paciente a possibilidade de associação das duas infecções e os benefícios do diagnóstico e tratamento precoces da infecção pelo HIV, por meio do aconselhamento pré-teste.

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O teste anti-HIV deve ser realizado com o consentimento do paciente, observando-se o sigilo e confidencialidade do teste, utilizando-se, preferencialmente, algoritmo diagnóstico com testes rápidos para o HIV. Independentemente do resultado da testagem, o aconselhamento pós-teste deve ser realizado.

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Exame positivo

Caso o exame seja positivo, a pessoa deve ser encaminhada a um serviço de atenção especializada a pessoas vivendo com o HIV/aids (SAE) mais próximo de sua residência para dar continuidade ao tratamento da tuberculose e iniciar tratamento de HIV/aids, conforme indicado.

Radiografia de tórax

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A radiografia de tórax é método diagnóstico de grande importância na investigação da tuberculose e deve ser solicitada para todo paciente com tiver suspeita clínica de tuberculose pulmonar.

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Ela tem como funções principais excluir outra doença pulmonar associada, que necessite de tratamento concomitante, avaliar a extensão do acometimento e a evolução radiológica dos pacientes, sobretudo naqueles que não respondem ao tratamento contra a tuberculose.

Diagnóstico da ILTB com prova tuberculínica

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É particularmente importante na avaliação de contatos assintomáticos de pessoas com tuberculose e em pessoas vivendo com o HIV/aids, uma vez que é utilizada, em adultos e crianças, no diagnóstico de infecção latente pelo M. tuberculosis (ILTB).

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Na criança também é muito importante como método coadjuvante para o diagnóstico da TB.

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PERGUNTAS E RESPOSTAS (Ministério da Saúde)

O que é tuberculose?

Doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).

Qual a causa?

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Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch (BK). Outras espécies de micobactérias também podem causar a tuberculose. São elas: Mycobacterium bovis, africanum e microti.

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Quais os sintomas?

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Alguns pacientes não exibem nenhum indício da doença, outros apresentam sintomas aparentemente simples que são ignorados durante alguns anos (ou meses).

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Contudo, na maioria das pessoas infectadas, os sinais e sintomas mais frequentemente descritos são tosse seca contínua no início dos sintomas, depois com presença de secreção por mais de quatro semanas, transformando-se, na maioria das vezes, em uma tosse com pus ou sangue; cansaço excessivo; febre baixa geralmente à tarde; sudorese noturna; falta de apetite; palidez; emagrecimento acentuado; rouquidão; fraqueza e prostração.

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Casos graves

Os casos graves apresentam dificuldade na respiração; eliminação de grande quantidade de sangue, colapso do pulmão e acúmulo de pus na pleura (membrana que reveste o pulmão) – se houver comprometimento dessa membrana, pode ocorrer dor torácica.

Como se transmite?

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A transmissão é direta, de pessoa a pessoa.

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O doente expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o.

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Somente 5% a 10% dos infectados pelo bacilo de Koch adquirem a doença.

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Pessoas vivendo com HIV/aids, diabetes, insuficiência renal crônica, desnutridas, idosos doentes, usuários de álcool e outras drogas e tabagistas são mais propensos a contrair a tuberculose.

Como tratar?

O tratamento deve ser feito por um período mínimo de seis meses, sem interrupção, diariamente.

São utilizados quatro fármacos para o tratamento dos casos que utilizam o esquema básico: rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E).

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Todos os pacientes que seguem o tratamento corretamente são curados.

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Como se prevenir?

Para prevenir a doença é necessário imunizar as crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou no máximo até quatro anos, com a vacina BCG. Crianças soropositivas ou recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas de aids não devem receber a vacina.

A prevenção inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar. A tuberculose não se transmite por objetos compartilhados.

Vacinação

Para prevenir a doença é necessário imunizar as crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou no máximo até quatro anos, com a vacina BCG.

Crianças soropositivas ou recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas de aids não devem receber a vacina. A prevenção inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar.

A tuberculose não se transmite por objetos compartilhados.

Histórico da vacina

Em 1908, os cientistas Albert Calmette e Camille Guérin conseguiram isolar uma cepa do bacilo da tuberculose para produzir culturas vivas atenuadas a serem usadas como vacina. A cepa recebeu o nome de bacilo Calmette-Guérin, de onde surgiu o nome “BCG”. Foi aplicada pela primeira vez em crianças em 1921.

 

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/tuberculose

A pele do recém-nascido

A pele é o órgão que protege o organismo contra ações mecânicas, térmicas e químicas, além de agentes agressores infecciosos e tóxicos.

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A comunicação do meio externo com o interno envolvido pela pele é mediada por numerosos receptores sensoriais que se encontram na superfície cutânea.

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Ectoderma

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O sistema nervoso e a epiderme (pele) têm a mesma origem. Desenvolvem-se a partir do ectoderma.

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A vulnerabilidade da pele humana depende do estágio de maturidade em que ela se encontra: no embrião, no recém-nascido prematuro, no recém-nascido a termo, no lactente, na criança maior ou no adolescente.

