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Testes para COVID-19: perguntas e respostas

A doença do coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo vírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apresenta um período de incubação, ou seja, o tempo entre uma pessoa ser infectada e o início dos sintomas, variável entre 1 e 14 dias.

Os testes de RT-PCR  e de antígenos são definitivos e fazem o diagnóstico da COVID-19, segundo a OMS.

“Para detecção, isolamento e tratamento precoce de pacientes com SARS-CoV-2 que podem estar com COVID-19 ativa ou disseminando o vírus e posteriormente desenvolver a doença o exame correto é a RT-PCR para SARS-CoV-2. Determinar anticorpos IgA, IgM e IgG é um bom teste para fins de estudos epidemiológicos históricos de uma população, não servindo como ação preventiva/bloqueadora da infecção por SARS-CoV-2.”   Prof. Lucio Lemos

  1. Definições

Segundo o Guia de Vigilância em Saúde, disponível em https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_3ed.pdf, tem-se como definições:

SÍNDROME GRIPAL (SG): indivíduo com febre, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta e com início dos sintomas nos últimos 7 dias.

SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE: indivíduo de qualquer idade, internado com SG e que apresente dispneia ou saturação de O2< 95% ou desconforto respiratório.

Os sintomas mais comuns, como febre, tosse e dificuldade para respirar (dispneia) podem durar, em média, 14 dias. Além desses, dores de garganta, de cabeça, musculares (mialgias), diarreia e vômitos, menos comuns, também podem ocorrer.

  1. O que são os exames de imunoglobulinas (Ig)?

Os exames para determinação de anticorpos IgA, IgM e IgG foram desenvolvidos para o estudo de determinadas doenças, sejam elas provocadas por vírus, bactérias, fungos, protozoários etc.

Na defesa do organismo, os anticorpos do tipo IgM costumam ser os primeiros a aparecer. Por isso, estão relacionados a infecções recentes, isto é, presentes em pacientes que podem possuir o vírus.

Pelo conhecimento que se tem sobre a Covid-19 e pelas limitações relacionadas ao desenvolvimento de testes para a doença não é possível utilizar essa informação isoladamente como diagnóstico.

Recomenda-se a confirmação por ensaio molecular para ser possível identificar a presença ou não do vírus na amostra testada.

Ainda não se sabe por quanto tempo os anticorpos IgM e IgG para Covid-19 permanecem no corpo. Portanto, mesmo para os anticorpos do tipo IgG (que são produzidos mais tardiamente), a interpretação isolada do resultado do teste rápido não assegura que não haja mais infecção.

Por esse motivo, é importante salientar que o teste rápido não detecta especificamente o novo coronavírus (Sars-CoV-2), mas sim os anticorpos produzidos pelo organismo depois de a infecção ter ocorrido.

Embora os testes de anticorpos ainda tenham um valor limitado para o diagnóstico de uma pessoa com suspeita de Covid-19, o uso desse tipo de teste pode ajudar a entender melhor como a resposta imune contra o vírus Sars-CoV-2 se desenvolve em pacientes ao longo do tempo.

É possível que o amplo uso desses testes de anticorpos e o acompanhamento clínico dos pacientes forneçam à comunidade médica mais informações sobre a recuperação e o risco de infecção pela exposição ao vírus, além de auxiliar na definição de políticas públicas.

De acordo com a Anvisa, os testes rápidos:

  • são de fácil execução,
  • não necessitam de outros equipamentos de apoio (como os usados em laboratórios)
  • conseguem dar resultados entre 10 e 30 minutos.

Os testes rápidos para anticorpos se diferenciam entre si quanto:

  • às limitações do produto,
  • ao limite de detecção,
  • ao desempenho esperado e
  • ao tempo de leitura.

Portanto, vale lembrar que a execução e a interpretação dos resultados devem ser feitas por profissional de saúde capacitado, seguindo as instruções de uso de cada produto.

  1. Quais são os métodos laboratoriais disponíveis para avaliação do paciente com suspeita de COVID-19?

Os testes para Covid-19 são produtos para diagnóstico de uso in vitro, nos termos da RDC 36/15, e podem identificar:

  1. anticorpos, ou seja, uma resposta do organismo quando este teve contato com o vírus, recentemente (IgM) ou previamente (IgG); ou
  2. material genético (RNA) ou “partes” (antígenos) do vírus (RT-PCR).

Há ainda, o teste de amplificação de ácidos nucleicos para SARS-CoV-2 e o painel de vírus respiratórios: testes de imunofluorescência direta ou reação da polimerase em cadeia (PCR) multiplex que detectam na mesma amostra de material do trato respiratório antígenos ou material genético de várias bactérias e vírus, como adenovírus, coronavírus 229E, coronavírus HKU1, coronavírus NL63, coronavírus OC43, metapneumovírus humano, influenza A subtipo H1, H3 e H1-2009, influenza B, parainfluenza 1, 2, 3 e 4, rinovírus/enterovírus, vírus respiratório sincicial, Bordetella pertussis, Chlamydophila pneumoniae e Mycoplasma pneumoniae.

  1. Que tipo de amostra é usada nos testes?

Existem os testes que usam sangue, soro ou plasma e outros que precisam de amostras de secreções coletadas das vias respiratórias, como nasofaringe (nariz) e orofaringe (garganta).

  1. O que são testes rápidos (IgM/IgG)?

Esse termo (rápido) vem sendo usado popularmente para os testes imunocromatográficos. No caso dos testes rápidos para o novo coronavírus são dispositivos manuais, de fácil execução, que não necessitam de outros equipamentos de apoio, como os que são usados em laboratórios e conseguem dar resultados entre 10 e 30 minutos.

Testes rápidos (IgM/IgG) podem auxiliar o mapeamento da população “imunizada” (que já teve o vírus ou foi exposta a ele), mas NÃO têm função de diagnóstico.

  1. O que são testes RT- PCR?

RT-PCR (Reverse Transcription – Polymerase Chain Reaction) é um teste de Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa em tempo real que verifica a presença de material genético do vírus, confirmando que a pessoa se encontra com Covid-19.

Os testes de RT-PCR (padrão ouro) e de antígenos têm função diagnóstica, sendo o teste definitivo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)1.

  1. Qual é o teste recomendado para o diagnóstico da infecção por SARSCoV-2?

O teste recomendado para o diagnóstico da infecção por SARS-CoV-2 é a reação da polimerase em cadeia com transcrição reversa em tempo real (RT-PCR) em amostras clínicas do trato respiratório superior ou inferior.

A maior parte dos testes de RT-PCR disponíveis é baseada nos protocolos do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Atlanta e do Hospital Universitário Charité, Berlin e deve ser realizada  mais precocemente possível a partir do momento da identificação do paciente como caso suspeito ou provável de COVID-19.

  1. Qual amostra deve ser coletada, prioritariamente, para a rRT-PCR?
  • Swab de nasofaringe, isoladamente ou em combinação com swab de orofaringe, é a amostra de preferência.
  • Swab de orofaringe isolado é aceitável apenas quando não for possível coletar outros tipos de amostras.
  • Recomenda-se a coleta de escarro de todo paciente com tosse produtiva, mas nunca escarro induzido.
  • Lavado broncoalveolar ou aspirado traqueal deve ser coletado de pacientes com quadro respiratório grave, por exemplo, naqueles em ventilação mecânica.
  1. Como solicitar o exame RT-PCR para diagnóstico da COVID-19?
  • Material: swab de naso e/ou orofaringe, aspirado/lavado nasofaríngeo, lavado brocoalveolar, aspirado traqueal ou escarro.
  • Exame: rRT-PCR para SARS-CoV-2.
  1. Quais são as limitações da RT-PCR?

Os valores preditivos positivo e negativo de um teste são altamente dependentes da prevalência da doença.

Resultados falsos-positivos podem ocorrer quando a prevalência da doença é baixa e falsos-negativos quando a prevalência da doença é alta. Portanto, o resultado da RT-PCR deve ser correlacionado aos dados clínicos e epidemiológicos do paciente.

Resultados falso-positivos também acontecem por contaminação da amostra, não observação às recomendações para a execução do exame ou má-qualidade dos reagentes.

Vários fatores podem levar a um resultado negativo em um indivíduo infectado, sejam pré-analíticos ou analíticos, incluindo:

  • Má qualidade da amostra, contendo pouco material do paciente;
  • Amostra coletada tardiamente ou muito precocemente no início da infecção;
  • Amostra não transportada ou conservada adequadamente;
  • Razões técnicas inerentes ao teste, como mutação viral ou presença de inibidores de PCR.
  • Presença de pequeno número de microrganismos na amostra, abaixo do limite de detecção do teste.

  1. Qual a conduta diante de um resultado não detectado de SARS-CoV-2 por RT-PCR e suspeita de COVID-19?

Um único resultado não detectado, principalmente se for de amostra do trato respiratório superior, não exclui infecção por COVID-19. Como mencionado acima, a sensibilidade de diferentes amostras biológicas para detecção de SARS-CoV-2 varia.

Recomenda-se a coleta de nova amostra, preferencialmente do trato respiratório inferior, em caso de doença grave ou progressiva, ou na presença de dados clínicoepidemiológicos fortemente sugestivos de COVID-19, quando a primeira amostra é negativa.

  1. Quando e por que repetir a RT-PCR?

Sempre que houver discordância com o quadro clínico-epidemiológico, a RT-PCR deve ser repetida em outra amostra do trato respiratório, seja o resultado positivo (detectado) ou negativo (não-detectado).

Como o intervalo de tempo para o pico dos níveis virais na COVID-19 ainda é desconhecido, o tempo ótimo para a coleta das amostras biológicas para o diagnóstico da infecção não foi estabelecido.

Assim, eventualmente a coleta de múltiplas amostras, de locais e tempos diferentes durante a evolução do paciente, pode ser necessária para o diagnóstico da infecção.

Por fim, resultado não detectado para SARS-CoV-2 pode representar verdadeiro negativo e/ou infecção por outros vírus ou bactérias respiratórias.

Vale destacar que também pode ocorrer coinfecção (SARS-CoV-2 e outros vírus respiratórios, como Influenza). O Ministério da Saúde recomenda testar todas as amostras de pacientes com suspeita de COVID-19 com o Painel de Vírus Respiratórios.

  1. A IgM para SARS-CoV-2 pode ser considerada uma imunoglobulina de fase aguda?

Normalmente, considera-se a IgM como a primeira entidade a ser formada após a penetração de um agente patogênico. Porém, alguns estudos realizados em SARS-CoV-2 desde 2004, mostram que esta imunoglobulina não está sendo tão previsível assim. A maioria dos pacientes está produzindo esse anticorpo tardiamente.

Ainda segundo o Prof. Lucio Lemos, a maioria dos casos não está apresentando positividade para IgM SARS-CoV-2 e, muitas vezes, quando positiva sua presença se arrasta por muitos meses.

  1. Como pode um anticorpo de fase aguda permanecer mais de 3 meses positivo?

Muitos pacientes mantêm suas IgMs positivas também para outras infecções. Chama-se IgM residual e pode ser observada em doenças como toxoplasmose, citomegalovirose, Epstein Barr e rubéola, por exemplo. A IgM residual não significa doença ativa. 

  1. Os testes rápidos são de uso profissional?

Sim. Os testes rápidos registrados para a Covid-19 são de uso profissional e os seus resultados devem ser interpretados por um profissional de saúde legalmente habilitado e devidamente capacitado, conforme definido pelos conselhos profissionais da área da saúde e por políticas do Ministério da Saúde.  Esses testes NÃO devem ser feitos por leigos.

Os testes em domicílio podem ser realizados, desde que executados por profissional legalmente habilitado vinculado a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar.

  1. A partir de quantos dias após o início dos sintomas é recomendado fazer um teste rápido?

Como a produção de anticorpos aumenta a cada dia a partir do início da infecção pelo vírus, é preciso que haja uma quantidade mínima de anticorpos que o teste consiga detectar.

Este período entre o início dos sintomas e a detecção dos anticorpos em exames é chamado de janela imunológica. A imunocromatografia para anticorpos (IgM e IgG) é indicada para exames a partir de, pelo menos, oito dias após o início dos sintomas.

A utilização de testes rápidos antes desse período pode levar a resultados negativos mesmo nas pessoas que possuem o vírus e produziram anticorpos, sendo, portanto, um resultado “falso negativo”.

  1. Quando devo fazer os testes rápidos (IgM/IgG)?

Recomenda-se que tais testes sejam realizados em indivíduos que apresentem ou tenham tido os sintomas da Covid-19 há pelo menos oito dias.

Os testes RT-PCR devem ser utilizados quando houver sintomatologia compatível ou houver necessidade de confirmação da infecção.

Os testes rápidos (IgM/IgG) têm relevante utilização no mapeamento do status imunológico de uma população (que já teve o vírus ou foi exposta a ele). Tal mapeamento pode contribuir de forma positiva no processo de relaxamento das medidas restritivas, ou seja, quando do controle pandêmico, o mapeamento imunológico terá significativa relevância por ocasião do retorno das atividades.

  1. Se o resultado do teste rápido (IgM/IgG) for POSITIVO isso indica que tenho Covid-19?

Não. Testes rápidos (IgM/IgG) NÃO têm função de diagnóstico (confirmação ou descarte) de infecção por Covid-19.

O diagnóstico de Covid-19 deve ser feito por testes de RT-PCR.

  • Testes rápidos positivos indicam que você teve contato recente com o vírus (IgM) ou que você já teve Covid-19 e está se recuperando ou já se recuperou (IgG), uma vez que indicam a presença de anticorpos (defesas do organismo).

No entanto, os anticorpos só aparecem em quantidades detectáveis nos testes pelo menos oito dias depois da infecção.

Ainda assim, o teste pode ser positivo indicando que você teve contato com OUTROS coronavírus e não com o SarsCoV-2 / Covid-19 (falso positivo). Assim sendo, esse teste isolado não serve para diagnosticar (confirmar ou descartar) infecção por Covid-19. O diagnóstico da infecção pelo novo coronavírus deve ser feito por testes de RT-PCR.

  • Os testes de RT-PCR (padrão ouro) e de antígenos têm função diagnóstica, sendo o RT-PCR o teste definitivo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O profissional da saúde que estiver realizando o teste irá orientá-lo sobre o significado dos testes e os devidos encaminhamentos, conforme protocolos clínicos do Ministério da Saúde2.

É importante destacar que os pacientes, mesmo quando testados positivos para Covid-19, NÃO devem procurar hospitais ou ambulatórios, devendo permanecer em suas casas em quarentena por 14 dias (isolamento) até a remissão da infecção, exceto se estiverem com sintomas graves, tal como dificuldade de respirar.

  1. Se o resultado do teste rápido (IgM/IgG) for NEGATIVO isso indica que não tenho Covid-19?

Não. Testes rápidos (IgM/IgG) NÃO têm função de diagnóstico (confirmação ou descarte) de infecção por Covid-19. Diversos fatores influenciam os testes, tais como a sensibilidade/ especificidade e a condição do paciente (reposta imunológica).

  • Testes rápidos (IgM/IgG) negativos indicam que você não tem anticorpos contra a Covid19. Considerando que esses anticorpos somente surgem em quantidade detectáveis alguns dias (pelo menos oito) depois da infecção, o teste somente tem alguma significância após esse período. Se sua carga imunológica (quantidade de anticorpos) for baixa, o teste pode ter um falso negativo. Assim sendo, esse teste isolado não serve para diagnosticar (confirmar ou descartar) infecção por Covid-19. O diagnóstico da doença deve ser feito por testes de RT-PCR.
  • Os testes de RT-PCR (padrão ouro) e de antígenos têm função diagnóstica, sendo o RTPCR o teste definitivo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)3.

  1. Quem fez teste rápido em laboratórios não corre risco de ter recebido um resultado falso positivo ou negativo? Os testes rápidos (IgM/IgG) são confiáveis?

A informação apresentada nesses ensaios é quanto ao estado imunológico no momento da coleta da amostra. Se a testagem ocorrer dentro do período de janela imunológica, o resultado do ensaio poderá ser negativo mesmo se a pessoa estiver contaminada (falso negativo).

Por isso, é importante respeitar o intervalo entre os sintomas e a testagem, estar atento às informações das instruções de uso (que trazem orientações específicas sobre cada produto) e também que o teste seja executado e interpretado por profissional de saúde. Essa situação não corresponde necessariamente a uma falha no produto, mas à não observância da advertência quanto ao período adequado para a testagem.

Cabe mencionar, ainda, que cada produto possui características próprias quanto à execução, às precauções, ao limite de detecção e à interpretação dos resultados. Portanto, todas as informações dispostas nas instruções de uso devem ser seguidas e interpretadas por um profissional de saúde.

