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Criança tem pesadelo?

Pesadelo X Terror noturno

A maioria dos pais confunde pesadelo e terror noturno, mas vale ressaltar que eles são diferentes.

Os pesadelos são caracterizados por um sonho amedrontador, que faz a criança acordar assustada, ficar com medo e, muitas vezes, querer dormir na cama dos pais. No dia seguinte, lembra-se do sonho.

Já no terror noturno, o menino fica aterrorizado, pode até se mexer, abrir os olhos, mas não desperta. Ele senta, grita, chora e, após alguns minutos, volta a dormir, como se nada tivesse acontecido e depois não se recorda do ocorrido.

A crise passa

Geralmente, os pais ficam mais apavorados do que os filhos. Apesar do susto, alguns especialistas dizem que se deve simplesmente colocar as mãos sobre a criança e esperar que a crise passe, observando-a para que não se machuque, caso esteja muito agitada.

Se esse distúrbio se repetir várias vezes, para tentar diminuir os riscos de outros episódios, você pode acordar seu filho calmamente de 15 a 30 minutos antes da hora em que o terror noturno tem acontecido. Verifique também se ele está dormindo o suficiente; acalmá-lo próximo ao horário de dormir e fixar uma rotina do sono também pode ajudar.

Quando persiste

Quando o terror noturno acontece esporadicamente, não costuma oferecer risco aos pequenos. Porém, se for recorrente, é aconselhável escutar o parecer de um neuropediatra, para que ele possa investigar as possíveis causas e definir o melhor tratamento. Esse distúrbio costuma desaparecer naturalmente entre os seis e oito anos de idade.

Fonte :Texto original extraído do Blog Vida de Mãe – www.nestle.com.br/vidademae

Distúrbios do sono

Não é tão simples caracterizar os distúrbios do sono em crianças de baixa idade e para homogeneização dos estudos científicos e, consequentemente, de instituição de terapêutica individualizada.

Sabe-se que os distúrbios do sono podem ser divididos em dissonias, parassonias e alterações do sono secundárias a outras condições1

Dissonia

Dissonia, termo empregado para a dificuldade de iniciar ou manter o sono, segundo a classificação DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria, não seria corretamente aplicável a crianças pequenas, segundo os critérios desta classificação.

Assim, na faixa etária de lactentes e pré-escolares, o termo adequado seria protodissonia, baseado no contexto da criança enquanto ser em desenvolvimento.

Da mesma forma, uma protodissonia não pode ser diagnosticada antes de um ano, porque os padrões de sono-vigília, as atitudes dos pais, da criança e os fatores ambientais ainda estão em instalação2.

Parassonias

As parassonias são comportamentos anormais que ocorrem durante o sono, como os despertares confusionais, os terrores noturnos e os pesadelos1. Todas essas questões podem ser trazidas com a queixa “meu filho não dorme”.

Dos problemas com o sono, as protodissonias são os mais comuns nas crianças, predominando entre um e três anos de idade2. Em crianças pequenas, a prevalência varia entre 14 e 50%3-4, mas também não é desprezível em crianças maiores1,4-5.

Problemas na família?

Os distúrbios do sono são pistas para problemas subjacentes no seio familiar, quer sejam emocionais ou interacionais6, sendo inclusive utilizados como exemplo de demonstração do espectro de patologias do relacionamento7.

Tratamento imediato

A prevenção e o tratamento destes transtornos devem ser precoces. Quando esta intervenção não ocorre, o problema pode persistir por alguns anos2,6, embora, na maioria dos casos, sejam transitórios e autolimitados4.

Não existem muitos relatos na literatura que estabeleçam objetivamente os limites entre a perturbação do sono, entendida como parte normal do desenvolvimento, e o verdadeiro transtorno do sono na infância. Gaylor e colaboradores2 propõem critérios que definem estes transtornos e, além disto, os estratificam por graus de gravidade.

“Sono difícil”

O distúrbio da dificuldade em adormecer já seria diagnosticado, se uma criança com mais de 12 meses leva mais de 30 minutos para dormir, ou se é necessária a presença dos pais até que adormeça, sendo que o sintoma deve estar presente uma vez por semana por mais de um mês.

Despertar noturno

O distúrbio do despertar noturno seria diagnosticado se uma criança com mais de 12 meses acorda durante a noite pelo menos duas vezes e necessita sempre da presença dos pais e/ou que os pais a levem para a cama deles, sendo que o sintoma deve estar presente pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses; para as crianças com mais de 24 meses, apenas um episódio por noite já define o distúrbio.

Tratamento

O tratamento medicamentoso para insônia tem sido muito estudado nos últimos anos, mas é reservado para casos de exceção. O uso da melatonina em crianças com transtornos do desenvolvimento neurológico tem demonstrado bons resultados, mas pode ocorrer como efeito colateral a piora de crises convulsivas já existentes6,8.

TDAH

Crianças com transtorno do déficit de atenção/hiperatividade podem apresentar insônia, e os medicamentos que são usados em seu tratamento também podem interferir no sono.

No terror noturno, quando os despertares são muito violentos e a criança corre o risco de se machucar, podem ser empregados benzodiazepínicos ou antidepressivos tricíclicos. Estes medicamentos são administrados na hora de dormir e, segundo alguns autores, três a seis semanas de tratamento costumam evitar recidivas4.

Desmame

Na experiência de outros autores, os paroxismos retornam após o desmame, sendo também comum os fenômenos de tolerância6 e de rebote5, o que limita o valor de tal abordagem. Os mesmos medicamentos podem ser empregados no sonambulismo, com as mesmas ressalvas.

Medicamento apenas com especialista capacitado

A terapêutica medicamentosa na insônia infantil não relacionada a parassonias, distúrbios do comportamento ou neurológicos é mais restritiva ainda, e deve vir sempre depois de técnicas comportamentais, que devem ser mantidas. Os medicamentos de escolha são os anti-histamínicos e, em casos graves, benzodiazepínicos e hidrato de cloral. Seu uso deve ser a curto prazo, sempre por menos de três semanas e acompanhados pelo neurologista assistente. Existem poucos estudos sobre o emprego da melatonina como alternativa4.

Referências bibliográficas:

Blum NJ, Carey WB. Sleep problems among infants and young children. Pediatr Ver 1996;17:87-93. 2. Gaylor EE, Goodlin-Jones BL, Anders TF. Classification of young children’s sleep problems: a pilot study. J Am Acad Child Adolesc Psychiatr 2001;40:61-70. 3. Hammer LD. The development of eating behavior in childhood. Pediatr Clin North Am 1992;39:379-94. [ Medline ] 4. Rona RJ, Li L, Gulliford MC, Chinn S. Disturbed Sleep: effects of sociocultural factors and illness. Arch Dis Child 1998;78:20-5. 5. Archbold KH, Pituch KJ, Panahi P, Chervin RD. Symptoms of sleep disturbances among children at two general pediatric clinics. J Pediatr 2002;140:97-102. [ Medline ] 6. Howard BJ, Wong J. Sleep disorders. Pediatr Ver 2001;22:1-17. 7. Goodlin-Jones BL, Anders TF. Relationship disturbances and parent- child therapy. Sleep problems. Child Adolesc Psychiatr Clin N Am 2001;10:487-99. [ Medline ] 8. Ross C, Davies P, Whitehouse W. Melatonin treatment for sleep disorder in children with neurodevelopmental disorders: an observational study. Dev Med Child Neurol 2002;44:339-44.

Fonte: http://www.smp.org.br/perguntas-e-resposta-publico?cd=31&especialidade=Neurologia%20Pedi%C3%A1trica&grp=