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Sexta semana de gravidez

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Pesquisas têm evidenciado as mudanças que ocorrem na embriogênese com a formação da pele em torno da 6ª semana de gestação, contribuindo para o esclarecimento de várias doenças genéticas que a acometem.

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Importantes estudos evidenciaram a idade em que a pele infantil é mais vulnerável, especialmente se considerarmos a diferença em relação à sensibilidade da pele, nas suas várias fases evolutivas, em relação à pele do adulto.

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Os sinais cutâneos podem se constituir em um método não-invasivo para o diagnóstico de muitas malformações que acometem o feto: genodermatoses e alterações cutâneas causadas por uso de substâncias tóxicas pelas gestantes.

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Quanto menor a idade gestacional, maior é a imaturidade da barreira cutânea, resultando em maior permeabilidade e maior risco de absorção de substâncias que se tornam tóxicas.

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A idade do paciente é de extrema importância, pois existem doenças de pele com maior incidência em determinados grupos etários.

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A pele do recém-nascido prematuro e a termo, do lactente, do escolar e do adolescente possuem menor ou maior barreira funcional dependendo do grau de maturidade do estrato córneo.

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https://www.sbp.com.br/publicacoes/cientificas/consenso-de-cuidado-com-a-pele-do-recem-nascido/

A pele do bebê: 5 problemas mais comuns

O Departamento de dermatologia do Centro Pediátrico Johns Hopkins, nos Estados Unidos, publicou um alerta para acalmar os pais e evitar que eles saíam de casa durante a madrugada e exponham o bebê a outros riscos.

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Pediatras brasileiros observam o mesmo tipo de comportamento entre os pais daqui.

8c4dd41526f807e7 Mas, na maioria dos casos, dá para esperar para ligar para o pediatra no dia seguinte e os cuidados podem ser feitos em casa com tranquilidade.

Resumidamente, veja como lidar com as doenças de pele mais comuns.

Brotoeja (miliária)

Resultado de imagem para brotoejaNos bebês, as glândulas sudoríparas ainda não estão completamente desenvolvidas.

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Por isso, principalmente nos dias de muito calor, nas áreas de maior transpiração, como o pescoço, as axilas e as dobrinhas do corpo, podem surgir pequenas bolinhas vermelhas ou esbranquiçadas, que podem causar irritação e coceira.

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Como tratar

O melhor a fazer é dar banhos frequentes com água morna durante o dia e vestir roupas de algodão frescas no seu bebê para facilitar a transpiração.

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Dá para prevenir?

A prevenção e o tratamento são iguais. Então, nos dias quentes, antes mesmo que as bolinhas vermelhas apareçam, dê vários banhos e coloque roupas bem fresquinhas.

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Caspa ou dermatite seborreica

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São pequenos flocos brancos e oleosos que surgem no couro cabeludo e outras partes do corpo, como atrás da orelha, por exemplo, nos bebês de até seis meses.

Isso acontece porque nessa fase o bebê ainda acumula alguns hormônios da mãe, como a progesterona, que estimula a produção de oleosidade pelas glândulas sebáceas.

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Aos poucos, enquanto o hormônio é eliminado, elas tendem a diminuir.

Como tratar

Amoleça as crostinhas com água morna durante o banho ou use óleos naturais próprias para a criança. Se não melhorar com o tempo, solicite o parecer do pediatra ou dermatologista.

Dá para prevenir?
Não.

Hemangioma

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São manchas vermelhas com tamanhos variados causadas pela malformação dos vasos da pele.

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Podem ser planas ou formar um pequeno relevo.

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A cor pode ir do rosa-claro ao vinho.

Como tratar
A maioria das manchas é benigna e desaparece durante os primeiros anos. Mas é sempre importante mostrar ao pediatra e, se for necessário, levar o bebê ao dermatologista. Alguns casos exigem tratamento específico com medicamentos tópicos ou por via oral.

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Dá para prevenir?
Não.

Dermatite atópica

Também conhecida como eczema, a dermatite é hereditária. Causa muita coceira e deixa a pele do bebê seca.

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Em alguns casos, ela pode até rachar e sangrar. As áreas mais afetadas são as mãos, os cotovelos e os joelhos.

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Em geral, tende a melhorar até a puberdade. Mas até lá, o bebê  pode apresentar momentos de melhora e piora.

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Como tratar
Assim que perceber o problema, leve o bebê ao pediatra. O tratamento é feito, normalmente, à base de corticoides.

Dá para prevenir?
Não (hereditário).

Assaduras ou dermatite de fralda

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Deixar o bebê muito tempo com a fralda suja, higienização inadequada ou quando ele tem uma urina muito ácida provocam aquela vermelhidão entre as dobras da região da genitália e ao redor, característica das assaduras.

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Em alguns casos, a pele fica inflamada e causa ardência, irritação e coceira.