Não há, até o momento, conhecimento científico sobre a duração dos anticorpos contra a Covid-19 no organismo e, portanto, não é possível assegurar proteção permanente para a infecção em pacientes com resultados de IgG positivo.

As ações para redução do risco de transmissão do novo coronavírus dependem da participação de todos. Assim, independentemente dos resultados dos testes, a população deve estar atenta aos cuidados e às orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde quanto ao uso de máscaras, o distanciamento mínimo entre as pessoas (evitar aglomerações) e o isolamento social na ocorrência de sintomas.

  1. Se os testes rápidos não servem para diagnóstico (confirmar ou descartar) de infecção por Covid-19, qual a sua função?

Os testes rápidos (IgM/IgG) têm relevante utilização no mapeamento do status imunológico de uma população (que já teve o vírus ou foi exposta a ele).

Tal mapeamento pode contribuir de forma positiva no processo de relaxamento das medidas restritivas, ou seja, quando do controle pandêmico, o mapeamento imunológico terá significativa relevância por ocasião do retorno das atividades.

  1. Como os testes são feitos?

Os testes são realizados a partir da coleta de uma amostra do paciente, podendo ser de secreções nasais, de garganta ou de sangue. O tempo necessário para a liberação do resultado depende do tipo de testagem utilizada.

  • Testes rápidos (IgM/IgG) geralmente utilizam sangue, soro ou plasma e demoram alguns minutos para liberar o resultado, a depender do produto (10 a 30 minutos).
  • Os testes RT-PCR geralmente utilizam secreções respiratórias, coletadas por meio de swabs de orofaringe (garganta) ou nasofaringe (nariz). São realizados em laboratórios clínicos e podem levar alguns dias para emissão de laudo.

É importante destacar a importância de haver uma anamnese (avaliação e entrevista clínica) registrada, bem como a emissão de laudo técnico (sendo o resultado positivo ou negativo) para o paciente.

  1. Qual a metodologia do teste rápido para a Covid-19?

O exame é feito com o uso de amostras de sangue, soro ou plasma. A metodologia utilizada é chamada de imunocromatografia, que é a geração de cor a partir de uma reação química entre antígeno (substância estranha ao organismo) e anticorpo (elemento de defesa do organismo). Os resultados obtidos são chamados de IgM e IgG.

Portanto, o IgM e o IgG são as defesas do organismo a um agente externo, como o vírus que provoca a Covid-19. Tendo em vista que o organismo demanda um tempo para a produção desses anticorpos (janela imunológica) a partir do contágio, a imunocromatografia é indicada para exames a partir de pelo menos oito dias após o início dos sintomas, a depender da limitação do teste e da indicação do fabricante. Esse tempo é necessário para assegurar que haverá anticorpos suficientes no organismo que possam ser detectáveis por esse método.

Os resultados dos testes rápidos devem ser interpretados por um profissional de saúde, considerando informações clínicas, sinais e sintomas do paciente, além de outros exames confirmatórios. Somente com esse conjunto de dados é possível fazer a avaliação e o diagnóstico ou descarte da doença.

  1. Os testes rápidos disponíveis no mercado foram aprovados pela Anvisa?

No dia 18 de março de 2020, a Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 348/2020, que estabeleceu regras extraordinárias e temporárias para agilizar a avaliação de novos produtos, por meio da priorização da análise de pedidos de registro de testes para detecção do novo coronavírus.

A Anvisa avalia a qualidade, segurança e eficácia dos testes para Covid-19. Considerando a emergência em saúde pública decorrente da pandemia de Covid-19, os procedimentos de regularização sanitária desses testes foram priorizados e flexibilizados, temporária e extraordinariamente, visando ampliar a oferta desses produtos e evitar o desabastecimento. Não adquira produtos pela internet.

Além dos testes registrados pela Anvisa, é possível encontrar produtos que tenham sido importados e adquiridos de forma excepcional, nos termos da Lei 13.979/2020, que autorizou de forma excepcional e temporária a importação de produtos sujeitos à vigilância sanitária, desde que estes sejam registrados por autoridade sanitária estrangeira e estejam previstos em ato do Ministério da Saúde (VIII, art. 3º).

De forma complementar, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 356/2020, alterada pela RDC 379/2020, permitiu, de forma extraordinária e temporária, a aquisição de dispositivos médicos essenciais para o combate à Covid-19, novos e não regularizados pela Anvisa, desde que regularizados e comercializados em jurisdição membro do Fórum Internacional de Reguladores de Dispositivos Médicos (International Medical Device Regulators Forum – IMDRF), por órgãos e entidades públicas e privadas, bem como serviços de saúde, quando não disponíveis para o comércio dispositivos semelhantes regularizados na Agência (art. 9º)

Também foram aprovados testes para detecção de anticorpos com o uso de outras metodologias que requerem a utilização de equipamentos disponíveis em laboratórios, como, por exemplo, ELISA, que se baseia numa reação enzimática; imunoensaio quimioluminescente (CLIA), que torna a reação antígeno-anticorpo visível por uma reação química; e imunofluorescência, no qual a leitura do resultado é feita a partir da fluorescência formada na reação do antígeno com o anticorpo, entre outras.

  1. Onde posso fazer os testes rápidos (IgM/IgG)?

A RDC 302/2005, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para Funcionamento de Laboratórios Clínicos, determina, no item 6.2.13 de seu anexo, que a execução dos testes laboratoriais remotos – TLR (point-of-care) e de testes rápidos pode ser realizada próximo ao paciente e deve estar vinculada a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar.

Assim, os testes rápidos (IgM/IgG) para a Covid-19 podem ser feitos em estabelecimentos de assistência à saúde com licenciamento para esta atividade e por um profissional de saúde devidamente habilitado e treinado para esta finalidade.

Os testes geralmente são feitos em laboratórios clínicos, podendo haver coleta no local onde estiver o paciente, incluindo sua casa.

É importante destacar que o teste deve ser realizado em espaço privativo, seguindo todos os protocolos clínicos de gestão do paciente e manipulação de amostras, em especial aqueles relacionados à proteção sanitária (uso de equipamentos de proteção individual – EPIs).

Para maiores informações sobre a utilização de testes rápidos em farmácias, consulte as informações constantes no portal da Anvisa.

  1. Farmácias e drogarias podem comercializar testes para Covid-19?

Farmácias e drogarias não podem comercializar ou vender testes para Covid-19, pois não são distribuidoras de produtos para saúde e os testes não se destinam a uso leigo.

Entretanto, a farmácia ou drogaria devidamente licenciada para a prestação de serviços de assistência à saúde pode utilizar os testes rápidos para Covid-19, mediante responsabilidade técnica e condições sanitárias (de estrutura, processos e pessoas) adequadas, conforme determinado na RDC 377/2020 e nas orientações estabelecidas na Nota Técnica 96/2020 e na Nota Técnica 97/2020.

A disponibilidade dos testes rápidos em farmácias e drogarias dependerá da decisão do estabelecimento de oferecer ou não este serviço de assistência à saúde. A norma da Anvisa não estabelece obrigatoriedade do serviço em questão nessas unidades. Outro fator para a disponibilização é a produção e a entrega dos testes rápidos pela empresa que obteve o registro junto à Agência.

  1. Tenho uma empresa que não é da área da saúde (construção civil, naval ou outra atividade econômica). Posso realizar os testes rápidos (IgM/IgG) nos meus funcionários?

Os testes rápidos, apesar de serem de uso relativamente simples, são de uso profissional e sua execução requer o cumprimento de protocolos e diretrizes técnicas de controle, rastreabilidade e registros. A RDC 302/2005, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para Funcionamento de Laboratórios Clínicos, determina, no item 6.2.13 de seu anexo, que a execução dos testes laboratoriais remotos – TLR (point-of-care) e de testes rápidos (IgM/IgG) pode ser realizada próximo ao paciente (nas instalações das empresas, por exemplo) e deve estar vinculada a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar.

  1. É possível fazer testes rápidos “em massa” em minha empresa/instituição?

Sim. É recomendada a testagem em massa com testes rápidos (IgM/IgG) em grupos envolvidos em atividades essenciais, tais como profissionais que atuam nas áreas de saúde (hospitais, farmácias, vigilância sanitária etc.), segurança pública, limpeza urbana, de suprimento (postos de combustíveis, supermercados etc.), dentre outras.

Nesses casos, é necessário que os testes sejam feitos por profissionais de saúde devidamente habilitados e treinados e que estes estejam vinculados a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar.

Em todos os casos devem ser observadas as instruções de uso do kit diagnóstico e as LIMITAÇÕES dos testes devem ser devidamente consideradas.

Testes RT-PCR somente devem ser realizados sob indicação médica.

  1. É possível fazer testes rápidos “em massa” em grupos vulneráveis?

Sim. A testagem em massa com testes rápidos (IgM/IgG) em grupos vulneráveis, como penitenciárias, institutos de longa permanência – ILPs (asilos) etc. somente pode ocorrer sob supervisão e/ou autorização das autoridades de saúde. Deve-se ponderar cuidadosamente a relação de benefícios versus riscos de tal ação.

Em todos os casos, as LIMITAÇÕES dos testes devem ser devidamente consideradas.

Testes RT-PCR somente devem ser realizados sob indicação médica.

  1. Vantagens e limitações do teste rápido:
  • Ensaios baseados na detecção de anticorpos IgM/IgG podem apoiar a investigação de surtos e estudos de soro-prevalência. Há diversas opções disponíveis, tanto testes rápidos, quanto ELISA.
  • Atualmente, os testes sorológicos não são recomendados para o diagnóstico da COVID-19 pelo CDC, National Health Service (NHS) e outras organizações de saúde.
  • Um resultado negativo por teste sorológico não afasta a doença. Existe uma preocupação geral quanto ao uso na fase aguda da infecção, pois estes testes detectam a infecção muito tardiamente no curso da doença (geralmente mais de 7 a 10 dias). Alguns estudos demonstraram que nos primeiros 7 dias após o início dos sintomas, menos de 40% dos pacientes apresentam anticorpos detectáveis. Dessa maneira, estes ensaios não devem ser usados para descartar casos nos primeiros dias de doença.
  • A detecção de anticorpos após o 7o dia indica apenas contato prévio com o vírus, mas não confirma a presença de vírus ou infectividade. Os anticorpos detectados podem resultar de uma infecção anterior, e não da infecção aguda que se necessita diagnosticar.
  • Deve-se lembrar que a especificidade dos testes sorológicos pode ser comprometida pela reatividade cruzada com outros coronavírus (ainda não estabelecida) que normalmente estão presentes na população, dificultando a interpretação dos resultados.
  • Até o momento, não há estudos que avaliaram a resposta sorológica de pacientes assintomáticos com COVID-19 ou indicando que a presença de anticorpos IgG significa imunidade contra o SARS-CoV-2.
  • Não existem também, até a presente data, dados consistentes de validação dos testes sorológicos na população brasileira. Mais estudos são necessários para o completo entendimento do papel destes testes na infecção pelo SARS-CoV2.
  • No futuro espera-se o uso de testes sorológicos aprimorados para monitoramento e avaliação da saúde pública e ocupacional.

BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 https://www.who.int/publications-detail/laboratory-testing-for-2019-novel-coronavirus-in-suspectedhuman-cases-20200117

2 https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/13/Diretrizes-COVID-13-4.pdf

3 https://www.who.int/publications-detail/laboratory-testing-for-2019-novel-coronavirus-in-suspectedhuman-cases-20200117

BRITO, F. A.; RESENDE, L.M.H; VIANA, L.G.; XAVIER, S.G.; NEVES, S.P.F. Estratégias laboratoriais para identificação da infecção pelo novo coronavírus. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Departamento de Propedêutica Complementar, Belo Horizonte, 2020. Disponível em: https://www.medicina.ufmg.br/coronavirus/wp-content/uploads/sites/91/2020/04/Estrat%C3%A9gias-laboratoriais-para-identifica%C3%A7%C3%A3o-da-infec%C3%A7%C3%A3o-pelo-novo-coronav%C3%ADrus.pdf

LEMOS, Lucio. Determinação de Anticorpos IgA, IgM e IgG para SARS-COV 2 para monitorar COVID-19. 15p., 2020.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Testes para Covid-19: perguntas e respostas. Brasília, DF. 2020. Disponível em: file:///E:/Documents/1%20Site%20FB/COVID%2019/ANVISA%2014%2005%2020.pdf

Teste do pezinho

TESTES DE TRIAGEM NEONATAL

O termo triagem, do francês triage, significa seleção, separação de um grupo, e define, em Saúde Pública, a ação primária dos programas de detecção –  testes aplicados numa população – de um grupo de indivíduos com maior probabilidade de apresentarem determinadas patologias.

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Desde a década de 60, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a importância da realização dos programas populacionais de Triagem Neonatal, especialmente nos países em desenvolvimento, além de criar critérios para a realização dos mesmos. Continue lendo Teste do pezinho

Hipotireoidismo

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hipotireoidismo é uma disfunção na tireoide (glândula que regula importantes órgãos do organismo).

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Caracteriza-se pela queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina).

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É mais comum em mulheres, mas pode acometer qualquer pessoa, independente de gênero ou idade, até mesmo recém-nascidos – o chamado hipotireoidismo congênito.

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A seguir 13 informações simples sobre o que é importante saber sobre hipotireoidismo:

1. Em recém-nascidos, o hipotireoidismo pode ser diagnosticado através da triagem neonatal, pelo “Teste do Pezinho”.

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2. O Teste do Pezinho deve ser feito, preferencialmente, entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê.

Em caso de resposta positiva ao hipotireoidismo congênito, o tratamento precisa ser iniciado imediatamente, sob rigoroso controle médico, para evitar suas consequências, entre elas o retardo mental. Assim, o bebê poderá ficar curado e ter uma vida normal.

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3. Cerca de um a cada 4 mil recém-nascidos apresenta hipotireoidismo congênito.

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4. Em adultos, na maioria das vezes, o hipotireoidismo é causado por uma inflamação denominada Tireoidite de Hashimoto.

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5. O tratamento do hipotireoidismo é feito com o uso diário de levotiroxina, na quantidade prescrita pelo médico.

Os comprimidos são produzidos em microgramas, variando de 25 a 200 mcg, e não em miligramas (mg) como a maioria dos medicamentos. Por isso, a levotiroxina não deve ser manipulada, pois há maior risco de erro (dosagem, biodisponibilidade etc.).

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6. Para reproduzir o funcionamento normal da tireoide, a levotiroxina deve ser tomada todos os dias, em jejum (no mínimo meia hora antes do café da manhã), para que a ingestão de alimentos não diminua a sua absorção pelo intestino.

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Outros medicamentos devem ser ingeridos pelo menos uma hora após a levotiroxina, para não atrapalhar a absorção da mesma.

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7. Se estiver utilizando a medicação regularmente, e dessa forma mantendo os níveis de TSH dentro dos valores normais, quem tem hipotireoidismo pode levar uma vida saudável, feliz e completamente normal.

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8. Se o hipotireoidismo não for corretamente tratado, pode acarretar alterações das condições  físicas e mentais, além de elevar os níveis de colesterol, que aumentam os riscos de problemas cardiovasculares, entre outros.

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9. Depressão, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso e aumento de colesterol no sangue estão entre os sintomas do hipotireoidismo.

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10. Não se deve confundir hipotireoidismo com hipertireoidismo, pois as disfunções são praticamente opostas. Enquanto no “hipo” existe a diminuição da produção de hormônios, no “hiper“, há o aumento.

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11. Existem casos de  hipotireoidismo subclínico, o que torna ainda mais importante a rotina de consultar seu médico assistente.

 

12. Saiba um pouco mais sobre o  hipotireoidismo.

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http://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-hipotireoidismo/

13. Exames de imagem da tireoide podem ser carcinogênicos?

Orientações: Tireoide, Mamografia e Raio-x

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Atualmente circula na internet um vídeo associando o aumento do câncer de tireoide em mulheres aos exames de mamografias e raios-x dentários, além de questionar a não utilização de protetores nesses casos.

Devido à repercussão do assunto, o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) esclareceu a questão:

Não há comprovação científica que demonstre relação entre os dois exames e o crescimento do câncer de tireoide.

Os endocrinologistas afirmam que, embora alguns estudos tenham sugerido um risco maior de desenvolvimento de câncer de tireoide em pacientes submetidos a tomografias, a mamografias e até mesmo a RX dentários, ainda não existe comprovação de causa-efeito, ou seja, não se pode afirmar que a exposição à radiação ionizante foi a causa de câncer de tireoide em qualquer paciente que tenha sido submetido a tais procedimentos radiológicos.