 

Como tratar

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Não tem jeito melhor do que manter seu filho sempre limpo. Por isso, evite deixá-lo muito tempo com a fralda suja. Limpe com água e sabão neutro, que retira também o suor da pele.

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Se possível, deixe seu bebê sem fralda por alguns minutos antes de colocar uma nova. E use pomadas anti-assaduras para prevenir e tratar o problema.

Dá para prevenir?

Assim como a brotoeja, a prevenção e o tratamento são iguais.

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http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Cuidados-com-o-recem-nascido/noticia/2013/04/pele-do-bebe-5-problemas-mais-comuns.html


Esporotricose: dermatozoonose importante (animais e humanos)

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Causada pelo fungo Sporothrix schenckii, a esporotricose é uma micose que pode afetar animais e humanos.

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Desde o final da década de 1990, no Estado do Rio de Janeiro, tem sido grande a ocorrência da doença em animais, especialmente em gatos.

Cuide-se e cuide do animal

Há tratamento para a micose e o diagnóstico dos animais já pode ser feito na maioria das clínicas veterinárias. Por isso, não abandone, maltrate ou sacrifique o animal com suspeita da doença.

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Procure o tratamento adequado e se informe sobre os cuidados que deve ter para cuidar de seu animal sem colocar em risco a própria saúde. São essas algumas das orientações dos veterinários que estudam o agravo.

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Na Fiocruz, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) é a unidade que pesquisa a esporotricose. Alguns de seus pesquisadores responderam perguntas selecionadas a partir das questões mais frequentes.

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1. Quais são os principais sinais clínicos e sintomas da esporotricose?

Nos gatos, as manifestações clínicas da esporotricose são variadas.

caso3_04Os sinais mais observados são as lesões ulceradas na pele, ou seja, feridas profundas, geralmente com pus, que não cicatrizam e costumam evoluir rapidamente. A esporotricose está incluída no grupo das micoses subcutâneas.

2. A esporotricose atinge quais animais? Como é o contágio?

Embora a esporotricose já tenha sido relacionada a arranhaduras ou mordeduras de cães, ratos e outros pequenos animais, os gatos são os principais animais afetados e podem transmitir a doença para os seres humanos.

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O fungo causador da esporotricose geralmente habita o solo, palhas, vegetais e também madeiras, podendo ser transmitido por meio de materiais contaminados, como farpas ou espinhos.

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Animais contaminados, em especial os gatos, também transmitem a doença, por meio de arranhões, mordidas e contato direto da pele lesionada.

3. A esporotricose se manifesta em humanos?

Sim. O homem pega o fungo geralmente após algum pequeno acidente, como uma pancada ou esbarrão, onde a pele entra em contato com algum meio contaminado pelo fungo.

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Por exemplo: tábuas úmidas de madeira.

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Outra forma de contágio são arranhões e mordidas de animais que já tenham a doença ou o contato de pele diretamente com as lesões de bichos contaminados.

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Mas, vale destacar: isso não significa que os animais doentes não devam ser tratados, pelo contrário.

A melhor solução para evitar que a doença se espalhe é cuidar dos animais doentes, adotando, para isso, algumas precauções simples, como o uso de luvas e a lavagem cuidadosa das mãos.

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4. Como é possível identificar a esporotricose em humanos?

A doença se manifesta na forma de lesões na pele, que começam com um pequeno caroço vermelho, que pode virar uma ferida.

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Geralmente aparecem nos braços, nas pernas ou no rosto, às vezes formando uma fileira de carocinhos ou feridas.

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Como pode ser confundida com outras doenças de pele, o ideal é procurar um dermatologista para obter um diagnóstico adequado.

5. Os gatos podem transmitir esporotricose para as pessoas?

Sim, por meio de arranhões, mordidas e contato direto com a lesão. Por isso é importante que o diagnóstico seja feito rapidamente e que o animal doente receba o tratamento adequado.

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Animais doentes não devem nunca ser abandonados. Se isso acontecer, eles vão espalhar ainda mais a doença.

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Caso suspeite que seu animal de estimação está com esporotricose, procure um médico veterinário para receber orientações sobre como cuidar dele sem correr o risco de ser também contaminado.

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6. É possível que um gato doente contamine outros animais que convivem no mesmo ambiente, como uma casa, quintal ou apartamento?

Sim. Por isso é aconselhável isolar o gato do contato com outros animais, separando-o num ambiente próprio, para que receba os cuidados de que necessita sem comprometer a saúde dos outros bichos da casa.

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Outro cuidado muito importante: em caso de morte do animal com esporotricose, é essencial que o corpo seja cremado, e não enterrado. Isso porque a micose pode se espalhar pelo solo, espalhando a doença entre outros animais.

7. Que cuidados podem evitar a transmissão?

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Uma boa higienização do ambiente pode ajudar a reduzir a quantidade de fungos dispersos e, assim, novas contaminações.

É também importante não manusear demais o animal, usar luvas e lavar bem as mãos.

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Em caso de morte dos animais doentes, não se deve enterrar os corpos, e sim incinerá-los, para evitar que o fungo se espalhe pelo solo.

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8. Onde levar um gato com suspeita de esporotricose para ser atendido?

O animal com suspeita de esporotricose deve ser levado a uma clínica veterinária. Há atendimentos de baixo custo e alguns gratuitos.

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No Rio de Janeiro, o animal pode ser encaminhado à Unidade de Medicina Veterinária da Prefeitura, que presta atendimento de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde, com distribuição de números por ordem de chegada. Para mais informações acesse o site http://www.1746.rio.gov.br/ ou ligue para o 1746 da prefeitura.

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A Fiocruz, por meio do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), também oferece atendimento. No entanto, o serviço já está trabalhando com sua capacidade esgotada, devido à grande demanda. Isso significa que, por ora, a Fiocruz não pode atender a novos casos.

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Por sua vez, o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman também pode contribuir com informações. O IJV fica na Avenida Bartolomeu Gusmão 1.120, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. O contato é: ijv@rio.rj.gov.br.

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Sugerimos ainda o contato com a Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais:
Telefone geral: (21) 3402-0388 (Centro de Proteção Animal);
Ouvidoria de atendimento: 3402-5417;
Administração no Centro Administrativo São Sebastião (CASS): 2292-6516;
Prefeitura: 1746;
Unidade Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (UJV):ijv@rio.rj.gov.br

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9. E o atendimento às pessoas, onde é feito?

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O atendimento de esporotricose no Rio de Janeiro está sendo feito pelos médicos de Postos de Saúde locais e dos Serviços de Atenção Básica do Programa Saúde da Família. Casos que apresentam uma complexidade maior, serão então referendados para o Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, através de encaminhamento médico, do local de origem. Todos os dias a equipe de enfermagem faz avaliações, no período da manhã e, se for pertinente, a consulta médica é agendada.

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10. Para qual órgão devo comunicar que existem casos de esporotricose na região onde moro?

Ao Centro de Controle de Zoonoses do seu município. No Rio de Janeiro, o telefone é (21) 3395-1595. Caso não exista um setor como esse no seu município, sugerimos que comunique o caso à Secretaria de Saúde, pois é uma doença que pode contaminar os seres humanos.

Outro contato pode ser feito com a Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro, pelo telefone 1746 ou no site http://www.1746.rio.gov.br/.

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11. Qual o tratamento indicado para gatos? E para humanos?

O tratamento recomendado, na maioria dos casos humanos e animais, é o antifúngico itraconazol, que deve ser receitado por médico ou veterinário.

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A dose a ser administrada deve ser avaliada por esses profissionais, de acordo com a gravidade da doença.

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Mas, dependendo do caso, outros fármacos podem ser usados. Reforçamos: a administração do medicamento só deve ser feita após avaliação médica ou veterinária.

12. Como conseguir o medicamento? A Fiocruz oferece gratuitamente?

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É possível comprá-lo em farmácias de todo o país. O fornecimento de medicamentos pela Fiocruz é restrito àqueles pacientes que estão regularmente matriculados, bem como aos animais que estão em acompanhamento no Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos.

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13. Quanto tempo dura o tratamento?

Dependendo do caso, o tratamento pode durar meses ou mais de um ano. É muito importante que o tratamento seja seguido à risca.

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14. É contagiosa apenas por contato ou o fungo também pode ser transmitido pelo ar?

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A transmissão do fungo através da inalação é possível, mas é rara.

15. Já existe ou está sendo desenvolvida alguma vacina contra a esporotricose?

Não existe vacina contra a esporotricose, mas alguns estudos vêm sendo desenvolvidos.

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16. Existe transmissão entre humanos? Ou seja: uma pessoa com esporotricose pode transmiti-la para outra?

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Não há registros de casos deste tipo de transmissão. Pelo que se sabe, as pessoas só contraem a doença pelo contato com meios ou animais contaminados.

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Para mais informações, localização e contato:
Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas
Avenida Brasil 4.365 – Manguinhos, Rio de Janeiro
Contatos: (21) 3865.9595
http://www.ini.fiocruz.br

http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/esporotricose-pesquisadores-esclarecem-sobre-doenca-que-pode-afetar-animais-e-humanos

Em Niterói (RJ):

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Departamento de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses
Rua São João, 190 – Centro – Niterói
Tel.: 2717-8331 / 2613-2775
devig@saude.niteroi.rj.gov.br

Centro de Controle de Zoonoses
Rua Gustavo Moreira, 200 – Morro do Céu – Caramujo
Tel.: 2625-8441 – 2627-9102 (fax)
cczoonoses@saude.niteroi.rj.gov.br

VIGILÂNCIA DA ESPOROTRICOSE ANIMAL EM NITERÓI – UNIDADE DE DIAGNÓSTICO EM ESPOROTRICOSE ANIMAL DE NITERÓI

Caso o Médico Veterinário suspeite que as lesões observadas em seu paciente sejam esporotricose, o Centro de Controle de Zoonoses de Niterói, em parceria com o Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense, disponibiliza um local onde é feito o diagnóstico laboratorial da doença nos animais. O serviço é gratuito, com demanda espontânea e aberto a toda população da cidade. Funciona no Parque Palmier Silva – Horto Florestal do Barreto, Rua Palmier Silva s/nº (lado oposto ao nº 957), Barreto – Niterói, telefone (21) 3711-2832.

http://cczniteroirj.blogspot.com.br/2014/09/vigilancia-da-esporotricose-animal-em.html

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Saiba mais:

 

NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA

Os pacientes eram atendidos na Fiocruz, em Manguinhos, mas, após o aumento do número de casos, o controle passou a ser feito pelo estado.