No entanto,  precauções, incluindo o uso de protetores cervicais e a indicação médica e odontológica criteriosa, podem ser tomadas, especialmente em crianças, que são mais suscetíveis ao efeito da radiação ionizante.

A indicação do uso de protetores é de competência do médico radiologista.

A SBEM reitera a posição do Colégio Brasileiro de Radiologia, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia de “não recomendar o uso do protetor de tireoide em exames de mamografia”.

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http://www.tireoide.org.br/orientacao-tireoide-mamografia-e-raio-x/

Translucência nucal


O exame verifica a quantidade de líquido acumulado na nuca do feto, essa medida indica se há possibilidade de algum problema ou não

Há alguns exames feitos por especialistas durante a gestação que podem dizer se está ou não tudo bem com o bebê em desenvolvimento. Um desses exames é a Translucência Nucal (TN).

A Translucência Nucal é medida durante a ultrassonografia realizada entre a 11a e 13a semana gestacional. A ultrassonografia geralmente é abdominal, mas se a medida não for possível, pode ser necessária a realização da ultrassonografia transvaginal.

Se houver um acúmulo excessivo de líquido na região da nuca do feto, aumenta o risco do bebê ter uma alteração cromossômica, malformações ou alguma síndrome genética.

Vale ressaltar que a TN não faz o diagnóstico, isto é, não oferece certeza absoluta, mas revela um risco grande daquele feto que está com acúmulo de líquido na região da nuca apresentar alguma alteração.

Fazer um diagnóstico de alguma alteração precoce é fundamental para a realização de um tratamento precoce.

Síndrome de Down

A mais conhecida das alterações cromossômicas é a Síndrome de Down. Além da TN, a idade materna e a história anterior na família de alteração cromossômica são importantes para calcular os riscos.

Para se ter certeza do diagnóstico de Síndrome de Down é preciso realizar outros exames como o estudo de cariótipo fetal (aminiocentese).

Dos fetos que apresentam a TN aumentada e o cariótipo normal, há riscos  de malformações do coração, síndromes genéticas ou mesmo o não desenvolvimento pleno do feto resultando em abortos espontâneos ou morte intrauterina.

Se a mãe tiver 25 anos, o risco inicial é de 1/430. Isto é, a cada 430 gestantes, 1 poderá ter um filho com anomalia cromossômica. Caso tenha 35 anos, o risco sobe para 1/125.

Mas esse número pode aumentar ou diminuir de acordo com os fatores já mencionados, entre os quais a idade da mulher e a história na família de alterações (risco ajustado ou individual).

Como é um exame simples e não invasivo, ou seja, não há risco para mamãe e nem para bebê, esse exame deve ser realizado rotineiramente no pré-natal.

A partir do cálculo desse risco deve-se então verificar a necessidade de se realizar exames mais invasivos para se ter a certeza do diagnóstico, possibilitando tratamento mais específico e o aconselhamento genético para o casal sobre as possíveis anomalias do seu bebê.

Dicas

  • A Translucência Nucal também proporciona verificar com mais precisão a idade gestacional da mulher, facilitando o acompanhamento do crescimento fetal.
  • Caso a TN estiver aumentada, não tenha medo e pergunte tudo o que lhe passar pela cabeça na consulta médica.
  • Quanto mais conhecer o seu bebê, melhor você vai poder cuidar da maior preciosidade que você carrega.

http://guiadobebe.uol.com.br/translucencia-nucal/

 

Saiba mais

Evolução perinatal e pediátrica de crianças com translucência nucal aumentada e cariótipo normal

Lívia Adriano VieiraI; Sônia Valadares Lemos SilvaII; Roberto Buenfil de FariaIII; Umberto Gazi LippiIII; Reginaldo Guedes Coelho LopesI

IServiço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital do Servidor Público Estadual “Francisco Morato de Oliveira” – HSPE-FMO – São Paulo (SP), Brasil
IISetor de Medicina Fetal do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital do Servidor Público Estadual “Francisco Morato de Oliveira” – HSPE-FMO – São Paulo (SP), Brasil
IIISetor de Obstetrícia do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital do Servidor Público Estadual “Francisco Morato de Oliveira” – HSPE-FMO – São Paulo (SP), Brasil.

 

Introdução

A partir do início da década de 1990, vários trabalhos associaram a presença de uma quantidade anormal de fluido na região da nuca fetal, no primeiro trimestre da gestação [translucência nucal (TN) aumentada], com um aumento do risco de cromossomopatias1-8.

Diferentes mecanismos fisiopatológicos foram propostos para explicar uma TN aumentada no fim do primeiro trimestre da gestação, entre eles as disfunções cardíacas, as anormalidades na matriz extracelular, o desenvolvimento anormal do sistema linfático, as limitações dos movimentos fetais, a anemia fetal ou a hipoproteinemia e as infecções fetais5,9,10.

Posteriormente, a medida da TN no primeiro trimestre da gestação passou a ser utilizada como método de rastreamento para cromossomopatias, podendo identificar cerca de 80% dos fetos acometidos para um falso positivo de 5%6-8,11.

Quando utilizada juntamente com a idade materna e marcadores bioquímicos do primeiro trimestre, tem uma sensibilidade de 90%, passando a 95% quando acrescida da avaliação do osso próprio do nariz, para um falso positivo de 5%12-14.

A TN está aumentada em cerca de 4,5% dos fetos cromossomicamente normais15, os quais permanecem, porém, com risco elevado de defeitos estruturais, principalmente cardíacos, e resultados gestacionais adversos, como abortamento, óbito fetal ou neonatal, síndromes genéticas e atraso no desenvolvimento neurológico16-22.

Em um estudo com 179 fetos com o cariótipo normal e a TN acima do percentil 99, foram encontradas, entre os 162 nascidos vivos acompanhados até os 2 anos de idade, alterações em 11%, sendo metade com defeitos cardíacos23-25.

Outro estudo que analisou 451 fetos com o cariótipo normal e a TN acima do percentil 95 (P95) detectou 19% de resultados adversos18. Em 834 fetos com a TN >3,0 mm em parte deles e acima do P95 na parte restante, encontrou-se 11% de resultados adversos20.

Uma recente revisão sistemática observou que 44% dos fetos com cariótipo normal e defeitos cardíacos congênitos tinham a TN acima do percentil 95 e 20%, acima do percentil 9923. Em fetos euploides, quanto maior a TN, maior a probabilidade de resultados adversos perinatal, variando de 8% nos casos de TN no P95-3,4 mm a 80% nos casos de TN >6,5 mm18. O número de anormalidades relacionadas ao aumento da TN não é conhecido. Entretanto, grande parte dos fetos com TN aumentada se mostram neonatos saudáveis26. Portanto, TN aumentada não significa necessariamente anormalidade fetal e, sim, risco aumentado para tal.

Alguns autores têm relacionado casos de TN aumentada com déficit no desenvolvimento neurológico pós-natal16,27,28, mas em uma revisão recente, os autores concluíram que em fetos com TN aumentada, cariótipo normal e exame ecográfico morfológico normal, o risco de déficit no desenvolvimento neurológico pós-natal não é superior ao da população geral29.

O presente estudo tem como objetivo a avaliação pré e pós-natal dos casos com TN aumentada e cariótipo normal em um serviço terciário da região sudeste do Brasil, visando ao aconselhamento dos casais a respeito do resultado do exame.

Métodos

Foi realizado um estudo retrospectivo no setor de medicina fetal do serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital do Servidor Público Estadual “Francisco Morato de Oliveira” (HSPE-FMO) durante o período compreendido entre janeiro de 2005 e dezembro de 2011. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Instituição.

Durante esse período, as gestantes da população geral foram submetidas à avaliação ultrassonográfica de rotina para o rastreamento de aneuploidias entre a 10ª e a 14ª semanas, e a TN foi medida seguindo as normas recomendadas pela Fetal Medicine Foundation (FMF), de Londres (www.fetalmedicine.com), quando o comprimento cabeça-nádega fetal (CCN) encontrava-se entre 45-84 mm.

A TN aumentada foi definida como uma medida acima do percentil 95 para o CCN, segundo a curva de Wright et al30. Após o cálculo do risco ajustado (idade materna, CCN e TN), quando ele se encontrava <1:100, foi oferecida a pesquisa citogenética à paciente. Esta foi realizada nos casos com consentimento pela biópsia de vilo corial (até a 14ª semana) ou amniocentese (após a 16ª semana).

Um exame ultrassonográfico foi realizado pela via transabdominal (transdutor multifrequencial de 3,0-6,0 Mhz, Toshiba Xario, Toshiba medical do Brasil), e por meio de um corte sagital do feto, foi medido o CCN e a espessura máxima da TN.

Nos casos com TN aumentada, as pacientes foram encaminhadas para a realização de ecocardiografia fetal, exame morfológico entre a 20ª e a 24ª semana, e nova avaliação morfológica no terceiro trimestre (entre a 28ª e a 34ª semana).

Os resultados pós-natal foram obtidos pela análise dos prontuários e/ou por contatos telefônicos. No nascimento, foram analisados a idade gestacional, o peso, o comprimento e o índice de Apgar no primeiro e quinto minutos.

O seguimento pós-natal de rotina foi realizado pelo pediatra e teve como objetivo avaliar o crescimento pós-natal, habilidades psicomotoras e da fala, bem como a interação com a criança. Características associadas a síndromes genéticas foram também investigadas. O acompanhamento variou de seis meses a sete anos, e os seus dados foram obtidos por meio da análise dos prontuários.

A avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor se deu por intermédio do AgesandStages Questionnaire (ASQ), que foi respondido pelas mães por contato telefônico. O ASQ foi desenvolvido em 1980 como uma ferramenta de triagem para ser respondida pelos pais com o objetivo de detecção precoce dos problemas de desenvolvimento infantil.

Ele consiste em uma série de 19 questionários que compreendem o período de desenvolvimento entre 4 meses e 5 anos de idade. Cada questionário contém um conjunto de 30 perguntas que representam 5 domínios: comunicação, atividades motoras grossas e finas, resolução de problemas e habilidades sociais31. Em 27 crianças (64%) foi realizada ecocardiografia pós-natal.

Para a comparação entre proporções, fez-se uso do teste χ2 ou teste exato de Fisher, e, para a comparação entre as médias, foi utilizado o teste t de Student ou o teste não-paramétrico de Mann-Whitney. O nível de significância utilizado para os testes foi de 5%.

Resultados

Das 3.014 pacientes que foram submetidas à avaliação ultrassonográfica de rotina para o rastreamento de aneuploidias entre a 10ª e a 14ª semanas, a idade materna variou de 14 a 47 anos, com média de 32 anos, e o CCN variou de 45 a 84 mm, com média de 64 mm, correspondendo a 12 semanas e 5 dias de gestação (variação de 10 a 14 semanas). Dessa amostra, 116 pacientes apresentavam a TN acima do P95 (3,8%). Em 79 delas, o cariótipo era conhecido. Destas, 43 (54,4%) apresentavam cariótipo normal e 36 (45,6%) alterado.

Entre os cariótipos alterados, observaram-se 14 casos de trissomia do cromossomo 21, 9 de trissomia do 18; 3 de trissomia do 13; 2 casos de monossomia X; 2 casos de 47XXX e um caso de cada das seguintes: 1 de mosaico do 18, 69XXX, 45XY,der(13;14)(q10;q10), 1 caso de 46XY,13 ps+pstk+, 46XY,del(6)(q25) e 46XY,9ph[14]. Destes, 89% apresentavam a TN >3 mm (Tabela 1).

A média de idade das pacientes com TN aumentada foi de 33 anos (variação de 18 a 45 anos e desvio padrão (DP) =7 anos), sendo 32 anos no grupo com cariótipo normal (variação de 19 a 43 anos, DP=6 anos) e 35 anos no grupo com cariótipo alterado (variação de 17 a 46 anos, DP=8 anos). Pelo teste t de Student, observou-se que os grupos não diferem em relação à idade (p=0,14).

A média das medidas das 116 TN aumentadas foi de 3,8 mm (variação de 2,2 a 17,1 e DP=2,0), sendo 5,5 mm (variação de 2,0 a 16,0 mm e DP=3,7) no grupo com cariótipo alterado e 3,5 mm (variação de 2,3 a 8,1 mm e DP=1,4) no grupo com cariótipo normal. Pelo teste não-paramétrico de Mann-Whitney, observou-se que os grupos diferem em relação ao valor da TN (p<0,05). O grupo com cariótipo alterado apresenta maior valor de TN do que o grupo com cariótipo normal.

Dos casos com cariótipo normal, 97,7% (42/43) foram submetidos à ultrassonografia de segundo trimestre, e somente um caso não participou devido a abortamento espontâneo na 15ª semana de gravidez. Dos 42 casos restantes, em 73,8% (31/42) foram registrados achados normais e em 26,2% (11/42) foram achados ultrassonográficos anormais (Tabela 2). Entre os 11 casos com alteração morfológica, 45,4% deles (5/11) foram malformações maiores detectadas no período pré ou pós-natal, dos quais 80% (4/5) cardíacas.

Em todos os 42 casos, realizou-se ecocardiografia fetal pré ou pós-natal. Destes, 90,4% foram normais (38/42) e 9,5% (4/42) apresentaram alterações: 2 casos de comunicação interventricular (CIV), 1 ventrículo único e 1 de associação de persistência do canal atrial (PCA) com comunicação interatrial (CIA).

A evolução completa da gestação foi conhecida em todos os casos com cariótipo normal. Dos 72% dos casos (31/43) com exame morfológico-ecocardiográfico normal, 93,5% (29/31) resultaram em nascidos vivos e bem.

Os outros 6,5% (2/31) tiveram desfechos desfavoráveis, dos quais 2 casos apresentavam associação entre alteração no neurodesenvolvimento e defeitos estruturais. Já nos 28% dos casos com exame morfológico-ecocardiográfico alterado (12/43), 66,7% (8/12) resultaram em nascidos vivos e bem e 33,3% (4/12) em desfechos desfavoráveis, sendo 1 caso de abortamento com 15 semanas de gestação (pentalogia de Cantrel), 1 óbito intrauterino com 24 semanas gestacionais (múltiplas malformações na ultrassonografia de primeiro trimestre), 1 óbito neonatal com 27 dias de vida (sem causa conhecida) e 1 caso de CIV (Figura 1).

Todos os 40 sobreviventes tiveram seguimento pós-natal. O tempo médio de acompanhamento foi de 39,7 meses (variação de 6 a 70 meses e DP=18,8). A média da idade gestacional no nascimento foi 38,5 semanas (variação de 33 a 42 semanas e DP=2,0). A média dos valores de Apgar no 1º e 5º minutos foram, respectivamente, 8 (variação de 2 a 9 min e DP=1,4) e 9 (variação de 7 a 10 min e DP=0,8). A média dos pesos ao nascer foi de 3.166 gramas (variação de 1.810 a 4.290 g e DP=509,5), e a média das estaturas ao nascer foi de 47 cm (variação de 41 a 53 cm e DP=3,1).

Alterações do neurodesenvolvimento foram notadas em 5% dos casos (2/40). Uma criança apresentou atraso no desenvolvimento da fala (que normalizou aos três anos de idade), e uma teve quadro de autismo, ambos diagnosticados aos dois anos de idade. Os demais casos resultaram em desenvolvimento neurológico normal.

A probabilidade de uma gestação com TN aumentada resultar em cariótipo normal é de 68,8% quando o valor da TN está entre o P95 e 2,9 mm; de 66,6% quando está entre 3,0 e 3,9 mm; de 37,5% quando está entre 4,0 e 4,9 mm e de 28,5% se o valor for >5,0 mm. No grupo com cariótipo normal, a probabilidade do exame morfológico-ecocardiográfico ser normal varia de 83,3% quando a TN está entre 3,0 e 3,9 mm a 50% quando a TN está >5,0 mm. Já nos casos nos quais tanto o -cariótipo quanto o exame morfológico-ecocardiográfico são normais, a probabilidade dessa gestação resultar em um recém-nascido vivo e bem chega próximo a 100% (Tabela 3).

Observou-se que quanto maior a TN, maior a razão de probabilidade estimada de cariótipo alterado, sendo 1,1 (p=0,880) no intervalo de TN de 3,0 a 3,9 mm; 3,7 (p=0,115) no intervalo de 4,0 a 4,9 mm e 5,5 (p=0,006) quando a TN é > 5,0 mm, sendo significante nesse caso.

Discussão

O presente estudo reforça a forte associação existente entre TN aumentada entre 10 a 14 semanas e cromossomopatias. Cerca de 45% dos casos estudados apresentaram anormalidades cromossômicas, o que está de acordo com Senat et al.32, embora haja divergência na literatura6,17-20,33.