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O quadro é tão sério que, a partir de 2013, a notificação de casos em humanos atendidos em unidades públicas ou consultórios particulares passou a ser obrigatória no Rio.

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O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Rio de Janeiro, Egon Daxbacher, explica que a esporotricose é uma micose profunda e, por isso, é transmitida apenas pela mordida ou pelo arranhão do gato.

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— É uma lesão em forma de caroços, que podem aumentar em número, sempre em linha reta. Eles costumam ser vermelhos, quentes e inflamar, gerando pus.

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Chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do INI/Fiocruz, Sandro Pereira afirma que gatos contaminados apresentam ferimentos, principalmente na cabeça, nas patas e na cauda.

— A maioria dos animais que atendemos reside em casas e tem por hábito passear nas redondezas. Nesses passeios, eles podem, em uma briga, contrair o fungo de um gato doente.

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Dayvison Freitas destaca que a culpa pela proliferação da doença não é do gato:

— Ele é a maior vítima: adoece e precisa do humano para cuidar dele. É preciso que medidas de saúde pública sejam implantadas para levar os gatos doentes para abrigos e tratá-los.

DIAGNÓSTICO É FEITO POR ANÁLISE CLÍNICA

Causada pelo fungo Sporothrix schenckii, a esporotricose é uma micose que pode afetar animais e humanos.

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Vacina ou tratamento preventivo

Não há vacina ou qualquer medicamento preventivo. A transmissão para o homem ocorre por meio de arranhões e mordidas do gato.

Sinais de contaminação em humanos aparecem, na maioria das vezes, em forma de lesões na pele, que começam com um pequeno caroço vermelho e podem evoluir para uma ferida.

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Geralmente, surgem nos braços, nas pernas e no rosto, formando uma fileira de caroços ou feridas. Nesses casos, donos de animais infectados devem procurar imediatamente o dermatologista.

Diagnóstico precoce

O diagnóstico nos bichos é feito por um veterinário, por meio de análise clínica. O fungo pode ser encontrado em terra úmida e, para evitar o contágio, as pessoas devem usar luvas.

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Para prevenir a contaminação do gato, o ideal é manter o animal restrito, em casa ou no quintal, sem acesso à rua, onde ele pode ter contato com felinos infectados.

Lesões nos animais

Os bichos contaminados espirram com frequência e têm feridas, principalmente na cabeça. Mas os machucados podem surgir também nas patas e no rabo.

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As lesões são profundas, não cicatrizam, têm pus e se espalham para o restante do corpo. O animal perde apetite, fica apático e pode ter secreção nasal. O tratamento do gato e do humano contaminados é com comprimido antifúngico e dura, em média, de 4 a 6 meses.

http://oglobo.globo.com/rio/cresce-numero-de-casos-de-infeccao-transmitida-por-gatos-20236728

Complicações da catapora

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140 milhões de casos por ano

O Jornal de Pediatria, publicação oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria, destacou na edição de julho/agosto de 2016 (vol. 92, n. 4), que a varicela (catapora) é uma das doenças infecciosas mais comuns, com distribuição mundial.

De acordo com um documento da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima‐se que a carga anual global é de 140 milhões de casos.

Gravidade

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Apesar da percepção pública da infecção de varicela como uma doença infantil inofensiva, ela pode ser uma doença muito grave. Pode causar morte ou levar a complicações potencialmente graves que exigem internação e, consequentemente, causam sequelas de longo prazo.

Pode atingir muitos órgãos

A catapora pode afligir qualquer órgão e as complicações hematológicas, neurológicas, respiratórias, cutâneas, hepáticas, gastrointestinais, urinarias e ósseas são as mais frequentemente relatadas.

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A incidência de complicações difere entre relatos científicos. Por exemplo, a prevalência em conjunto de complicações neurológicas resultantes de uma análise sistemática da literatura identifica a probabilidade de complicações neurológicas em idade pediátrica na faixa de 13,9‐20,4%.

Em outros relatos, a taxa de complicações neurológicas e cutâneas é menor, ao passo que outras complicações são frequentemente detectadas, como as respiratórias.

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Esse achado poderá estar relacionado a diferenças na estrutura sociodemográfica da população, a uma disponibilidade mais ampla de tratamentos ambulatoriais de infecções da pele ou a diferentes políticas de internação.

Imunossuprimidos

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Pacientes com histórico de malignidade subjacente, uso de esteroides ou terapia imunossupressora, infecção por HIV ou transplante de órgãos sólidos estão suscetíveis a varicela disseminada devido à imunidade celular prejudicada.

Hospedeiros imunossuprimidos que desenvolvem a varicela têm morbidez grave e taxas de mortalidade mais altas com mais frequência do que hospedeiros normais.

Usuários de TNF (maior atenção)

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Por exemplo, pacientes com doenças reumatológicas ou gastroenterológicas tratados com antagonistas do fator de necrose tumoral (TNF) continuam com risco seletivamente maior de infecções primárias de varicela mais graves em comparação com a população em geral.

Menores de 5 anos, gestantes e idosos

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A maioria dos óbitos e complicações associadas à varicela ocorre em crianças de 1 a 4 anos. Também na literatura, a maior frequência de complicações da varicela ocorre em crianças menores de 5 anos.

A varicela também pode ser muito grave em idosos, pois pode ser fatal ou levar a uma internação prolongada.

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Grávidas são uma preocupação especial. Caso uma mulher desenvolva varicela em uma idade gestacional nova, a criança pode sofrer síndrome de varicela congênita; caso fique doente no fim da gravidez, o neonato pode ter varicela. Ambas as doenças são muito graves para o recém‐nascido.

Vacinação

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A vacinação pode prevenir a infecção de varicela e suas complicações. Uma vacina contra a varicela, com base na cepa Oka do vírus vivo atenuado varicela‐zoster, foi desenvolvida no Japão em meados da década de 1970. Desde então, foram propostas diferentes formulações das vacinas contra a varicela. Todas elas contêm o vírus vivo atenuado varicela‐zoster e todas, exceto a vacina licenciada na Coreia do Sul, têm como base a cepa Oka isolada no Japão.

Atualmente, as vacinas contra varicela são licenciadas como monovalentes ou uma vacina combinada contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (SCRV).

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As vacinas SCRV são atualmente usadas com base em uma imunogenicidade comparável e um perfil geral de segurança, em comparação com a administração simultânea de vacinas SCR e contra a varicela.

Adicionalmente, como consiste em apenas uma injeção, a vacina SCRV deve oferecer diversos benefícios: facilitação da imunização universal contra essas quatro doenças, aumento da imunização e redução dos custos na área da saúde.

Em um estudo com foco na eficácia da vacina contra a varicela após o licenciamento entre crianças saudáveis, os autores analisaram revisões sistemáticas e metanálises das bibliotecas Medline, Embase e Cochrane e da base de dados CINAHL em busca de relatos publicados entre 1995 e 2014.

Eles concluíram que uma dose da vacina contra a varicela era moderadamente eficaz na prevenção de varicela (81%) e altamente eficaz na prevenção de manifestações moderadas e graves da varicela (98%). Os autores concluíram que uma segunda dose aumentava a proteção contra a varicela (92%).

Diferentes políticas internacionais de imunização

Contudo, as políticas de vacinação diferem de país para país. Em alguns países, como os EUA e a Austrália, a imunização universal foi introduzida há muitos anos. A vacinação em massa levou progressivamente a uma redução substancial na carga de doença.

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Na Europa, não há consenso sobre a política de imunização contra a varicela. Consequentemente, alguns países, como a Alemanha e a Grécia, têm programas nacionais de imunização infantil. Outros adotam recomendações heterogêneas ou não oficiais. Na Itália, desde sua venda, algumas regiões oferecem vacinação universal na infância, com consequente redução na incidência da doença.

Alguns ainda não aceitam vacinar

Em outras regiões, a cobertura da vacinação contra a varicela depende fortemente da aceitação da vacinação pelos pais e das recomendações dos pediatras.

Os pais que recusam a vacinação acreditam que a vacina não é segura e é ineficaz e que a doença a ser prevenida é leve e sem perigo. Além disso, em alguns casos, os pais não confiam nos profissionais da saúde, no governo e em pesquisas sobre a vacina apoiadas oficialmente, porém confiam na imprensa e em fontes de informação que não incentivam as políticas de imunização.

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Em países europeus que implantaram a vacinação nacionalmente, a imunização em massa resultou na redução tanto da incidência da doença quanto das taxas de internação. Adicionalmente, os dados também revelaram benefícios para grupos não vacinados, como crianças menores de 1 ano.

Imunidade de grupo

Na verdade, uma alta taxa de imunização contribui para a prevenção da disseminação da infecção de varicela, conceito conhecido como imunidade de grupo.

A imunidade de grupo fornece proteção àqueles com maior risco de contraírem infecção grave por varicela, incluindo gestantes, neonatos, pessoas com o vírus da imunodeficiência humana e outras doenças de imunodeficiência, pessoas que receberam quimioterapia e pacientes tratados com altas doses de corticosteroides.

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Esse é um objetivo muito importante, já que muitas internações hospitalares ocorrem em crianças muito novas para serem vacinadas.