Essa diferença pode ser explicada pelos diferentes pontos de corte utilizados na classificação de TN aumentada e no fato de que neste estudo as pacientes que optaram pela pesquisa do cariótipo fetal apresentavam a TN em um valor mais elevado (média 5,5).

Aproximadamente 4% das pacientes rastreadas para aneuploidias no primeiro trimestre apresentaram TN acima do P95, o que foi concordante com outros estudos17,33, porém discordante de Bilardo et al.29, que encontraram 8,6% de TN acima desse percentil. Essa diferença poderia ser explicada pela média de idade mais elevada das pacientes nesse grupo.

Nos casos com cariótipo normal, este estudo confirma a relação entre TN aumentada e anomalias estruturais, principalmente cardíacas e resultados adversos, como abortamento, perda fetal e neonatal.

As anomalias estruturais foram detectadas em 9,5% dos fetos, estando de acordo com outros estudos18-20,33, sendo que 80% delas eram cardíacas. A literatura mostra a predominância de alterações cardíacas entre as anomalias estruturais6,17-20,24,25,34.

Um importante estudo de revisão mostra que a prevalência de anormalidades fetais maiores na população com TN normal é de 1,6%, havendo uma elevação exponencial com o aumento da TN, sendo 1,5 vezes maior em casos de TN entre os percentis 95 e 99 (2,5%) e quase 30 vezes maior em TN >6,5 mm (46,2%)16.

Em relação às perdas fetais, o presente estudo apresentou 4,6%, taxa bem superior à encontrada na população com cariótipo e TN normal (1,3%)16.

Uma revisão recente mostra aumento da taxa de perda fetal e redução da sobrevida com o aumento do valor da TN. Quando a TN encontra-se no intervalo de P95 a 99, a taxa de perda fetal é de 1,3% e a de RN sem alterações é de 97%. Contudo, quando a TN encontra-se >6,5 mm, a taxa de perda fetal é elevada a 19% e a de RN sem alterações, a 15%16.

Apesar de haver um aumento na taxa de resultados adversos nos casos com TN aumentada e cariótipo normal, este estudo demonstrou que a avaliação pós-natal do neurodesenvolvimento, com segmento médio de 3,3 anos, mostrou alguma normalidade em 5% dos casos, o que não é superior a da população geral. Outros estudos confirmam achado16,18,24,25,29.

Quanto à avaliação pós-natal, ela foi normal (nascidos vivos e bem) em 92,5%. Quanto aos resultados adversos, tanto de ordem morfológica quanto funcional, estes ocorreram em 13,9%, comparado com 11% no estudo de Ayras et al.20, 19% no de Bilardo et al.18, 23% no de Souka et al.16, e 24% no de Tahmasebpour et al.19 

No grupo com exame ultrassonográfico pré-natal normal e eventos adversos (6,5%), houve 2 casos com alteração no desenvolvimento e defeitos estruturais cardíacos, sendo um caso de autismo e CIV leve diagnosticada em ecocardiografia pós-natal e um caso de atraso na fala e CIA e PCA também diagnosticada no exame pós-natal. Já no grupo com exame ultrassonográfico pré-natal alterado, mas nascidos vivos e bem (66,7%), o principal achado foi o espessamento da prega nucal, no segundo trimestre da gestação, sem demais alterações. Uma única criança apresentou rim multicístico unilateral e no pós-natal apresentava vida normal, com o funcionamento adequado do rim contralateral.

Simplificando, este estudo mostrou que um a cada seis fetos vivos, com TN aumentada e cariótipo normal, apresenta algum resultado adverso. Entretanto, quando o seguimento morfológico-ecocardiográfico do segundo trimestre se mostra normal, resultados favoráveis ocorrem em 93,5% dos casos.

Os dados deste estudo possibilitaram um melhor aconselhamento aos pais de fetos com TN aumentada e cariótipo normal. Diante deles, pode-se concluir, para a população estudada, que nos casos em que não há alterações adicionais ao acompanhamento ultrassonográfico morfológico-ecocardiográfico, os pais podem ser tranquilizados quanto à alta probabilidade da criança nascer viva e bem (93,5%) e à probabilidade de anomalias estruturais residuais e alterações no neurodesenvolvimento não ser maior que na população geral.

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VIEIRA, Lívia Adriano et al. Evolução perinatal e pediátrica de crianças com translucência nucal aumentada e cariótipo normal. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2013, vol.35, n.6 [citado  2016-12-21], pp.274-280. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032013000600007&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0100-7203.  http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032013000600007.

Osteoporose em homens

O tema escolhido para a campanha de conscientização do Dia Mundial da Osteoporose (20 de outubro) pela Fundação Internacional da Osteoporose (IOF), há 2 anos, foi osteoporose em homens.

http://jblog.jb.com.br/asuasaude/files/2016/04/osteoporose-causas-sintomas-tratamento.jpg

O texto completo do relatório da IOF está disponível em http://share.iofbonehealth.org/WOD/2014/thematic-report/WOD14-Report.pdf).

Este alerta em escala global corroborou o momentum de atenção para a osteoporose nos homens, confirmado pela publicação de um guideline da Endocrine Society em junho de 2012 Watts et al. J Clin Endocrinol Metab 2012; 97(6):1802-22).

http://1.bp.blogspot.com/-OymMnzfhXTs/T-LMxKl8SqI/AAAAAAAACTo/VQdaLvKW2eQ/s1600/images+osteoporosis+men.jpg

A dimensão do problema

A osteoporose em homens é uma doença comumente negligenciada. Enquanto que nas mulheres a osteoporose é ativamente investigada e tratada, nos homens muitas vezes ela não é reconhecida, mesmo frente à ocorrência de fraturas de fragilidade (aquelas fraturas decorrentes de baixo impacto ou de queda da própria altura).

http://e-endo.com/wp-content/uploads/2012/09/Men-osteoporosis.jpg

A estrutura óssea masculina

De fato, o osso dos homens tem peculiaridades que os protegem de fraturas, como uma geometria mais favorável dada pelo maior diâmetro dos ossos longos, e menor perda de massa óssea com o envelhecimento em comparação com as mulheres.

Mesmo assim, dados alarmantes apresentados no relatório da IOF mostram que quase 40% de todas as fraturas de fragilidade acontecem em homens, que a mortalidade após fratura de fêmur é maior nos homens, e que o risco de fratura de fragilidade em homens com mais de 50 anos de idade é 27% maior do que o risco de desenvolver câncer de próstata, um problema que ganha muito mais atenção na saúde masculina.

http://files.sambemat.com.br/200000549-af351b02f2/cientistas_descobrem_cura_para_osteoporose.jpg

O papel da testosterona

Durante muito tempo se atribuiu importante papel à testosterona na regulação do metabolismo ósseo, permitindo extrapolar que este hormônio traria especial proteção contra o desenvolvimento de osteoporose nos homens.

O grupo de pesquisa liderado por Sundeep Khosla na Mayo Clinic foi instrumental em destrinchar a real contribuição da testosterona na remodelação óssea: de fato, a contribuição direta da testosterona é pequena, mas já o estradiol gerado a partir da aromatização periférica da testosterona tem, sim, papel principal regulando reabsorção e formação óssea nos homens (estes achados estão resumidos em Endocrinol Metab Clin North Am 2012; 41(3):629-41).

Está claro que a testosterona influencia a saúde óssea através do estímulo para a expansão óssea e formação de osso subperiosteal (resultando em geometria protetiva) e do estímulo para o trofismo muscular, essencial à formação óssea.

Entretanto, o reconhecimento do papel do estradiol no osso do homem embasa a perda de massa óssea com o envelhecimento e “andropausa”, à semelhança da menopausa nas mulheres, e tem implicações na definição de estratégias terapêuticas nos homens com osteoporose.

http://www.colegioweb.com.br/wp-content/uploads/2014/02/osteoporose2.jpg

O guideline da Endocrine Society (2012)

A diretriz preparada pelo grupo de especialistas nomeados pela Endocrine Society traz recomendações práticas para o diagnóstico e tratamento da osteoporose masculina.

Alguns pontos:

  • Na avaliação inicial do homem com osteoporose, é importante se investigar e descartar causas de osteoporose secundária, que podem acometer até 40% destes indivíduos. Destacam-se como causas de osteoporose secundária nesta população o hipogonadismo, o excesso de glicocorticoide, alcoolismo e tabagismo, a hipercalciúria, os estados de disabsorção intestinal e a doença pulmonar obstrutiva crônica, dentre muitas outras.
  • A avaliação por densitometria óssea (DXA) está indicada em todos os homens com mais de 70 anos, e naqueles com mais de 50 anos que apresentem um ou mais fatores de risco para fraturas, como histórico pessoal ou familiar de fraturas de fragilidade, baixo índice de massa corpórea, quedas frequentes, antecedente de AVC ou demência, ou qualquer causa de osteoporose secundária. O documento da Endocrine Society traz uma lista completa destes fatores de risco.
  • Frente a um homem com osteoporose e alto risco de fraturas que apresente hipogonadismo laboratorial (testosterona sérica inferior a 200 ng/dl), não basta tratar o hipogonadismo com reposição de testosterona – há que se adicionar de princípio droga anti-fratura para proteção específica do osso.

https://auladepatologia.files.wordpress.com/2009/12/osteoporose.jpg

Atenção aos homens em terapia de privação androgênica no tratamento do câncer de próstata.

https://genderedinnovations.stanford.edu/images/osteoporosis_2.jpg

Terapia de privação androgênica (ADT)

Dentre as subpopulações de homens com osteoporose, tanto o guideline quanto a literatura médica mais recente chamam a atenção para o alto risco de fraturas dos homens em terapia de supressão do androgênio ou terapia privação androgênica (ADT, do inglês androgen deprivation therapy) para o tratamento do câncer de próstata.

http://spinehealth.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/osteoporosis.jpg

Diversos estudos detalharam os efeitos da ADT no esqueleto, que podem ser resumidos em:

1) aumento rápido e mantido da remodelação óssea;

2) perda rápida de massa óssea mensurada por DXA, principalmente nos primeiros 6 meses de ADT e

3) perda progressiva de massa muscular.

Provavelmente, os efeitos 1 e 2 são mediados pela diminuição do estradiol e o efeito 3 diretamente pela diminuição da testosterona.

O resultado combinado destes três efeitos é o aumento cumulativo do risco de fraturas em homens em ADT, bem documentado por diversos estudos em diferentes populações.

http://www.helpinghandsnj.com/wp-content/uploads/2014/10/bigstock-Osteoporosis-in-word-collage-38927227.jpg

Ainda há controvérsia entre os especialistas se todos os homens em ADT para tratamento de câncer de próstata necessitam tratamento de princípio com droga anti-fratura. Faltam estudos clínicos randomizados justificando essa abordagem, e a maioria dos consensos sugere que o estado de hipogonadismo induzido pela ADT seja interpretado como um fator de risco a mais na avaliação da decisão terapêutica.

Em outras palavras, um homem iniciando ADT que tenha massa óssea normal e baixo risco de fratura provavelmente não necessita de droga anti-fratura específica. É importante, entretanto, que a decisão seja individualizada, que todos os fatores de risco de fratura sejam considerados e que estes homens sejam avaliados clinicamente e com DXA.

http://www.samarilar.com.br/wp-content/uploads/2014/04/exercicios_resistencia_ajudam_a_conter_o_avanco_da_osteoporose.jpg

Em todos os indivíduos em risco de osteoporose, práticas para boa saúde óssea devem certamente ser promovidas, como adequação nutricional em cálcio e vitamina D, atividade física, cessação do tabagismo e redução da ingesta alcoólica.

http://www.mygenesishealth.com/treatment-options/bone-health/images/osteoporosis-men.jpg

Perspectivas futuras

O maior entendimento dos mecanismos que propiciam a osteoporose nos homens vem trazendo algumas perspectivas futuras para o tratamento desta condição.

http://i0.statig.com.br/bancodeimagens/9b/50/ez/9b50ezrvzd4i64oh5nqd9aqjw.jpg

Busca-se desenvolver moduladores seletivos do receptor androgênico que tragam benefício para a saúde óssea, com a ressalva de que a ausência de ação específica em vias estrogênicas provavelmente não trará benefício direto na remodelação, mas com potencial melhora da geometria óssea e da trofia muscular.

Paralelamente, também se buscam alternativas terapêuticas capazes de promover a hipertrofia muscular e que indiretamente estimulariam a formação óssea, como através da inibição da miostatina e de outras vias de controle do músculo, a nova fronteira da pesquisa no sistema musculoesquelético.

Embora ainda não haja nenhum agente desta natureza aprovado para uso clínico, o futuro parece promissor para o tratamento da osteoporose nos homens.

É essencial, portanto, que estejamos alerta para esta condição e reconheçamos, sempre, os homens em risco.

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Fonte: http://www.blog.endocrinologia.org.br/?p=293

Bruno Ferraz de Souza, Membro Especialista da SBEM, Comissão de Novas Lideranças

Preparo de exames laboratoriais

sangue

GLICOSE, CORTISOL,  HORMÔNIO DO CRESCIMENTO:

Jejum de 8 a 14 horas.

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COAGULOGRAMA (TAP, PTT)

Jejum de 5 horas no mínimo.

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TRIGLICERÍDEOS, COLESTEROL HDL, LDL, APOLIPOPROTEÍNA A e B , LIPOPROTEÍNA B

Jejum de 12 a 14 horas. Não deve ser menor do que 12 h e nem maior do que 14 horas.

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PSA

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  • Não é necessário jejum.
  • 3 dias de abstinência sexual, sem andar de bicicleta, moto ou a cavalo.saiba-quais-sao-os-6-exames-que-avaliam-a-prostata-640-427

DEMAIS EXAMES

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Observar orientação médica ou seguir o padrão abaixo:

  1. O jejum mínimo é de 3 horas.
  2. Alguns parâmetros não sofrem alterações com o jejum.
  3. Alguns laboratórios preferem amostras em jejum de, no mínimo, 8 horas, pois além de padronizar melhor as condições pré-analíticas, oferece menos interferentes.

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Urina

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ELEMENTOS ANORMAIS E SEDIMENTOS (EAS)

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Como coletar:
  • Fazer a higiene adequada na região genital com água e sabão, tendo o cuidado de enxaguar bem.
  • Deixar a urina sair.
  • Coletar o “meio da urina” (nem a parte inicial nem a final).
  • Enviar imediatamente ao laboratório .
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Observações importantes:
  • Para a coleta não se deve interromper o jato urinário.
  • Caso não haja possibilidade de enviar logo ao laboratório, guardar em geladeira.
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URINOCULTURA  (CULTURA DE URINA)
Como coletar:
  • Fazer a higiene adequada na região genital com água e sabão, tendo o cuidado de enxaguar bem.
  • Deixar a urina sair.
  • Coletar o “meio da urina” (nem a parte inicial nem a final).
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Observações:
  • Esse exame deve preferencialmente ser colhido no laboratório.
  • O recipiente só pode ser aberto na hora em que já está urinando.
  • Cuidado para não tocar a parte da tampa que ficará em contato com a urina.
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  • O recipiente deverá ser aberto o mínimo de tempo possível.
  • Caso não haja possibilidade de realizar a coleta no laboratório, os procedimentos acima terão que ser respeitados, acrescentando os seguintes:
    1. Anotar a hora da coleta;
    2. Remeter ao laboratório imediatamente em um isopor com gelo;
    3. Há de se respeitar um intervalo máximo de 30 minutos entre a coleta e a entrega no laboratório.
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URINA DE 24 HORAS

 

 Como coletar:
  • A urina deverá ser colhida durante 24 horas, rigorosamente.
  • No primeiro dia, ao acordar, desprezar a primeira urina da manhã e anotar o horário.
  • Colher todo o volume das outras urinas até o dia seguinte, no mesmo horário marcado na véspera.
Observações:
  1. O volume urinário é fundamental para a determinação, por isso não se pode perder nenhuma parte da urina durante as 24 horas da coleta.
  2. Toda a urina deverá ser guardada em geladeira.
  3. O recipiente (frasco) usado para a coleta deve ser de água mineral (garrafa de refrigerante não serve).
  4. Trazer anotado o peso atual e altura do paciente.
CULTURA DO ESCARRO
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Como coletar:

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  • Colher a primeira secreção respiratória (escarro) da manhã.
Resultado de imagem para cultura de escarro
Observações:
  • Antes de colher o material é necessário que se faça higiene bucal como a seguir:
    • a) diluir uma colher das de sopa de água oxigenada 10 vol. em 1 copo de água (200 ml) previamente filtrada e fervida;
    • b) Após a escovação dentária normal, fazer bochecho com a solução de água oxigenada preparada;
    • c) Depois, retirar toda a solução de bochecho com água filtrada e fervida;
    • d) Deve-se evitar escarros muito diluídos em salivas;
  • O frasco de coleta só deverá permanecer aberto o tempo necessário para o envasamento do material.
PESQUISA DE CÉLULAS NEOPLÁSICAS (ESCARRO DE 24 HORAS)
Como coletar:
  • Coletar no frasco fornecido pelo laboratório todo o material eliminado durante 24 horas.
Observações:
  • Cada vez que colocar o escarro no frasco, este deve ser bem agitado, a fim de se tentar uma homogeneização com a solução fixadora.
  • O frasco não deve ser guardado em geladeira.
PARASITOLÓGICO (FEZES FRESCAS), ELEMENTOS ANORMAIS NAS FEZES E SANGUE OCULTO
Como coletar:
  • Colocar as fezes recém emitidas no frasco fornecido pelo laboratório até aproximadamente dois terços do volume total.
Observações:
  • Deve-se evitar o contato da urina com as fezes.
  • Dar preferência a porção das fezes que contenha muco e/ou sangue.
PARASITOLÓGICO (MIFC)
Como coletar:
  • A cada dia separar 1 (uma) pazinha de fezes e colocar no líquido conservante, tendo o cuidado de dissolver essa pequena porção no líquido.
Observações:
  • Esse procedimento deve se repetir tantas vezes quantas o seu médico indicar (geralmente, de 3 a 5 dias).
  • A cada amostra, a porção de fezes precisa ser dissolvida no líquido.
  • O recipiente deve permanecer em lugar fresco (não guardar em geladeira).
  • Não há necessidade de todas as coletas serem efetuadas em dias consecutivos.
  • Dar preferência à porção de fezes que tenha muco ou sangue.
  • Deve-se evitar o contato da urina com as fezes.

http://laboratoriomorales.com.br/exames.html

exames-laboratoriais

Perguntas frequentes

Água quebra o jejum?
  • Não. Pode-se beber água respeitando o hábito do paciente.
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Posso tomar remédio antes da coleta dos exames?
  • Sim, porém e indispensável que se anote o nome e informe a recepcionista (a recepcionista questionará). Essa medida é muito importante, pois alguns remédios interferem nas dosagens.
É importante informar ao laboratório o uso de vitaminas?
  • Sim, vitaminas são substâncias químicas que reagem em algumas determinações sendo importante notificar ao Laboratório.
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Posso fumar antes de colher o sangue?
  • Não deve. Porém há que se estar atento, pois a falta do fumo, para algumas pessoas, gera um poderoso interferente que é o stress. O paciente junto com o laboratório devem pesar os dois braços desta balança.
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Posso fazer uso de bebida alcoólica na véspera do exame?
  • Não deve. Mesmo 72 horas antes, a ingestão do álcool pode alterar principalmente o perfil lipídico (Colesterol, Triglicérides, HDL-Colesterol, LDL-Colesterol) e exames que avaliam a função do fígado.
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Pode-se colher sangue gripado ou com febre?

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  • Se for exame de rotina não deve, pois a virose e/ou febre causam alterações de parâmetros sanguíneos específicos do episodio viral/febril. Se for exame de urgência/emergência, pode. Neste caso anotar o evento (virótico etc.) para comunicar a seu médico.
Pode-se colher sangue menstruada?
  • Importante informar ao laboratório a data do inicio da menstruação no caso e haver dosagens hormonais (a recepcionista questionará). Ficar atento também a alguns parâmetros hematológicos que podem variar dependendo da intensidade do sangramento.
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O exame de sangue tem que ser sempre em jejum?
  • O jejum mínimo é de 3 horas.
  • Alguns parâmetros não sofrem alterações com o jejum.
  • Porém, alguns laboratórios preferem amostras em jejum de, no mínimo, 8 horas.
  • Além de padronizar melhor as condições do paciente, oferecem menos interferentes.
O exame pode ser feito à tarde?
  • No nosso organismo a concentração de muitas substâncias é modificada de acordo com o horário do dia. Por exemplo, cortisol, ferro etc. Sendo assim, os valores de referência devem ser examinados com cautela pois foram estabelecidos para amostras matinais.
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Posso fazer atividade física antes de colher o sangue?
  • Não deve, pois os exercícios físicos podem alterar (para mais ou para menos) alguns parâmetros.
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Por que o local da punção pode ficar roxo?
  • No local onde a agulha perfurou a veia forma um pequeno “coágulo”.
  • Um exercício, mesmo carregar peso, às vezes até a movimentação normal pode tirar esse “coágulo” do lugar e a região pode voltar a sangrar.
  • O sangue sai da veia e se acumula por baixo da pele (hematoma).
  • Hematoma é aquele “roxo” que surge quando alguém se machuca (foto). A área pode ficar sensível, dolorida, pois a absorção do sangue produz substâncias que são irritantes.
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O que devo fazer se meu braço ficou roxo?
  • Entrar em contato com os responsáveis pelo laboratório que eles o orientarão.
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Estou muito estressada, não dormi bem à noite posso fazer o exame de sangue rotineiro.
  • Não deve.
A urina tem que ser a 1ª da manhã?
  • A preferência por essa amostra é por se tratar de uma urina mais concentrada (já que à noite se bebe menos água) e assim pode-se detectar a presença de “elementos anormais” com maior facilidade.
Por que o exame de cultura de urina não deve ser colhido em casa?
  • Porque o tempo entre coleta e processamento do material é fundamental.
  • Quanto mais tempo passar, maior o risco de um resultado superestimado (equivocado).
  • Colhendo no laboratório, pode-se ter um controle mais eficaz desse importante item e assim obter resultados mais confiáveis.
Nunca poderei colher em casa minha cultura?
  • Em caso de pacientes acamados, com severas dificuldades para locomoção, a urina poderá ser colhida e aceita com restrições.
  • Sempre se houver possibilidade, a urina para exame de cultura deve ser colhida no laboratório.
Urina e fezes têm que ser colhidas em jejum?
  • Não. O importante dessas amostras é que assim que forem colhidas devem ser enviadas ao laboratório.
Pode-se colher urina menstruada?
  • Não deve, pois o exame acusara presença de sangue sem ser de origem urinaria o que pode induzir o seu médico a uma má interpretação.
    Se for cultura pode, deve ser rigorosa com a higiene e colocar um absorvente interno.

PARA A MAMOGRAFIA

  1. Recomenda-se realizar o exame depois da menstruação, no período pré-menstrual a mama fica mais sensível, mais dolorosa.
  2. É de extrema importância trazer exames anteriores para comparação evolutiva do quadro clínico.

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PARA O EXAME DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (TC)

  1. Para a realização do exame é necessário ter em mãos o pedido do médico, o cartão do convênio (se for o caso) e documentos como RG e CPF.
  2. Trazer exames anteriores da área analisada em questão (naturalmente se já realizou algum).
  3. Chegar com 10 min. de antecedência.
  4. Dependendo da indicação clínica e do exame solicitado, será necessário utilizar contraste para a sua realização.
  5. Será explicado ao paciente quais medicações o mesmo fará uso e quais não deverá usar para a realização do exame, além de ser necessário jejum total de 8 horas.
  6. Na marcação do exame informar se faz uso de medicação controlada e para que.
  7. Para a realização da Tomografia Computadorizada sem contraste, alguns serviços não exigem preparação. Importante perguntar antes.

ULTRASSONOGRAFIA

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  1. Quando se trata da preparação para o exame, depende de qual será a região examinada.
  2. A ultrassonografia que analisar a região da pelve, por exemplo, requer a ingestão de quatro a cinco copos de água duas horas antes da realização de exames.
  3. Quando se trata da região do abdome (fígado, vesícula etc.) é necessário que o paciente se encontre em jejum de 8 horas.
  4. Há casos em que serão necessários os dois preparos para o mesmo exame.
  5. Lembrando que é de suma importância que em todos os exames ultrassonográficos, principalmente aqueles de controle, que se traga o último exame realizado para comparação.

EXAME DE IMAGEM QUE NECESSITA DE JEJUM DE 8 HORAS
Ultrassonografia do Abdome Superior

EXAMES QUE NECESSITAM DE BEXIGA CHEIA
Ultrassonografia do Aparelho Urinário Feminino/Masculino
Ultrassonografia da Região Pélvica Feminino/Masculino
Ultrassonografia da Próstata Via Abdominal
Ultrassonografia do Abdome Inferior Feminino/Masculino

IMPORTANTE: faz-se necessário que 2 horas antes do exame se esvazie completamente a bexiga, beba 1 litro de água e permaneça sem urinar até o momento do exame.

EXAMES QUE NECESSITAM DE JEJUM DE 8h E BEXIGA CHEIA

Ultrassonografia do Abdome Total.

http://www.unimed.coop.br/pct/index.jsp?cd_canal=67770&cd_secao=67764

http://www.fleury.com.br/exames-e-servicos/medicina-diagnostica/perguntas-frequentes/Pages/default.aspx

 

A Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC)

CONSIDERANDO QUE:

1 – A reunião realizada em 06/10/2016 com as sociedades científicas da área de análises clínicas/patologia clínica (SBAC e SBPC) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), discutiu somente o jejum para a realização do perfil lipídico.

2 – Existem estudos recentes demonstrando que a hipertrigliceridemia no estado pós-prandial aumenta o risco cardiovascular e que o exame, quando realizado nesta condição, é mais adequado para refletir a situação metabólica habitual do paciente, e pode ser considerado como um “novo parâmetro” para a cardiologia clínica.

3 – Para a glicemia, quando utilizada como critério diagnóstico, o tempo de jejum preconizado é de 8 horas.

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SUGERE AOS LABORATÓRIOS:

1 – Realizar os exames do perfil lipídico sem jejum somente quando a solicitação médica indicar claramente esta condição.

2 – Registrar nos laudos, que o exame foi realizado “sem jejum conforme solicitação médica”.

3 – Não informar os valores de referência até que sejam definidos na próxima diretriz de dislipidemias, prevista para dentro de alguns meses.

Para os demais exames o procedimento deverá continuar o mesmo, até que estudos científicos possam definir com segurança, a influência ou o grau da influência da alimentação sobre os resultados dos exames laboratoriais, inclusive revisando os valores de referência caso necessário.

 

http://sbac.org.br/noticias/sugestoes-aos-laboratorios-sobre-a-flexibilizacao-do-jejum/

 

 

Em anexo:

http://www.ebserh.gov.br/documents/222842/1013348/Preparo_para_exames_Secao_Bioquimica.pdf/839811bc-4104-4efe-82d3-52351705cf54

A visão do recém-nascido e do lactente

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Ao nascimento, o recém-nascido enxerga objetos a uma distância de 20 a 30 centímetros de seus olhos.

Como ele já nasce com uma preferência por mirar a face humana,  mama trocando olhares com a mãe.

Mother nursing son
Mother nursing son

Pesquisa do reflexo vermelho

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É importante que o hospital realize ao nascimento a pesquisa do reflexo vermelho nos olhos do bebê, que permite a detecção precoce de doenças que comprometem a visão, como a catarata congênita, o glaucoma e outras malformações oculares.

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Geralmente, o exame é feito na maternidade, porém poderá ser realizado também durante a primeira consulta com o pediatra.

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2º mês

No segundo mês de vida, o lactente costuma conseguir fixar o olhar em objetos.

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4 meses

Aos quatro meses, acompanha o movimento ao seu redor.

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O estrabismo pode ser comum até os  6 meses

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Com seis meses de idade o bebê já completou o desenvolvimento da visão e pega objetos com eficácia.

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Desde o nascimento até os seis meses, a criança pode apresentar estrabismo intermitente (por segundos) – desvio convergente ou divergente dos olhos.

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Caso o estrabismo seja fixo após seis meses de idade, pode ser necessária uma avaliação oftalmológica.

Bebês enxergam dobrado/borrado nos primeiros meses de vida

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Bebês vivem em universo multicolorido, com visão embaçada.
Eles compensam com a audição e sonham duas vezes mais que os adultos.

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Os recém-nascidos (RN) enxergam embaçado nas primeiras semanas de vida.

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A visão, ainda fora de foco, é atenta ao apelo das cores.

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Eles ficam fascinados pelo vermelho, azulão, amarelo ovo. É um universo multicolorido de descobertas e sensações que se revela diante dos olhos dos bebês.

Desafios do RN

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Sobreviver ao parto é apenas o primeiro desafio. Ao longo dos dois meses seguintes, o bebê vai se dedicar a decifrar tudo o que o cerca.

E o que ele vê nesse comecinho é uma confusão só. Isso porque, para formar uma imagem nítida, o cérebro precisa juntar as informações captadas por cada olho.

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Foco a 20 cm

Os recém-nascidos não têm essa capacidade. Até fortalecer os músculos dos olhos, eles enxergam tudo dobrado. Grandes borrões que felizmente vêm com um pontinho de foco a cerca de 20 centímetros do rosto do bebê.

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Não por acaso, é exatamente a essa distância que fica o olhar carinhoso da mamãe que alimenta seu filhote. Talvez seja por isso que nós sempre nos inclinamos para falar com um bebê.

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Brinquedos coloridos e apropriados

Também, por puro instinto, viramos mestres das expressões exageradas porque essas se sobressaem a qualquer imagem borrada. Assim como os brinquedos com cores fortes, bem chamativas.

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Na verdade, o que atrai os bebês nesta fase é o contraste.  Vai levar alguns anos para que esses pequenos artistas consigam detectar todos os tons.

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A audição compensa a visão ainda imperfeita

A visão de um neném pode não ser perfeita, mas ele compensa com a audição. O ouvido interno já vem de fábrica funcionando muito bem. A voz da mamãe é instantaneamente reconhecida, assim como as músicas que ela curtia durante a gravidez. Já dentro da barriga o filhote vai formando sua memória musical.

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E não se preocupe demais com o barulho dentro de casa. Os bebês já nascem acostumados a uma zoeira considerável. Afinal, o batimento do coração da mãe atinge até 90 decibéis quando chega ao útero. Segundo especialistas, “alto como o rugido de um carro esporte”.

Não é à toa que tantos bebês pegam no sono com alguém no volante.  O som constante, grave e abafado lembra muito os bons tempos dentro da barriga, e as leve sacolejadas também. Um barulho repentino pode até tirar o bebê do encanto, mas vai ser por pouco tempo.

Sonham até 2 x mais do que os adultos

Nos três primeiros meses, os bebês dormem até 16 horas por dia –  e não pense que a cabecinha deles fica parada esse tempo todo. Estudos mostram que os recém-nascidos sonham até duas vezes mais do que os adultos. É assim que o cérebro processa todas as novidades estranhas que apareceram durante o dia. Cientistas também constataram que o sono dos bebês também não é profundo como o nosso.

Muitos pais agora vão lembrar que já viveram uma cena como essa. Encontrar em plena madrugada uma criatura de olhos bem abertos. E pior: sem o menor sinal de querer voltar a dormir.

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Alteram a rotina

Os recém-nascidos não fazem ideia se é tarde demais para brincar ou se já passou da hora de acordar, e isso pode alterar a rotina da casa. O que eles simplesmente não podem deixar de fazer é dormir.

Cada nova experiência vivida pelo bebê produz mudanças dentro do cérebro. Um processo extremamente complexo que pode causar inesperados efeitos colaterais. Cientistas descobriram que algumas partes do cérebro de um recém-nascido ficam meio confusas até amadurecerem. Um barulho muito alto, por exemplo, pode ser sentido na ponta dos dedos.

Trilhões de conexões

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Isso acontece porque os neurônios formam trilhões de conexões dentro do cérebro e no começo essa rede fica um pouco bagunçada. Por isso, a ideia maluca de sentir o gosto de uma cor ou de cheirar um som, nessa fase, é completamente possível.  Significa que o cérebro é capaz de se adaptar a qualquer tipo de situação. E nos bebês essa flexibilidade não para de surpreender os médicos.

http://g1.globo.com/fantastico/quadros/mundo-secreto-dos-bebes/noticia/2015/01/recem-nascidos-enxergam-embacado-nas-primeiras-semanas-de-vida.html

Saiba mais: 

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Olhos são extensões especializadas do cérebro 

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Por volta da sétima semana de gestação, a visão começa a se desenvolver.

Ao nascer, a criança enxerga borrões, claros e escuros, e rostos e objetos que fiquem de 20 a 30 centímetros dos seus olhos.

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O alinhamento coordenado dos olhos ainda é difícil.

Virá com o desenvolvimento neurológico. O que mais chama a atenção do recém-nascido são formas redondas e cores contrastantes. O rosto da mamãe, sempre pertinho na hora de dar cuidados, é uma grande atração – fonte de comunicação, de afeto e de segurança para o bebê.