Elena Bozzolaa,  Mauro Bozzolab

Departamento de Pediatria, Unidade de Doenças Infecciosas e Infantis, Bambino Gesù Children’s Hospital, Roma, Itália

Departamento de Clínica Médica e Terapêutica, Unidade de Pediatria e Hebiatria, University of Pavia, Fondazione IRCCS San Matteo, Pavia, Itália

http://jped.elsevier.es/pt/varicella-complications-universal-immunization/articulo/S2255553616300453/

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Saiba mais. O que diz o Ministério da Saúde:

A varicela é uma infecção viral primária, aguda, altamente contagiosa, caracterizada por surgimento de exantema de aspecto maculopapular e distribuição centrípeta, que, após algumas horas, torna-se vesicular, evolui rapidamente para pústulas e, posteriormente, forma crostas, em 3 a 4 dias.

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Pode ocorrer febre moderada e sintomas sistêmicos.

A principal característica clínica é o polimorfismo das lesões cutâneas, que se apresentam nas diversas formas evolutivas, acompanhadas de prurido.

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Em crianças, geralmente, é uma doença benigna e autolimitada. Em adolescentes e adultos, em geral, o quadro clínico é mais exuberante.

Sinonímia

Catapora

Agente etiológico

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É um vírus RNA. Vírus varicella-zoster (VVZ), família Herpetoviridae

Reservatório

O homem

Modo de transmissão

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Pessoa a pessoa, através de contato direto ou de secreções respiratórias (disseminação aérea de partículas virais/aerossóis) e, raramente, através de contato com lesões de pele. Indiretamente é transmitida através de objetos contaminados com secreções de vesículas e membranas mucosas de pacientes infectados.


Período de incubação

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Entre 14 a 16 dias, podendo variar entre 10 a 20 dias após o contato. Pode ser mais curto em pacientes imunodeprimidos e mais longo após imunização passiva.


Período de transmissibilidade

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Varia de 1 a 2 dias antes da erupção até 5 dias após o surgimento do primeiro grupo de vesículas.Enquanto houver vesículas, a infecção é possível.


Suscetibilidade e imunidade

A suscetibilidade é universal. A infecção confere imunidade permanente, embora, raramente, possa ocorrer um segundo episódio de varicela. Infecções subclínicas são raras.

A imunidade passiva transferida para o feto pela mãe que já teve varicela assegura, na maioria das vezes, proteção até 4 a 6 meses de vida extrauterina.

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Tratamento

Sintomático

Observação importante

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A varicela está associada à síndrome de Reye, que ocorre especialmente em crianças e adolescentes que fazem uso do ácido acetilsalicílico (AAS) durante a fase aguda.
sidrome-reye-830x622 Essa síndrome caracteriza-se por um quadro de vômitos após o pródromo viral, seguido de irritabilidade, inquietude e diminuição progressiva do nível da consciência, com edema cerebral progressivo.

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A síndrome de Reye é o resultado de um comprometimento hepático agudo, seguido de comprometimento cerebral.

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Portanto, está contraindicado o uso de AAS por pacientes com varicela.

Manifestações clínicas

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Período prodrômico – tem início com febre baixa, cefaleia, anorexia e vômito, podendo durar de horas até 3 dias. Na infância, esses pródromos não costumam ocorrer, sendo o exantema o primeiro sinal da doença.

Em crianças imunocompetentes, a varicela geralmente é benigna, com início repentino, apresentando febre moderada de 2 a 3 dias, sintomas generalizados inespecíficos e uma erupção cutânea pápulo-vesicular que se inicia na face, couro cabeludo ou tronco (distribuição centrípeta).

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Período exantemático – as lesões comumente aparecem em surtos sucessivos de máculas que evoluem para pápulas, vesículas, pústulas e crostas.

Tendem a surgir mais nas partes cobertas do corpo, podendo aparecer no couro cabeludo, na parte superior das axilas e nas membranas mucosas da boca e das vias aéreas superiores.

O aparecimento das lesões em surtos e a rápida evolução conferem ao exantema o polimorfismo regional característico da varicela: lesões em diversos estágios (máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas), em uma mesma região do corpo.

Nos adultos imunocompetentes, a doença cursa de modo mais grave do que nas crianças, apesar de ser bem menos frequente (cerca de 3% dos casos). A febre é mais elevada e prolongada, o estado geral é mais comprometido, o exantema mais pronunciado e as complicações mais comuns, podendo levar a óbito, principalmente devido a pneumonia primária.

Varicela e gravidez

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A infecção materna no primeiro ou no segundo trimestre da gestação pode resultar em embriopatia.

Nas primeiras 16 semanas de gestação, há um risco maior de lesões graves ao feto que podem resultar em baixo peso ao nascer, malformações das extremidades, cicatrizes cutâneas, microftalmia, catarata e retardo mental.

Gestantes não imunes,que tiverem contato com casos de varicela e herpes-zoster, devem receber a imunoglobulina humana contra esse vírus.

A taxa de ataque para síndrome de varicela congênita, em recém-nascidos de mães com varicela no primeiro semestre de gravidez, é de 1,2%; quando a infecção ocorreu entre a 13ª a 20ª semanas de gestação, é de 2%.