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Alcance da visão deve aumentar com a idade do lactente

No segundo mês, o alcance de visão do bebê aumenta para cerca de 50 centímetros. Ele consegue fixar o olhar, focar objetos, e tenta acompanhar movimentos.

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No terceiro mês, passará a ver imagens tridimensionais e será cada vez mais capaz de seguir objetos ou pessoas. No quarto mês, seu filho consegue reconhecer pessoas. Aos 6 meses, estará enxergando praticamente como um adulto.

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De olho na brincadeira
Mês Estímulos legais para a visão
Primeiro Fale com o bebê de perto, para ele poder enxergá-la. Brinque com objetos redondos e de cores fortes.
Segundo Faça caretas para que ele tente imitar. Um móbile no berço vai encantá-lo.
Terceiro Segure-o em pé no colo, para ele observar melhor a movimentação ao redor.
Quarto Brinque de esconder o rosto e fazer aparecer novamente. Eles adoram.
Quinto Coloque brinquedos perto e longe do seu filho, para ajudá-lo a ampliar o campo de visão.
Sexto Estimule a curiosidade do bebê, deixando-o cercado por objetos coloridos e de texturas diferentes.

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI998-15152,00.html

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O que diz a Oftalmologia Pediátrica?

Uma boa acuidade visual é importante no desenvolvimento físico e cognitivo normal da criança.

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Um objeto, mesmo quando não é visto, existe e é reconhecido de forma diferente por crianças com acuidade visual normal e deficiente.

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O desenvolvimento motor e a capacidade de comunicação são prejudicados na criança com deficiência visual porque gestos e condutas sociais são aprendidos pelo feedback visual.

Diagnóstico precoce

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O diagnóstico precoce de doenças que determinam prejuízo visual permite um tratamento efetivo, e quando não é possível tratar a doença ou a lesão é cicatricial, a prescrição de auxílios óticos e um programa de estimulação visual precoce permitem que a criança possa ter uma integração maior com seu meio.

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É fundamental que o pediatra incorpore o exame oftalmológico ao seu exame do RN, que “olhe o olho” como olha deformidades físicas ou realiza uma manobra de Ortolani.

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Uma lanterninha e um oftalmoscópio direto é tudo o que o pediatra necessitará para realizar o exame: a lanterna para o exame externo e pesquisa dos reflexos fotomotores, e o oftalmoscópio para pesquisa do reflexo vermelho simultâneo dos dois olhos (Bruckner Test).

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Reflexo vermelho alterado?

O exame deve ser feito na penumbra, com o oftalmoscópio colocado a aproximadamente  1 metro dos olhos da criança, observando-se o reflexo vermelho dos dois olhos simultaneamente.

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Se for notado um reflexo diferente entre os olhos ou a presença de opacidade, esta criança deverá ser avaliada pelo oftalmologista com urgência, pois pode ter uma catarata congênita, retinoblastoma ou mesmo grandes diferenças de refração entre os olhos.

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Estereopsia (visão binocular)

Os recém-nascidos geralmente não apresentam olhos alinhados nos primeiros dias de vida, pois o desenvolvimento da fixação monocular só está bem desenvolvida aos 2 meses, e a estereopsia ou visão binocular estará bem desenvolvida entre os 3 e 7 meses.

Esotropia congênita

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Raramente a esotropia congênita tem seu diagnóstico feito antes dos 6 meses de vida.

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Wasilewski e colaboradores encontraram o desvio dos olhos em convergência mais frequentemente (24%), não sendo o esperado para esta faixa etária, mas não significando que esta criança seja ou será estrábica.

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Sondhi e col., examinando 2.271 recém-nascidos nos primeiros dias de vida, observaram que aproximadamente 30% deles tinham olhos alinhados, 70% olhos divergentes, e menos que 1% olhos em convergência.

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Glaucoma congênito
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O reflexo vermelho irá diagnosticar as doenças que comprometerem o eixo visual do olho, e o exame com a lanterna, a conjuntivite neonatal e o glaucoma congênito, deixando sem diagnóstico doenças graves.

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Um exame oftalmológico especializado, ainda no berçário, é recomendável nos RN que apresentaram trauma de parto, ou em crianças de famílias portadoras de retinoblastoma e outras doenças com transmissão genética.

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É imprescindível o exame no berçário em recém-nascidos prematuros e portadores de infecção congênita.

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Retinopatia da prematuridade

A prevalência e a gravidade da retinopatia da prematuridade (RP) ainda são importantes.

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A RP é uma retinopatia proliferativa, com etiologia multifatorial, que compromete RN prematuros.

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Nos últimos anos, novas drogas e técnicas foram introduzidas no tratamento destas crianças, fazendo com que a mortalidade perinatal diminuísse,

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RN muito prematuros sobrevivessem, e a RP aumentasse em prevalência e gravidade proporcionalmente.

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Deve ser avaliado no berçário todo RNPT (recém-nascido pré-termo ou prematuro) com peso ao nascer inferior a 1.500g, principalmente os com peso inferior a 1.250g e/ou idade gestacional (IG) inferior a 34 semanas.

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Os RNPT que permanecerem em ventilação mecânica por mais de 20 dias, independente da IG, devem ser avaliados também.

O melhor momento para examinar

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O melhor momento para realizar o exame é controverso. Realiza-se entre 4 e 6 semanas de vida e repete-se a cada 1 ou 2 semanas, até que a retina complete sua vascularização.

Como os recém-nascidos com IG menor que 27 semanas ao nascer têm maior risco para RP, realiza-se o primeiro exame com 30 semanas de IG corrigida, independente da idade cronológica.

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Infecções congênitas

As principais infecções congênitas com acometimento oftalmológico são a toxoplasmose, a rubéola e o citomegalovírus (CMV). O seu tratamento não depende dos achados do exame oftalmológico.

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O exame oftalmológico auxilia a diferenciar as condições citadas, bem como a orientar o seu tratamento, uma vez que as manifestações clínicas na maioria das vezes são semelhantes, e o tratamento inicial nem sempre suficiente.

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Toxoplasmose

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A toxoplasmose é uma importante causa de baixa de visão em crianças.

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Mais de 82% dos indivíduos com infecção congênita, se não tratados durante o primeiro ano de vida, desenvolvem lesões coriorretinianas até a adolescência.

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O tratamento desses casos reduz para 58% a porcentagem de lesões coriorretinianas observadas. É importante ressaltar que o cisto do toxoplasma pode romper tardiamente, e a criança não saber informar sobre a doença.

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Recomenda-se o exame de toda criança, mesmo quando o exame do berçário é normal, com 3 e 6 meses, exames semestrais até os 3 anos, e a seguir, anualmente.

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Citomegalovírus

A infecção por citomegalovírus (CMV) é comum na população geral e na maioria não acarreta lesão. Adquire importância clínica em imunodeprimidos e em RN infectados congenitamente.

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A infecção materna é subclínica em 90% dos casos. Aproximadamente 40% das mães com infecção primária transmitem para o feto, porém somente 10 a 15% têm a doença sintomática ao nascimento.

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A doença retiniana é devastadora.

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Os recém-nascidos com sorologia positiva para CMV devem ser avaliados semanalmente, no primeiro mês, e quinzenalmente até o quarto mês de vida.

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http://www.scielo.br/pdf/jped/v78n3/v78n3a03

Doping esportivo. Conheça a lista (medicamentos utilizados com frequência)

O que é?

O doping esportivo é a utilização, por um atleta, de substâncias não naturais ao corpo para melhorar seu desempenho de forma artificial.

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Atualmente, durante competições esportivas internacionais, os jornais publicam escândalos envolvendo técnicos e atletas pegos no exame antidoping.

História

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O uso ilícito de substâncias – medicamentos,  hormônios, entre outras – como artifício para ganhar competições esportivas é muito antigo.

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Já nos Jogos Olímpicos da Grécia, cerca de três séculos antes de Cristo, havia uma regulamentação para evitar que os competidores tivessem o baço arrancado.

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Acreditava-se que com o esforço físico dos maratonistas, este órgão poderia endurecer e prejudicar o resultado.

Sofisticação

Ao longo dos anos, esse tipo de artimanha tem se sofisticado. Ao mesmo tempo em que as substâncias e os fármacos são aprimorados para passarem despercebidos nos exames de urina e de sangue feitos nos atletas, os próprios métodos de detecção também se sofisticam.

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Hormônios

Assim, é difícil haver dúvida nos resultados, conforme explica Jair Rodrigues Garcia Junior, professor universitário de Educação Física, ainda que algumas substâncias sejam parecidas com as produzidas pelo corpo humano.

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“As mulheres, por exemplo, também produzem hormônios masculinos, porém, em pequenas quantidades. Quando elas usam esteroides para aumentar a força muscular, os exames detectam a quantidade de hormônio artificial no corpo, porque a excreção na urina é diferente da natural”, afirma o professor.

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Troca de urina

O que complica para determinar se um atleta usou ou não doping, é que muitos trocam a urina a ser examinada por a de outra pessoa, sem resquícios dos medicamentos ou drogas. Por isso, os comitês esportivos internacionais agora também pedem DNA da urina, quando necessário.

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Teste nos treinamentos

Para o doping não deixar traços, muitos atletas deixam de usar as drogas no período de competição, mas já foram “beneficiados” por seus efeitos. “Agora alguns campeonatos começam a realizar os testes ainda no período de treinamento para evitar isso”, diz o professor Jair.

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Atletas sabem

Como o doping é mais comum em competições importantes, geralmente internacionais, os envolvidos são esportistas de muita experiência. “Dificilmente um atleta desse nível profissional não sabe que as substâncias são ilícitas, especialmente porque a maioria delas é injetável e é preciso a concordância dele para a aplicação. Por isso, não se pode culpar somente os treinadores”, afirma.

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Substâncias de uso medicinal

A dificuldade em combater o doping se dá também porque praticamente todas as substâncias utilizadas são de uso médico, vendidas com receitas controladas. “Um paciente com câncer, por exemplo, usa hormônios para recuperar a força muscular”, explica Jair.

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Isso significa que por trás do doping, há sempre alguém que está descumprindo a lei e vendendo esses medicamentos sem o controle médico devido.

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Regras usadas para todo atleta

1 – Exames antidoping a qualquer momento, isto é, qualquer dia do ano e em qualquer lugar que ele esteja;

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2 – O atleta recebe orientação verbal e uma cartilha com todas as instruções necessárias, como a de nunca utilizar medicamentos ou simples suplementos sem orientação do médico do esporte da sua equipe. O cuidado é tanto, que nem sequer água sem origem, pomadas ou alimentos, ou seja, nada deve ser consumido por conta própria.

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Atletas, em geral, seguem alertas e recomendações, mas vez ou outra ainda ocorrem casos de doping.

Como explicar?

Anos para se alcançar o nível de elite são jogados fora com explicações no mínimo bizarras. Os atletas do atletismo pegos no doping em 2009 – dizendo que nem sabiam o que era! – tiveram como agente da ilegalidade um não-médico, que por conta própria aplicou injeções de EPA.

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Internet

Uma famosa nadadora foi pega no exame antidoping em junho de 2011 porque comprou pela internet para experimentar, o estimulante “1MR”, composto de 300 mg de cafeína, 30% de guaraná, 25% de chá mate e o proibido DMAA.

Nadadores brasileiros tomaram cápsulas de cafeína (liberada), contaminadas por anoréxico na sua preparação.

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http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/06/doping-conheca-substancias-proibidas-mais-comuns.html

Veja a lista de substâncias:

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Saiba mais:

O esporte sofreu inúmeras transformações desde as competições esportivas da antiguidade. O desenvolvimento do esporte foi amplamente influenciado pelas transformações ocorridas na sociedade, trazendo novos valores e objetivos para o esporte.

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A influência da mídia, assim como os altos investimentos, transformaram a busca pela vitória. O que antes era visto no esporte como uma forma de superação, de comparação de habilidades passou a ser visto como uma mercadoria.

O esporte envolve, hoje, relações interdisciplinares complexas e as formas, de aumentar drasticamente o desempenho têm chamado a atenção de diversas áreas.

As competições esportivas deveriam ser pautadas pela igualdade de oportunidades, onde vence o melhor, o que mais trabalhou para alcançar resultado.

Ao contrario, as competições entre atletas de alto-rendimento são pautadas pelo resultado, pela busca da vitória a qualquer custo, reforçando o uso de recursos que viabilizem a obtenção da vitória. Dessa forma, atletas utilizam a melhora da performance como uma justificativa para o uso do doping.

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O doping

Por definição é considerado doping o uso de substâncias ou métodos capazes de aumentar artificialmente o desempenho esportivo e que estejam listados pela WADA-AMA/IOC (World Anti-Doping Agency/International Olympic Committee) sejam eles potencialmente prejudiciais á saúde do atleta ou a de seus adversários, ou contrário ao espírito do jogo.

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O controle de doping é regulamentado pelo Comitê Olímpico Internacional, pelas Federações Internacionais e mais recentemente pela WADA-AMA.

Anualmente a WADA divulga uma lista em que são oferecidas explicações a respeito das substâncias e métodos proibidos. A ideia básica é a de que os esportistas em geral conheçam a lista das drogas e dos métodos a serem evitados, assumindo a co-responsabilidade pelo processo de controle de uso na prática esportiva.

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Fazem parte da lista: substâncias como agentes anabólicos, hormônios peptídicos, fatores de crescimento e substâncias afins, beta-2 agonistas, antagonistas de hormônios e moduladores, diuréticos e outros agentes mascarantes.

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Além de estimulantes, narcóticos, canabioides e glicocorticoides; entre os métodos proibidos constam o aumento da transferência de oxigênio (aumento artificial da captação de oxigênio, manipulação do sangue para aumentar a taxa de transporte de oxigênio), manipulação química e física e doping genético; algumas substâncias são específicas para alguns esportes como, por exemplo, álcool e beta-bloqueadores.

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Histórico do doping

O uso de substâncias que aumentem o rendimento físico é quase tão antigo quanto o desenvolvimento das atividades físicas organizadas, seja no oriente, ocidente, nas sociedades simples ou complexas, esteve presente à utilização de alguns artifícios (físico, químico, psicológico) destinados a aumentar as capacidades físicas humanas.

Desde os primórdios da humanidade o homem usa de suas capacidades físicas para sobreviver e desde então há registro do uso de substâncias para o aumento do rendimento no trabalho, na caça, entre outras atividades.

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O uso de drogas e métodos entre os atletas para melhorar o desempenho físico é tão antiga quanto à história do esporte em si e tem sido uma característica da competição humana desde então. O conhecimento em desenvolvimento e uso de diferentes drogas e substâncias foram descritas em várias culturas durante a história, como entre os antigos egípcios, atletas gregos e gladiadores romanos que utilizavam chás de ervas e cogumelos, assim como os chineses que já conheciam os efeitos da efedrina.

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A “profissionalização” do esporte ocorreu a partir de 400 a.C., com prêmios elevados para os vencedores, resultando numa “casta” de desportistas muito bem pagos e prestigiados, os quais recebiam premiação em dinheiro, moradia, alimentação, isenção de impostos e do serviço militar. Tal valorização levou à profissionalização do esporte, resultando em sua comercialização e uma conseqüente corrupção do sistema.

Nas primeiras edições modernas dos Jogos Olímpicos, o doping era raro, mas não ilegal. Uma das misturas dopantes mais usadas consistia em um coquetel com cocaína, cafeína e estricnina.

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O primeiro caso fatal de doping que se tem notícia ocorreu em 1886 com um ciclista francês. No ciclismo usavam-se intensivamente as speed balls, mistura de cocaína com heroína. O fato chamou a atenção do meio esportivo, foi iniciada então, a luta moderna pelo controle do doping.

Na virada do século XXI, o controle de dopagem no esporte adquiriu uma maior sofisticação, englobando também, drogas sociais, banindo em várias modalidades desportivas a cocaína e alucinógenos derivados de anfetaminas e, de modo inovador, o consumo de maconha.

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A sofisticação da dopagem acompanha a evolução da farmacologia. Novas drogas com finalidade terapêutica, cada vez mais passam a ser usadas pelos seus efeitos terapêuticos e colaterais.

Assim, atletas abusam do uso de beta-agonistas conhecidos como antiasmáticos (clembuterol, salbutamol, terbutalina) pelo seu efeito colateral anabolizante. Da mesma forma, são empregados insulina e seus análogos, hormônios de crescimento e gonadotrofina coriônica humana.

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O combate ao doping no esporte na sua forma moderna teve início na década de 60. Segundo relatos, cerca de 30% dos participantes dos eventos desportivos internacionais faziam uso de algum tipo de estimulante químico.

Em 1967, o COI condenou a prática do doping, apresentando uma lista de substâncias consideradas proibidas e iniciou o controle antidoping. O ano de 1968 com os Jogos Olímpicos de Inverno na França, e os Jogos Olímpicos de Verão na cidade do México pode ser considerado o marco do controle de doping no esporte.

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A luta contra a dopagem compreende, idealmente, não só a programação de controles antidoping durante e fora de competições esportivas, mas especialmente uma conscientização e orientação dos atletas a respeito desta importante temática, bem como de um processo de julgamento no tempo e na forma adequada dos atletas quando ocorre um resultado analítico adverso no laboratório.

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O fenômeno esportivo

Desde o surgimento de atividades físicas com a finalidade de competição até aos grandes espetáculos dos dias atuais, o esporte passou por inúmeras transformações. Os valores do esporte, a própria prática da modalidade, as técnicas, os equipamentos as regras, tem sido alteradas, acompanhando assim, as transformações que ocorrem na sociedade, refletindo em seu ambiente os avanços científicos, tecnológicos e os valores criados e desenvolvidos pelos indivíduos.

Atualmente, o esporte de alto-rendimento pode ser caracterizado pela competição, pela superação de marcas ou índices e pela obtenção de títulos.

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Os eventos promovidos pelo Comitê Olímpico Internacional e pelas Federações Internacionais, nas últimas décadas transformaram-se em megaeventos, movimentando grandes somas e mobilizando um universo que transcende os atletas e seus treinadores. Os exemplos mais típicos são os Jogos Olímpicos e as Copas do Mundo de Futebol, eventos capazes de gerar as maiores verbas do planeta em relação a sua organização e realização.

O crescimento da importância do esporte, em decorrência dos grandes investimentos e do lucro gerado pelo fenômeno esportivo, gerou modificações em relação ao papel do atleta. Além disso, a influência da mídia acelerou a entrada de valores financeiros elevados e crescentes nas estruturas esportivas internacionais e tem direcionado os rumos do esporte no planeta, influenciando as metas e modificando os objetivos originais do fenômeno esportivo.

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A participação nos Jogos Olímpicos ganhou novos significados e passou a representar muito mais do que uma comparação de habilidades ou técnicas, mas a venda de idéias ou produtos.

Os atletas, antes amadores, passaram a viver do esporte. A busca pela vitória tornou-se uma espécie de mercadoria. Os meios utilizados para obter êxito e a crescente evolução nas áreas do treinamento e da tecnologia, obrigaram os organizadores do esporte a estabelecerem certos limites.

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Motivos para a utilização do doping

Na Antiguidade, quando gregos competiam, a busca pela vitória era fundamentada no superar-se, no romper barreiras individuais, para então alcançar o seu máximo na competição em que participava e assim aproximar-se de uma condição divina.

A vitória sobre o adversário era uma decorrência desse processo. Então, os vitoriosos seriam todos aqueles que superassem seus limites físicos e morais.

O recorde, com a ideia de valorização social, através dos dados numéricos, nasceu com o esporte moderno e se fortalece, cada vez mais, no esporte contemporâneo.

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Mais fortemente, no século XIX, a valorização das marcas se fez presente no mundo esportivo e o recorde adquiriu uma importância excepcional. Assim, a prática esportiva, com o objetivo de atingir os melhores resultados dentro da competição, continua a firmar-se como um espaço de realização e de confirmação de competências pessoais e sociais.

A razão física para o uso de drogas no esporte e mais recentemente, pela remodelação genética é melhorar o desempenho, dando-lhe um maior poder competitivo. A razão psicológica de dopar-se reflete em sua raiz um alto grau de exigência (intrínseca e extrínseca) e de responsabilidade.

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As pressões familiares, sociais e econômicas, além da influência da mídia, transformam o atleta em um instrumento da vontade alheia, retirando sua capacidade de discernir onde se situam os limites éticos, morais e de segurança de seu comportamento. Muitas vezes o doping é diretamente incentivado por dirigentes, empresários, treinadores, médicos, “amigos” e familiares.

O atleta que utiliza estimulação artificial opta por esta conduta porque se sente inseguro, acreditando não ser capaz de corresponder às suas expectativas e de muitas outras pessoas, ainda mais quando a sociedade atual tem como parâmetro produtivo a realização de resultados, e no esporte essa lógica é imediata e evidente.

Além disso, quando um atleta faz uso de substâncias dopantes ele busca não somente a vitória e o prazer que esta lhe proporciona, mas os desdobramentos como retribuição financeira e prestígio social.

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Numa perspectiva histórica fica demonstrado que atletas são influenciados pelo aspecto socioeconômico levando-os a exceder seus próprios limites, em muitos casos o esporte representa, a chance de ascensão social e econômica para os menos favorecidos.

Os atletas de alto nível permanecem em uma luta constante por sua posição, assim os atletas dependem de seu rendimento, o qual tem de maximizar em curtos períodos de tempo, pois geralmente, suas carreiras são bastante curtas, esse pode ser um dos argumentos utilizados para justificar a ideia de ganhar “a qualquer custo”.

Não acreditam em si próprios e em sua capacidade e vêem em seu corpo um obstáculo para realizar o sonho de ser campeão, e assim recorrem à dopagem para compensar o que julgam ser defeito da natureza. Assim, avaliações negativas e conceitos pessimistas de si próprio, empurram o atleta para o doping.

Doping e ética

A competitividade e a busca constante por rendimentos superiores são padrões de comportamento entre atletas e a população em geral. Os campeões são vistos como importantes referências de identificação para a sociedade e quando utilizam substâncias ilícitas para vencer, teme-se que, não só estejam prejudicando a si mesmos, mas também a imagem do esporte.

A questão do doping no esporte envolve sérias questões éticas. Usualmente, assume-se como certo que o uso de drogas proibidas é antiético, especialmente pelo fato de que se busca recurso não natural para aumentar a performance, atentando-se contra a honestidade na competição, inclusive com riscos para a própria saúde.

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O doping no esporte tem sido tratado de maneira consensual, como um ato antiético. Burlar a lei das substâncias e dos métodos proibidos para vencer a qualquer preço parece caracterizar um comportamento injusto com os outros, contrário à comunidade em que se está inserido e, por isso mesmo, eticamente condenável.

O doping constitui-se num grande problema do esporte contemporâneo. Apesar do discurso quase hegemônico de condenação desta prática, a eliminação doping do cenário esportivo parece ainda distante.

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O uso de doping configura uma manipulação e alteração da natureza. Com a intervenção de substâncias químicas torna-se possível alcançar resultados inatingíveis por meios naturais. O recurso do doping rouba o otimismo, o entusiasmo, e a crença do atleta nas suas possibilidades de superação e aprimoramento; destrói o sentido do trabalho, do esforço, da persistência, substituindo esses valores pela triste mentalidade da esperteza, da farsa.

 

Considerações finais

A vitória, o resultado, se mostram como uma condição básica do esporte atual, com isso atletas e envolvidos com o meio esportivo buscam cada vez mais recursos que viabilizem o alcance de seus objetivos.

Com a profissionalização do esporte, atletas passaram a se dedicar integralmente ao alcance de suas metas. Muitos atletas são vistos como heróis servindo de referência de identificação para a sociedade. Assim o espetáculo esportivo promovido por esses atletas passou a ser vendido como mercadoria, atraindo grandes investimentos e também a atenção da mídia.

Atletas são pressionados constantemente à conquista de resultados cada vez melhores, muitas vezes em um curto período, com isso atletas se sentem inseguros, sentindo-se incapazes de corresponder suas próprias expectativas e as de outras pessoas. Assim visando o resultado, esses atletas acabam recorrendo ao uso do doping.

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Ao utilizar substâncias dopantes e recursos ilegais com o intuito de melhorar o desempenho, os atletas não buscam apenas superar os adversários em busca da vitória, há também a busca pelo status, pelo prestígio social e principalmente pela retribuição financeira.

Apesar dos avanços tecnológicos para a detecção do uso substâncias dopantes por atletas de alto-rendimento, o controle anti-dopagem ainda não é totalmente seguro, favorecendo aos atletas desonestos que utilizam meios ilegais para se sobrepor a outros competidores.

http://www.efdeportes.com/efd180/o-uso-do-doping-no-esporte.htm

Grupos sanguíneos: informações para os pais.

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Alguns pais referem dúvidas sobre a possibilidade de seu filho apresentar grupo sanguíneo diferente do seu.

A ignorância tende a agravar a situação e muitas vezes cabe ao pediatra esclarecer, por exemplo, que um homem A+ e uma mulher B+ podem gerar uma criança O- (negativo).

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Introdução

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O Sistema ABO foi o primeiro sistema de grupos sanguíneos. Em 1900, Landsteiner descreveu os antígenos A, B e C (depois renomeado como O).

Ao observar muitos acidentes em transfusões,  provou que a espécie humana possui grupos sanguíneos diferentes.

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Notou-se em testes que as hemácias do doador, em alguns casos, aglutinavam em contato com plasma do sangue do paciente.

A partir disso, foi possível relacionar o fenômeno das reações entre anticorpos e antígenos.

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Antígenos x anticorpos

Antígenos são todas as substâncias que nosso organismo entende serem “invasoras”, podendo ser uma proteína, um polissacarídeo etc.

A anticorpos são proteínas encontradas no plasma sanguíneo e têm a função de neutralizar ou destruir a substância invasora. Isso só é possível, pois o anticorpo tem uma forma complementar à do antígeno, sendo a reação antígeno-anticorpo específica.

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Genética e hematologia

O genes ABO se localizam no braço longo do cromossoma 9 (posição 9q34.1‑q34.2). Foram definidos quatro genes: A1 , A2 , B, O.

Esses genes codificam a produção de duas enzimas glicosiltransferases A e B.

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A transferase A α (1,3 N acetilgalactosaminil transferase), que adiciona o açúcar N acetil galactosamina e produz o antígeno A; e a transferase B (α1,3 galactosil transferase), que adiciona a galactose e produz o antígeno B num substrato precursor na membrana da hemácia, o antígeno H. O gene O não produz transferase ativa.

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A sequência de DNA do gene O é idêntica ao do gene A, exceto pela deleção (G‑261) na região N‑terminal, o que codifica uma proteína truncada.

O gene alelo A2 difere de A1 pela simples deleção de uma base na região C‑terminal, na posição 467, sendo o nucleotídeo T em A2 e C em A1 ; o gene A2 produz uma transferase A2 que tem uma atividade reduzida, quando comparada com a transferase A1.

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A diferença entre genes A e B são sete nucleotídeos no DNA, que resultam em quatro aminoácidos diferentes nas transferases A e B.

Sistema ABO

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É o mais importante e mais conhecido sistema de grupos sanguíneos. Em decorrência da presença de antígenos ABO na maioria dos tecidos do organismo, trata-se mais de um sistema de histocompatibilidade, do que simplesmente de um sistema de grupos sanguíneos.

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A atividade das glicosiltransferases dos antígenos A e B varia em diversos subgrupos do sistema ABO.

Sistema Rh

O sistema Rh é o mais complexo sistema de grupos sanguíneos. Depois do sistema ABO, é o de maior importância clínica.

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Descoberto em 1939, tornou-se o sistema de grupo sanguíneo com mais alto polimorfismo entre os marcadores conhecidos da membrana eritrocitária.

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Até o presente momento, 49 antígenos foram identificados no sistema Rh, e os estudos genéticos e bioquímicos têm sido caracterizados pelas controvérsias. O período de descoberta dos primeiros antígenos do sistema Rh (D, C, E, c, e)

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30 sistemas

As técnicas de hemaglutinação direta ou indireta permitiram o conhecimento dos grupos sanguíneos, sendo hoje relatados mais de 280 antígenos agrupados em 30 sistemas – notadamente o ABO, o Rh e o MNS, além de outros mais complexos.

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Imuno-hematologia eritrocitária

A imuno-hematologia eritrocitária é uma ciência que estuda os grupos sanguíneos mediante a análise dos mais diversos antígenos eritrocitários e de seus correspondentes anticorpos séricos, estando diretamente relacionada a três disciplinas:

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• Imunologia: que identifica os antígenos eritrocitários e os distribui em sistemas, e que estuda, também, as imunizações provocadas por esses antígenos e os problemas imunológicos resultantes das reações antígeno–anticorpo;

• Genética: que estuda a transmissão hereditária dos grupos sanguíneos de acordo com as leis de Mendel;

• Bioquímica: que estuda os antígenos inseridos na membrana eritrocitária como estruturas reativas (lipídeos, proteínas, glicídios). As bases científicas da transfusão de sangue foram adquiridas somente no início do século XX.

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GRUPOS SANGUÍNEOS

Os seres humanos apresentam quatro grupos sanguíneos:

Grupo A: Possui um antígeno chamado aglutinogênio A;
Grupo B: Possui antígeno chamado aglutinogênio B;
Grupo AB: Possui os dois antígenos, aglutinogênio A e B;
Grupo O: Não possui nenhum dos dois antígenos.

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O gene A (ou IA) determina a formação do aglutinogênio A, o gene B (ou IB) determina a formação do aglutinogênio B, o gene O (ou i) não forma nenhum aglutinogênio e os genes A e B determinam a formação dos aglutinogênios A e B.

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O plasma também possui anticorpos chamadas aglutininas são estas que causam os acidentes em transfusões, pois indivíduos do grupo A possuem aglutininas Anti-B, do grupo B possuem aglutininas Anti-A e os do grupo O possuem as duas aglutininas e os indivíduos AB não possuem nenhuma dessas substâncias (TABELA 1).

GENÓTIPOS GRUPO  AGLUTINOGÊNIO (nas hemácias)  AGLUTININA (no plasma) 
IA IA – IA i A  Aglutinogênio A Anti-B
IB IB – IB i B  Aglutinogênio B Anti-A
IA IB AB  Aglutinogênios AB Nenhuma
ii O  Sem aglutinogênio  Anti-a e anti-b

 

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Testes

Para verificar a presença do grupo sanguíneo de um indivíduo, são feitos  testes, colocando uma gota de sangue do indivíduo a ser verificado nas extremidades de cada lâmina e adicionando soro contendo aglutinina Anti-A em uma das extremidades e o soro com aglutinina Anti-B no outro.

Assim, pode ser observada a  aglutinação de alguns grupos na presença do soro anti-A e/ou anti-B.

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30 sistemas de grupos sanguíneos

Os sistemas de grupos sanguíneos são caracterizados por antígenos na membrana eritrocitária, com características funcionais e polimórficas definidas.

Atualmente, já foram descritos 30 sistemas de grupos sanguíneos, de acordo com a ISBT (International Society for Blood Transfusion).

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Medicina transfusional

Na medicina transfusional, a compatibilidade para o sistema ABO e para o antígeno D do sistema Rh é fundamental na prevenção de reações hemolíticas, embora seja desejável que outros antígenos sejam compatibilizados, especialmente C, c, E, e do sistema Rh, assim como os principais antígenos dos sistemas Kell, Kidd, Duffy e MNS.

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Rh e seus alelos

O fator Rh depende de um antígeno nas hemácias, édiferente dos aglutinogênios. O Rh+ é responsável pela presença de antígenos, e possui o alelo dominante D (ou Rd) e o Rh é responsável pela ausência do antígeno e possui alelo d (ou rh).

Quando em um casal, um indivíduo possui Rh– (negativo) possuindo alelo dd e o outro Rh+ (positivo)Dd há duas possibilidades, sendo 50% Dd (Rh+) e 50% dd (Rh).

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Em casos em que a mãe possua Rh e o filho Rh+, as hemácias do filho passam para a circulação da mãe, durante a gravidez e, principalmente, durante o parto.

Doença hemolítica do recém-nascido (DHRN)

O organismo da mãe, então,  estimula a produção do anticorpo anti-Rh.  Por não ter uma produção rápida, o primeiro filho nascerá sem problemas, mas, em uma próxima gestação, os anticorpos concentrados no sangue da mãe, atravessam a placenta resultando na aglutinação das hemácias do feto.

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A criança pode desenvolver uma doença chamada eritroblastose fetal ou doença hemolítica do recém-nascido (DHRN).

Essa doença nos casos mais graves pode levar à morte. Pode ser necessário submeter a criança à troca gradativa de seu sangue por sangue Rh.

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Imunoglobulina anti-Rh

Outra forma de prevenção é a mãe Rh-,  logo após o parto, receber uma aplicação de imunoglobulina anti-Rh.

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Dessa forma, os anticorpos destroem as hemácias positivas deixadas pelo feto e a mãe que continuará sendo Rh– poderá novamente engravidar sem correr risco para o feto, mesmo ele sendo Rh+,pois será como se fosse a primeira gravidez.