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Recém-nascidos que adquirem varicela entre 5 a 10 dias de vida, cujas mães infectaram-se 5 dias antes do parto e 2 dias após o mesmo, estão mais expostos à varicela grave, com a letalidade podendo atingir 30%.

A infecção intrauterina e a ocorrência de varicela antes dos 2 anos de idade estão relacionadas à ocorrência de zoster em idades mais jovens.

Diagnóstico

Realizado principalmente através do quadro clínico-epidemiológico. O vírus pode ser isolado das lesões vesiculares durante os primeiros 3 a 4 dias de erupção.

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Aspectos epidemiológicos

No Brasil, a varicela não era uma doença de notificação compulsória, embora os surtos devessem ser notificados às secretarias municipais e estaduais de saúde.

Estudo realizado no país, em 1997, avaliou a prevalência da infecção pelo vírus varicela zoster em 975 amostras de soro de adultos jovens entre  20 a 29 anos, que eram doadores de sangue de cinco capitais brasileiras: Fortaleza, Salvador, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

A soroprevalência global de anticorpos anti-varicela zoster foi de 94%, e a soroprevalência nas regiões de clima tropical (Fortaleza e Salvador, 89%) foi significativamente menor que nas regiões de clima temperado (97%), fato já descrito na literatura, ou seja, nas regiões temperadas a exposição a infecção e mais precoce .

Outro estudo, conduzido de 1992 a 1994, em escolas públicas do município de São Paulo, indica que o contato com o vírus varicela zoster ocorre nos primeiros anos da infância, assim como observado nos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, antes do período de vacinação contra VVZ.

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Cerca 40% das crianças com 1 ano apresentaram anticorpos anti-varicela zoster; essa proporção aumentou rapidamente até o 3º ano, manteve-se ascendente e alcançou 90% aos 10 anos.

Utilizando-se as estimativas de incidência americana, o Brasil teria cerca de 3 milhões de caso de varicela ao ano.

Vacinação

A vacina varicela está licenciada no Brasil na apresentação monovalente ou combinada com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

A vacina tetraviral só deverá ser administrada aos 15 meses de idade se a criança tiver recebido uma dose da vacina tríplice viral entre 12 e 14 meses.

A vacina varicela monovalente é indicada para surto hospitalar a partir dos nove meses de idade.

Herpes zoster

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Geralmente decorrente da reativação do vírus da varicela que permanece em latência, reativando na idade adulta ou em pacientes imunocomprometidos, portadores de doenças crônicas, neoplasias, aids e outras.

O herpes zoster (HZ) tem quadro pleomórfico, causando desde doença benigna até outras formas graves, com êxito letal.

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Após a fase de disseminação hematogênica, em que atinge a pele, caminha centripetamente pelos nervos periféricos até os gânglios nervosos, onde poderá permanecer, em latência, por toda a vida.

Reativação do vírus

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Causas diversas podem levar a uma reativação do vírus que, caminhando centrifugamente pelo nervo periférico, atinge a pele, causando a característica erupção do herpes zoster.

Excepcionalmente, há pacientes que desenvolvem herpes zoster após contato com doentes de varicela e, até mesmo, com outro doente de zoster, o que indica a possibilidade de uma reinfecção em paciente já previamente imunizado. É também possível uma criança adquirir varicela por contato com doente de zoster.

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Quadro clínico do HZ

O quadro clínico do herpes zoster é, quase sempre, típico. A maioria dos doentes refere, antecedendo às lesões cutâneas, dores nevrálgicas, além de parestesias, ardor e prurido locais, acompanhados de febre, cefaleia e mal-estar. A lesão elementar é uma vesícula sobre base eritematosa.

A erupção é unilateral, raramente ultrapassando a linha mediana, seguindo o trajeto de um nervo.

Surgem de modo gradual, levando de 2 a 4 dias para se estabelecerem.

Quando não ocorre infecção secundária, as vesículas se dissecam, formam-se crostas e o quadro evolui para a cura em 2 a 4 semanas.

Regiões mais afetadas

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As regiões mais comprometidas são a torácica (53% dos casos), cervical (20%), trigêmeo (15%) e lombossacra (11%).

Em pacientes imunossuprimidos, as lesões surgem em localizações atípicas e, geralmente, disseminadas.

O envolvimento do VII par craniano leva a uma combinação de paralisia facial periférica e rash no pavilhão auditivo, denominado síndrome de Hawsay-Hurt, com prognóstico de recuperação pouco provável.

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O acometimento do nervo facial (paralisia de Bell) apresenta a característica de distorção da face. Lesões na ponta e asa do nariz sugerem envolvimento do ramo oftálmico do trigêmeo, com possível comprometimento ocular.

Nos pacientes com herpes zoster disseminado e/ou recidivante, é aconselhável fazer sorologia para HIV, além de pesquisar neoplasias malignas.

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http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/varicela-herpes-zoster