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http://educacao.globo.com/biologia/assunto/hereditariedade/grupos-sanguineos.html

Anticorpos

Os anticorpos do Sistema ABO estão ausentes no nascimento e são detectáveis após os quatro meses de idade.

Uma das teorias propostas para seu aparecimento consiste na heteroimunização (flora bacteriana intestinal, anatoxinas diftéricas ou tetânicas, soroterapia antitetânica, medicamentos de origem animal, vacina antigripal, infecção por Toxocara canis etc.).

A gravidez ABO incompatível, assim como a transfusão incompatível, pode determinar a aloimunização eritrocitária e o aparecimento das imunoglobulinas da classe IgG.

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Os anticorpos ABO são potentes IgM ou IgG e determinam forte aglutinação direta com hemácias A ou B. São capazes ainda de ativar a cascata de complemento até C9, portanto, levando a hemólise aguda intravascular.

São extremamente importantes do ponto de vista transfusional, estando relacionados à reação transfusional grave.

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Estão também envolvidos em casos de Doença Hemolítica Perinatal, porém, em geral, de forma clínica moderada, levando a icterícia leve. Anti‑A: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do Grupo B. Anti‑B: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do Grupo A. Anti‑AB: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do Grupo O. Anti‑A1: pode ocorrer naturalmente nos indivíduos A2 , quase sempre é uma aglutinina fria, tipo IgM, encontrada em cerca de 1% a 4% dos indivíduos A2 e em 25% dos indivíduos A2 B.

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Geralmente não está associada a reação hemolítica transfusional ou doença hemolítica perinatal. Na presença de anti‑A1 , só é necessário selecionar hemácias A2 para transfusão se o anticorpo reagir a 37 o C.

Estudo derruba teoria da dieta do tipo sanguíneo

Ficou provado que a maneira de um indivíduo reagir a qualquer uma das dietas não tem qualquer relação com o seu tipo de sangue.

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Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, com 1.455 pessoas, mostra que a teoria da conhecida dieta do tipo sanguíneo – que afirma que necessidades nutricionais de um indivíduo variam de acordo com tipo de sangue – não é válida.

Segundo o coordenador do estudo, Ahmed El-Sohemy, professor associado e diretor de pesquisa em nutrigenômica da Universidade de Toronto, “não foi encontrada nenhuma evidência que apoie a teoria da dieta do tipo sanguíneo”.

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O estudo concluiu que a maneira de um indivíduo reagir a qualquer uma das dietas não tem qualquer relação com o seu tipo de sangue, mas sim com a sua capacidade de manter uma alimentação sensivelmente vegetariana ou pobre em carboidratos.

A dieta do tipo sanguíneo se tornou popular com o livro “Eat Right for Your Type”, de Peter D’Adamo.

A teoria por trás da dieta é que há alimentos que estimulam a perda de peso dependendo do tipo de sangue da pessoa. E prometia uma perda de até 6kg em um mês. Segundo a dieta, pessoas do grupo sanguíneo O, por exemplo, tinham dificuldade em digerir lactose do leite e seus derivados.

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Os do grupo A deveriam evitar carne vermelha. Para o tipo sanguíneo B, o vilão era o frango e para o AB poucos tipos de carnes eram tolerados.

O livro se tornou um best-seller pelo New York Times, foi traduzido para 52 idiomas e vendeu mais de 7 milhões de cópias.

“- Tem gente que busca o milagre do emagrecimento. E os argumentos dessas dietas famosas, como a do tipo sanguíneo, Beverly Hills, são inteligentes e conquistam essas pessoas. Mas sabemos que o que funciona mesmo é uma dieta em que se coma menos calorias do que se gasta. Este estudo é interessante porque prova que esta dieta do tipo sanguíneo é uma bobagem, sem fundamento – afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, professor de Endocrinologia da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o coordenador, cada participante teve a sua dieta habitual avaliada usando um questionário de frequência alimentar. As dietas foram calculadas e pontuadas para determinar a aderência em relação a cada uma das dietas do tipo sanguíneo recomendadas, utilizando uma lista de alimentos para consumir ou evitar, de acordo com cada tipo sanguíneo.

Os efeitos à saúde foram avaliados pelos fatores de risco cardiometabólico (pressão arterial, insulina, colesterol e triglicérides). Os pacientes, que não eram obesos nem estavam em sobrepeso, foram avaliados durante um mês.

De acordo com o pesquisador, seria esperada a perda de peso naqueles que seguissem as dietas do tipo A ou AB.

“- No entanto, pessoas com sangue tipo O tiveram o mesmo benefício. Os resultados mostram claramente que algumas das dietas do tipo sanguíneo podem ser boas para uma pessoa, mas não tem nada a ver com o seu tipo de sangue. Não é uma novidade que essas dietas sejam benéficas, já que geralmente são dietas saudáveis, por exemplo, dietas vegetarianas ou pobres em alimentos processados. A teoria de que as pessoas com diferentes tipos de sangue devem comer diferentes alimentos agora foi provada ser falsa” – disse ao GLOBO o pesquisador.

“- O estudo desmistifica a tal dieta do grupo sanguíneo e mostra mais uma vez que hábitos saudáveis estão associados com menor risco cardiovascular. Faltou apenas mostrar resultados na perda de peso – avalia o endocrinologista Marcos Tambascia, chefe do serviço de Endocrinologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).”

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/estudo-derruba-teoria-da-dieta-do-tipo-sanguineo-11369195

Teste da orelhinha e indicadores de risco

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A audição é essencial para a aquisição da linguagem oral e desempenha um papel fundamental na integração da criança com o meio exterior.ABAAAel2IAA-0

Para que ocorra a aquisição da linguagem falada, o sistema auditivo deve estar íntegro, tanto a nível periférico quanto central.

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20ª semana de gravidez

O início da audição ocorre por volta da 20ª semana de gestação e se desenvolve ativamente nos primeiros meses de vida.

Existe uma ordem de sucessão no desenvolvimento da fala – o início do arrulho, risadas, e o balbucio repetido segue o início da vocalização e acaba levando à produção de palavras simples.

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Qualquer interrupção em algumas dessas etapas, especialmente as iniciais, acarretará prejuízos importantes no desenvolvimento de fala e linguagem da criança.

Patologia grave

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A deficiência auditiva é uma patologia que a literatura reconhece como grave, uma vez que pode apresentar consequências importantes no desenvolvimento cognitivo, social, intelectual e da linguagem, dos indivíduos portadores da surdez quando não diagnosticada no tempo correto.

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A integridade do aparelho auditivo para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança é de extrema importância. O componente neural irá se desenvolver até aproximadamente dois anos, sendo este o tempo de ocorrência da plasticidade auditiva.

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A criança deve ser capaz de detectar os sons, discriminá-los, localizá-los, reconhecê-los e compreendê-los.

Danos importantes

A perda auditiva é uma das privações sensoriais que mais acarreta danos ao desenvolvimento infantil, afetando funções sociais, cognitivas e ocupacionais e principalmente habilidades linguísticas e de fala.

Crianças privadas de estimulação de linguagem adequada durante os 2 ou 3 anos de vida terão seu potencial linguístico comprometido.

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A surdez é considerada um problema de saúde pública devido à alta incidência e às diversas consequências que pode acarretar ao desenvolvimento humano.

UTI neonatal: mais atenção

A incidência de deficiência auditiva em recém-nascidos é estimada entre 1 a 3 a cada mil nascimentos de bebês saudáveis, e aumentando significantemente de 20 a 50 por mil recém-nascidos provenientes de unidades de terapia intensiva (UTI).

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Programas de triagem auditiva precoce

Com o objetivo de identificar e intervir precocemente alterações auditivas em crianças com perdas uni ou bilaterais sensorioneurais ou condutiva acima de 30 a 40 dB, foram criados programas de triagem auditiva.

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Programas de triagem auditiva são realmente efetivos se houver a identificação ao nascimento e até o primeiro mês de vida, o diagnóstico até os três meses e a intervenção e reabilitação auditiva até os seis meses de idade.

Nos últimos anos têm sido elaboradas leis, versando sobre a obrigatoriedade da triagem auditiva neonatal (TAN).

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O que são emissões otoacústicas?

A TAN tem o objetivo de detectar precocemente alterações auditivas em recém-nascidos (RN) por meio das Emissões Otoacústicas (EOA), ou seja, o teste da orelhinha.

As EOA são energias sonoras de fraca intensidade que são amplificadas pela contração das células ciliadas externas, na cóclea, podendo ser captadas no Conduto Auditivo Externo (CAE). O método das EOA é simples, de rápida realização, pode ser aplicado durante o sono fisiológico e não requer sedação.

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E quando a criança “não passa” no teste?

É importante destacar que quando uma criança falha na testagem inicial, a angústia dos pais é inevitável. Segundo a literatura, a ansiedade, a desconfiança, a insegurança, o medo e a tensão foram sentimentos relatados pelas mães, cujos bebês precisaram ser retestados por não apresentarem as respostas esperadas.

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Estima-se que no Brasil 3 a 5 crianças em 1.000 nascem surdas, aumentando para 2 a 4 em cada 100 nascimentos quando provenientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A idade média do diagnóstico da deficiência auditiva varia em torno de 3 a 4 anos de idade, podendo levar até 2 anos para ser concluído.

Portanto, a intervenção precoce deve ser iniciada antes de seu primeiro ano de vida, pois resulta em um melhor desenvolvimento da fala e linguagem, a aquisição de habilidades cognitivas, o desenvolvimento sócio-emocional e ao sucesso acadêmico 2.

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IRDA

As intercorrências pré, peri e pós-natais caracterizam os Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA):

  • permanência em UTI por mais de 48h;
  • asfixia perinatal grave;
  • meningite bacteriana;
  • infecções intrauterinas (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes);
  • anomalias craniofaciais, incluindo anormalidades morfológicas do pavilhão auricular e do conduto auditivo externo (CAE);

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  • hiperbilirrubinemia,
  • exsanguíneotransfusão;
  • história familiar de perda auditiva; peso inferior a 1.500g;
  • ventilação mecânica por mais de 5 dias;
  • síndromes associadas à perda auditiva condutiva ou neurossensorial;
  • medicação ototóxica, incluindo aminoglicosídeos usados por mais de 5 dias e diuréticos usados em combinação com os aminoglicosídeos.v77n6a15-tab05jpg

A importância da pesquisa desses indicadores está relacionada principalmente ao fato de que a audição normal ao nascer não impede o início tardio de perda auditiva e/ou a progressão da perda auditiva já existente ao nascimento, bem como a observação e acompanhamento de crianças que não apresentaram ao nascer nenhum dos IRDA, mas podem desenvolver uma deficiência auditiva.

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Não se passa no teste da orelhinha “para sempre”!

É importante esclarecer também que o “passa” no teste equivale dizer que, no momento do teste, os resultados foram compatíveis com audição normal. Isso não significa que no decorrer da infância, perdas auditivas não possam ser adquiridas por otite secretora, infecções, medicamentos ototóxicos, causas genéticas ou traumáticas, podendo gerar perdas auditivas permanentes.

Resumindo em 12 pontos

1.  Prevenir a perda auditiva é uma forma de proteger e impedir que a criança sofra os efeitos provocados pela falta de estimulação auditiva sobre a função da linguagem.

2. Cerca de 50% das perdas auditivas poderiam ser evitadas ou suas sequelas diminuídas, se ocorressem precocemente medidas de detecção, diagnóstico e reabilitação.

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3. A Academia Americana de Pediatria (AAP) revela que a deficiência auditiva permanente atinge de um a três em 1000 bebês nascidos e acompanhados em berçários normais e de dois a quatro bebês, em um grupo de 1000 nascimentos acompanhados em UTIs neonatais. Afetam também crianças na idade pré-escolar, em decorrência de doenças como meningite e otite média secretora adquirida antes dos primeiros 12 meses de vida.

4. A prevalência de deficiência auditiva é vinte vezes maior que outras doenças como a fenilcetonúria ou hipotireoidismo e sua identificação demanda um custo dez vezes menor que para outras doenças.

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5. Na infância, a ocorrência de perda auditiva sensorioneural está associada ao uso de antibióticos, principalmente aos aminoglicosídeos, diuréticos de alça e outros fatores tais como, ruído na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), infecção neonatal, meningite bacteriana, hiperbilirrubinemia, anóxia perinatal, oxigenoterapia e hereditariedade. Em particular, a frequência de uso de antibióticos em UTIN vem crescendo nos últimos anos como consequência do aumento na disponibilidade de UTIN e dos avanços tecnológicos que tem proporcionado maior sobrevivência de neonatos de muito baixo peso.

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6. O papel do pediatra é necessário para que os programas de detecção e intervenção precoces da audição sejam bem sucedidos. Contudo, há necessidade do envolvimento de toda a equipe de saúde, da família e da comunidade.

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7. O processo de identificação precoce da deficiência auditiva deve ser iniciado ainda no berçário, por meio da triagem auditiva neonatal (TAN) por ser uma forma eficiente de identificar, principalmente, as crianças de risco. A triagem simplesmente identifica. O ideal seria, logo após o nascimento, identificar as crianças de risco, encaminhar para confirmação da suspeita da deficiência auditiva e enquadrar em processos terapêuticos.

8. O Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na Infância (CBPAI) recomenda a implantação da triagem auditiva neonatal universal (TANU) para todas as crianças do nascimento até os três meses de idade.

9. O Joint Committee on Infant Hearing (JCIH) recomenda que todo o recém nascido deve ter sua audição avaliada, tendo em vista a grande incidência de alterações em bebês que não estão inseridos em um grupo indicador de risco. Nos casos de deficiência auditiva confirmada, deve haver intervenção educacional até os seis meses de idade.

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10. A AAP recomenda a utilização de métodos eletrofisiológicos nos programas de TAN como o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) e as emissões otoacústicas evocadas (EOAE) (Teste da Orelhinha). Para que se possa fazer o diagnóstico precoce, os bebês considerados de risco para deficiência auditiva ou não, devem realizar a TAN nas primeiras 48 horas de vida ou antes da alta hospitalar.

O PEATE avalia a integridade neural das vias auditivas até o tronco encefálico, através do registro das ondas eletrofisiológicas, geradas em resposta a um som apresentado e captado por eletrodos de superfície colocados na cabeça.

As EOAE registram a energia sonora gerada pelas células ciliadas da cóclea, em resposta aos sons apresentados e gravados por microfone miniaturizado colocado no conduto auditivo externo.

Os métodos citados são rápidos, não invasivos e de fácil aplicação. Não sendo possível realizar a triagem pelos métodos eletrofisiológicos é possível investigar junto aos fatores de risco, a observação do comportamento auditivo e pesquisa do reflexo cócleo-palpebral, porém perdas leves ou unilaterais não podem ser diagnosticadas por este método.

11. É fundamental o conhecimento e a valorização de todos os profissionais de saúde envolvidos no período pré e pós-gestacional para que haja efetividade nos programas de triagem auditiva, tendo em vista a detecção precoce da perda auditiva por meio do teste da orelhinha. Todo o esforço só é válido se existir a consciência imediata dos profissionais que atuam diretamente com os bebês, com o intuito de dar início ao processo de reabilitação.

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12. A participação do fonoaudiólogo é fundamental no acompanhamento e monitoramento do diagnóstico precoce das alterações auditivas, a fim de propiciar melhoria na qualidade de vida das crianças.

 

  • BOSCATTO, Soraia Domingues; MACHADO, Márcia Salgado. Teste da orelhinha no Hospital São Vicente de Paulo: levantamento de dados. Rev. CEFAC,  São Paulo ,  v. 15, n. 5, p. 1118-1124,  Oct.  2013 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462013000500008&lng=en&nrm=iso>. access on  13  July  2016.  Epub Oct 26, 2012.
  • MAIA, Raquel Martins; SILVA, Maria Adelane Monteiro da; TAVARES, Patrícia Moreira Bezerra. Saúde auditiva dos recém-nascidos: atuação da fonoaudiologia na Estratégia Saúde da Família. Rev. CEFAC,  São Paulo ,  v. 14, n. 2, p. 206-214,  Apr.  2012 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462012000200003&lng=en&nrm=iso>. access on  13  July  2016.  Epub Oct 28, 2011.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462011005000114.
  • HILU, Maria Regina Pereira Boeira; ZEIGELBOIM, Bianca Simone. O conhecimento, a valorização da triagem auditiva neonatal e a intervenção precoce da perda auditiva.Rev. CEFAC,  São Paulo ,  v. 9, n. 4, p. 563-570,  Dec.  2007 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462007000400017&lng=en&nrm=iso>. access on  13  July  2016.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462007000400017.

Efeito de fármacos ototóxicos na audição